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23.2.14
23.2.14

O Futuro de Elite!

 

É obvio que a ideia de refazer Robocop para as novas gerações não foi aceite com agrado pelos fãs mais acérrimos do original de Paul Verhoeven, e difícil será no futuro. Porém, em Robocop encontramos também a hipótese do brasileiro José Padilha (Tropa de Elite) vingar-se na enorme indústria norte-americana, uma tarefa que o próprio revelou não ser fácil e pior, desmotivador, sendo que o estúdio negava-lhe 9 a 10 ideias que propunha acerca da revitalização de um ícone dos anos 80. Contudo, gostando ou não, há que salientar a coragem do próprio realizador em tentar não cair no ridículo e acima de tudo contornar as opções dadas pelo estúdio como venda garantida (um Robocop preto é puro marketing, por exemplo).

 

 

Dentro desses eixos, sem querer negar que de facto um remake (ou reboot, conforme quiserem apelidar) de Robocop é um acto dispensável, José Padilha consegue até incutir um blockbuster competente, onde claramente invoca muito do universo Isaac Asimov. Enquanto que a versão de Verhoeven, um delírio pós-apocaliptico ácido na sua critica e lúdico nos seus propósitos de divertimento descomprometido, acentuava demasiado numa influência ao clássico literário de Mary Shelley (falo de Frankenstein e todo os adereços envolto), a visão de Padilha nos esclarece como um primo mais moderno, mais "limpo" e mais aproximado com o frenesim tecnológico de um I,Robot ou de um Minority Report. Aliás as leis robóticas, a consciência artificial e a relação da tecnologia para com o Homem são eventuais ramificações de Asimov.

 

 

Com uma hora introdutória e passada sem preocupações para com o cinema-espectáculo, Padilha demonstra conhecimento e espírito desafiante em transgredir as limitações do seu estúdio, satiriza, sem o espectador evidenciar, o patriotismo fervoroso e a  adoração dos americanos para com o armamento e a militarização, tais críticas encontram-se personificadas na personagem egocêntrica de Samuel L. Jackson, ou na intervenção dos EUA para com o resto do Mundo e a hipocrisia em seu território. Enfim, são pormenores que revelam uma proximidade da visão que Padilha possuía da autoridade robótica, mas tal perde-se, e sentido claramente a força do estúdio detrás, a acção toma lugar e a partir daí tudo soa forçado como a necessidade de um antagonista "à força" no enredo. Aliás a ultima meia hora é um apressado trilho para o desfecho, onde tudo corre contra o tempo e o teor descartável de algumas personagens se faz sentir.

 

 

Foi uma tarefa complicada mas que José Padilha até certo ponto consegue cumprir e com vera astúcia e inteligência cientifica, fugindo da eventual réplica e manuseando um entretenimento agradável para as novas gerações. Por fim tem a seu dispor um excelente protagonista, Joel Kinnaman (da série The Killing), e desempenhos favoráveis de Gary Oldman e Michael Keaton. Mesmo sendo difícil, esquecem por momentos que existiu um Verhoeven (sendo que o original é uma obra indispensável e delirante).   

 

"It's not a suit, it's you."

 

Real.: José Padilha / Int.: Joel Kinnaman, Gary Oldman, Michael Keaton, Samuel L. Jackson, Jackie Earle Haley, Abbie Cornish, Jennifer Ehle, Jay Baruchel

 

 

 

Ver também

Robocop (1987)

Tropa de Elite (2007)

Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro (2010)

 

6/10
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publicado por Hugo Gomes às 15:48
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últ. comentários
Título do post muito criativo.
Legal o tema do post. Parabéns.
Aguardando. Blog bem legal!
Um luxo de actores num filme de lixo, repito LIXO....
Gostei muito da crónica. Vou acompanhar o seu blog...
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