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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Por uma chapada apenas ...

Hugo Gomes, 25.04.22

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I'm for the Hipopotamus / Io sto con gli ippopotami (Italo Zingarelli, 1979)

Que fácil seria se tudo resolvesse por via de uma mera chapada. Não de luva branca mas de dedos calejados. Uma chapada apenas, que não deixasse marcas, o remédio de todos os santos perante os malfeitores, seja eles bandidos, larápios ou de colarinho branco, megalomaníacos dignos de uma enésima missão de Bond, delinquentes arruaceiros ou até mesmo caçadores furtivos de ecossistemas selvagens. Todo esse rol cedido a uma palma em colisão, produzindo um efeito proustiano aos tempos dos severos castigos atribuídos pelos progenitores. Tão simples, “dolor”, porém simples. Mas no “mundo real” (entre aspas para cairmos em absolutismos em definições exatas e incontestáveis), o processo triunfal estes males, grande ou pequenos, deve-se mais a um efeito de construir uma impenetrável  “parede”, uma defesa enriquecida para que o nosso “agressor” não trespasse. 

Contente pela vitória de Macron, um “mal menor” acima de uma eventual ameaça pela democracia liberal e do dito projeto europeu, sem falar das artimanhas, muitas delas inconstitucionais (como fez relembrar o atual e reeleito Presidente francês no anterior debate, com cerca de três horas, com a sua adversária) e fora do campo ético e humanista. Assim se ganha, como igualmente se perde, 42 % nunca poderá ser um bom presságio, as velhas políticas parecem não encontrar mais lugar nesta atualidade, o radicalismo viabiliza-se como o caminho mais direto à emocionalidade dos seus eleitores. 

Contudo, fantasio o quão rápido que seria neste mundo se tudo fosse resolvido por via da bofetada, infelizmente, foi com esse clímax que o cinema da minha infância “ensinou”, tendo como professores a dupla “clownescaBud Spencer e Terence Hill. Os, deliciosamente, maus exemplos, fazendo-me crer da simplicidade que seria uma resolução com cinco dedos, ao invés disso, acordei para a pluralidade, racionalidade e a tentativa de compreensão de um ato que seja para o motivo que cada um persiste. Nada é simples e nada é fácil por estas bandas, e nem mesmo o Cinema se quer fácil para retratar o nosso mundo.