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16.4.15
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A mulher que cantava!

 

O realizador Christian Petzold e a actriz Nina Hoss são cúmplices em invocar os fantasmas infamados do passado da Alemanha, ao jeito de Rosselini em Alemanha, Ano Zero com pequenos toques de Vertigo (de Hitchcock), aqui e acolá. Phoenix é a o renascer de uma nação abalada e envergonhada pelos pecados que ostentou em sonhos incompreendidos em erguer-se sob patriotismo e loucura.

 

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A história, baseada num livro "Le Retour des Cendres" de Hubert Monteilhet, apresenta Nelly Lenz (Nina Hoss), uma cantora judia, uma das vítimas da perseguição anti-semitista na Segunda Guerra Mundial, que sujeita-se a uma reconstituição facial a fim de “resgatar” a sua desfigurada face. Contudo, o resultado é radical, nem a própria consegue reconhecer-se no espelho. No seu coração reside ainda a o amor pelo seu marido (Ronald Zehrfeld), curiosamente não-judeu e provavelmente envolvido na sua denúncia. Ao conseguir encontra-lo, Nelly terá que reconquista-lo, porém, sem este saber a sua verdadeira identidade, mas as intenções do seu “ex-marido” são muito mais obscuras do que ela pensa.

 

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A referência a Rossellini não é em vão, Petzold filma constantemente a sua musa a penetrar nos escombros da outrora imponente Berlim, todo este cenário austero pesa na narrativa como uma essência de derrota que nunca em momento algum larga Phoenix, assim como toda a cinematografia apresentada pelo realizador até à data. Como fantasmas na penumbra, todo o enredo de Phoenix é pura sugestão fantasmagórica de um semi-sucesso sucedido por um “glorioso” fracasso. Toda este ritmo narrativo é ligado por um fio inquebrável para com eventos passados, porém, sem nunca recorrer a dispositivos narrativo preguiçoso, como se descreve-se topograficamente uma nação renunciada.

 

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O seu jeito melancólico e a interpretação de igual espirito dado por Nina Hoss são meros disfarces à verdadeira motivação de Phoenix, por debaixo dessa “pele” que evoca o Ano Zero como uma prolongada cerimónia de luto, esconde uma fénix, um país desejoso de regressar ao pedestal, em nunca desistir da sua identidade e do patriotismo justificado. Por outras palavras, uma Alemanha renascida das cinzas da sua auto-destruição. O final é belo, ecoante dessas mesmas memórias, um assombroso arrepio ao som de “Speak Low” (composto por Kurt Weill). Provavelmente um dos desfechos mais perfeitos do cinema recente.

 

Real.: Christian Petzold / Int.: Nina Hoss, Ronald Zehrfeld, Nina Kunzendorf

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:25
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