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4.8.15

Patio das Cantigas, O.jpg

O Pátio já não é o que era!

 

Não é que O Pátio das Cantigas seja um clássico absoluto do cinema mundial. Foi, sim, um objecto do regime salazarista que caiu actualmente nas boas graças do povo português e ainda hoje integra parte do nosso dialogo e tradições. Quando se fala de O Pátio das Cantigas, se menciona, obviamente, filmes como A Canção de Lisboa, O Leão da Estrela, O Costa do Castelo, entre outros e, com excepção de O Pai Tirano, todas elas comédias ditas populistas que tiveram o favor de transladar um humor de revista e de rádio para o grande ecrã. Foi como o cinema português deu os primeiros passos "correctos" no sentido do que julgava ser cinema comercial. Por outro lado, eram filmes moralistas, adeptos dos bons costumes e de conteúdos limitados em consequência do regime politico que se vivia. Nota-se, por exemplo, a célebre sequência do tumulto no arraial do Pátio das Cantigas, em que a personagem de Vasco Santana leva um grupo de crianças para um recanto obscuro e aclama "aqui não vos acontece mal nenhum", no mesmo local onde se vê uma tabuleta com a inscrição SALAZAR.

 

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Sim, sempre existiram mensagens subliminares nestes filmes que respeitavam os chamados "três Fs" de Salazar. Porém, a ideia de um remake ou "homenagem", como cobardemente se quer auto-intitular este filme, é uma manobra arriscada e que dificilmente nos diz algo sobre a época em que vivemos. Leonel Vieira (A Arte de Roubar, A Selva) conduz um grupo de atores, todos formados na escola da televisão, imagem adversa do elenco original, "extraído" da rádio e do teatro, que suportam personagens por vias de meras caricaturas e confronto entres egos ou, como no caso de Miguel Guilherme, uma descarada imitação do Evaristo de António Silva. Até a melhor actriz do elenco, Anabela Moreira, encontra-se num desperdício herege.

 

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Como referência à digna "caixa-maravilha", este O Pátio das Cantigas tresanda a todo um registo televisivo, especialmente com o seu humor descartável, pouco imaginativo e, por vezes, de mau gosto. Existem mesmo sitcoms nacionais mais sofisticadas que toda esta lavagem "pseudo-moderna", já que o modernismo fica-se pelo "pastiche" e pelo product placement que controla o quotidiano das suas personagens e não o contrário. É um pátio míope, sem textura nem dimensão e, pior, sem vida, para além da aquela incutida artificialmente para "português ver".

 

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Da mesma forma, enquanto produtos mais originais e ousados da nossa cinematografia são desprezados pelo seu público, são "coisas" como estas que auferem o seu título de filmes "populistas". Por fim, se eu tiver que nomear algo de bom neste exercício transvestido de comédia, é que Leonel Vieira consegue ser mais sóbrio a nível técnico e de planificação em comparação com Nicolau Breyner e o seu "híbrido" 7 Pecados Rurais [ler crítica]. Cinema? Não, autocolante televisivo. Homenagem? Não, simplesmente oportunismo.

 

"Ó Evaristo, não sabes nada disto!"

 

Real.: Leonel Vieira / Int.: Miguel Guilherme, César Mourão, Dânia Neto, Cristóvão Campos, Sara Matos, Anabela Moreira, Rui Unas, Aldo Lima, Joaquim Nicolau, Oceana Basílio, José Pedro Vasconcelos

 

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2/10

publicado por Hugo Gomes às 22:45
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1 comentário:
De Sit a 18 de Agosto de 2015 às 09:02
Enquanto estava no papel tinha muita vontade de ver e torci para que viesse ai algo dignificante e prazeroso.

Depois vi o trailler e o pouco interesse até do mesmo em divulgar muito e percebi nã! Isto não vou gostar de ver. Espero que passe na TV e aí, quem sabe?

Acho que perderam uma boa oportunidade para um remake, que será mais tarde aproveitada por outro realizador. Tenho esperanças na escolha interpretativa do Miguel Guilherme, que sempre foi bom em maneirismos. Porque, sejamos francos, se fosse um remake iamos querer essa reprodução ainda que ténue dos tiques que os outros deram às suas personagen.


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