Data
Título
Take
20.1.14

Os devaneios sexuais de um dinamarquês parte 1!

 

Nymphomaniac, tal como o titulo indica, nos remete a uma mulher, Joe (Charlotte Gainsbourg), espancada e deixada sozinha num beco por razões ainda desconhecidas, é encontrada pelo "bom samaritano" Seligman (Stellan Skarsgård) que a acolhe, levando-a para sua casa. Já dentro da habitação, Seligman curioso em saber o que teria sucedido a Joe, incentiva-a a relatar os factos. Após alguma hesitação inicial, a protagonista inicia por fim a sua narração, desde os primórdios da sua existência até à sua juventude libertina e de auto-descobertas, tudo isto em modo de romance.

 

 

Lars Von Trier não cede a indiferenças, ou ama-se ou odia-se, e o seu mais recente filme, Nymphmaniac, um “épico” sobre a descoberta e preservação da sexualidade, é mais uma prova dessa aura que só o cineasta dinamarquês consegue incutir na sociedade. Decidido então a embarcar nesta demanda pela intimidade do individuo, novamente envolto de polémica e claro … mediatismo, Von Trier apercebe-se que o tema original pouco ou menos de provocante tem a oferecer, o sexo,  mas nada o impediu de o "atracar". Já não sendo motivo para tal sensacionalismo, sabendo que encontramo-nos numa sociedade onde tais temas são encarados com tamanha naturalidade, se não fosse o facto destes integrarem-se na cultura actual (basta só ver os artistas de musica pop de hoje para aperceber dessa displicência no nosso quotidiano). Para poder contornar as banalidade que esta temática parece manifestar, Lars Von Trier resolve então essa indiferença social com uma consolidação da sua criatividade, por vezes absurda e delirante, com a sua capacidade tremenda de expor uma história com fins pouco ortodoxos e académicos. Assim sendo é fácil identificar os elementos do estilo do autor neste Nymphomaniac (o até então mais ambicioso filme de Lars Von Trier)  e corresponde-los a uma narrativa descrita por narcisismo artístico.

 

 

Se o cineasta é pretensioso até à medula, até aí nós sabemos, contudo são provas como estas que o tornam num cada mais autor preciso e dinâmico na sua provocação. Se não fosse o caso deste converter à partida, um banal enredo numa teia de complexidades e de teorias postas ao acaso que "encaixam" como puzzle neste completo quadro. É que é durante as interrupções e os impasses narrativos propostas pela fita, onde é possível encontrar os momentos mais divertidos, a pura extracção da mente algo distorcida e rebelde de Lars Von Trier. É matemática e teoremas cruzadas com ciência piscatória e polifonia de forma a engendrar um estudo aprofundado não do acto sexual em si, mas da necessidade do Homem quanto ao saciar da sua intimidade. Depois disto tudo, Nymphomaniac apresenta dinâmica na sua abordagem, espírito libertino e com jubilo próprio para a provocação. Ao espectador é lhe retirado o "chão", é lhe auferido impacto e melhor, sedução quanto baste na sua contestação pelo erotismo algo perdido no cinema, mas aqui reinventado.

 

 

E tal como o cérebro humano, sexo é a solução de tudo, o resultado de todas as somas e o fim da linha de todos os trilhos, em relação aos níveis de obsessão pelas infracções ao pudor, Lars Von Trier não merece qualquer tipo de julgamento quanto a questões de perversidade, se tal for a acusação, então a montagem e a exposição visual seriam de facto os denunciadores. Por fim, Nymphomaniac não resultaria se a actriz que encabeçasse este pioneiro cinematográfico não fosse totalmente dada ao manifesto, o cineasta encontrou na Charlotte Gainsbourg o seu "molde" e na jovem Stacy Martin, a sua cúmplice. Uma carnal ligação de actrizes e o seu realizador.

 

 

Infelizmente este inicio de aventura luxuriante termina em modo cliffhanger, obviamente da melhor maneira possível, alimentando expectativas e antevendo uma segunda parte ainda mais envolvente, provocante, delirante e esperemos … genial. Mas a contar o que foi visto desde então, bem, será que estaremos perante na obra que definirá por completo a carreira de Lars Von Trier? Devaneios sexuais em modo filosofia, está visto!  

 

"Forget about Love"

 

 

Real.: Lars Von Trier / Int.: Charlotte Gainsbourg, Stellan Skarsgård, Stacy Martin, Shia LaBeouf, Christian Slater, Connie Nielsen, Uma Thurman

 

 

Ver Também

Antichrist (2009)

Melancholia (2011)

 

 

9/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:41
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1 comentário:
De Gustavo a 31 de Março de 2014 às 10:37
Pura pornografia


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