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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Não se trata apenas de um cavalo num quarto, mas sim de um poema vivido.

Hugo Gomes, 28.12.15

Martin Verdet pactua com o poeta Franck Venaille para um exercício criativo jubilante que, em certo sentido, funciona como um experimento ricamente sensorial. O objetivo? Ilustrar os poemas do próprio Venaille, proclamados em conjunto com o realizador, ecoando em uma única sala, o tubo de ensaio para decifrar as emoções envolvidas nessas chamadas palavras iluminadas.

Atenta à genialidade dos seus "protagonistas", Je me Suis mis en Marche é uma obra que reúne um surrealismo declarado e a metáfora envolvida nesses mesmos versos, uma obra de execução, de improviso e de imaginação que poderiam ser de alguma forma incutidas no intelecto e no gosto literário do espectador, se ele for recetivo a se induzir a essa extensa cultura, à jornada para os limites do ser imaginado e do espaço físico.

No entanto, é nesse sentido que encontramos o grande fracasso de Je me Suis mis en Marche, não na sua limitação estética e cénica, apenas destacada na exposição dos autores na condução desse ensaio verbal, mas na sua atitude de atravessar a frio uma plataforma talentosa de imagens e som [Cinema] com a complexidade emocional da sua injeção poética, um híbrido que por diversas vezes soa estranho e que após essa estranheza emergente é atacada por um sentimento de júbilo masturbatório que nos faz questionar a essência do prolongamento desse espetáculo.

Como Alain Cavalier, Verdet demonstra a infinidade da narrativa no cinema documental e experimental, um conjunto de imagens e sons que nos transportam para o conhecimento das matrizes de todas as formas e plataformas. No entanto, essa contemplação seria muito melhor servida no cerco de uma curta-metragem, e sabendo que Je me Suis mis en Marche é, de qualquer forma, não é uma longa-metragem de longa duração (70 min). Ver, sentir, mas nunca verdadeiramente deslumbrar, são os lemas desta corrente fluvial.

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