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24.3.15

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A moda dos heróis corrompidos!

 

Baseado num romance do poeta alemão Henrich von Kleist, Michael Kohlhaas é a história do homónimo comerciante de cavalos que após ter sido submetido a uma grande injustiça decide vingar de quase toda nobreza existente do seu território, os senhores, o qual apelida constantemente, através de um exército de camponeses e criados revoltados com as suas situações actuais. Mais do que um mero conto de vingança, Michael Kohlhaas é uma obra existencialista que se depara nas diferentes perpectivas justiceiras, e o revisitar dos heróis corrompidos, “bêbados” pelas suas obsessões vingativas. É em tal retrato que o protagonista é submetido, um defensor luminoso dos direitos de igualdades entre classes que se converte durante a sua demanda sangrenta num ditador elegido pelas suas próprias leis.

 

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Obviamente existe muito por onde ligarmos a este conto mediável, mas mesmo assim detentor de reflexões sociais modernas e empregues em políticas contemporâneas. Infelizmente, Arnaud des Pallières aborda essas teias filosóficas e intimamente humanista da forma mais leviana possível, quase com receio que tais dilemas contagiassem o ritmo fílmico e até mesmo a composição do seu “herói”, este interpretado por Mads Mikkelsen, que depois de Valhalla Rising, de Nicolas Winding Refn, confirma que nasceu para este tipo de papéis. Todas essas “citações” da obra original e toda a sua temática é apenas ilustrada como meras frases, quase sem convicção pelas suas personagens, excepto por Denis Lavant, que surge repentinamente na narrativa como uma aproximação fantasmagórica da voz do poeta Von Kleist, emanando os valores cristãos e a incentivação do protesto “não-violento”, doutrina que mais tarde seria adoptada por Gandhi e até mesmo Martin Luther King.

 

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Como compensação, Des Pallières injecta neste conto fictício, mas historicamente baseado em factos reais, um senso de realismo quase provocante, em simultâneo, o realizador evita qualquer confronto directo com os lugares-comuns deste tipo de produções, nomeadamente a violência gráfica, ofuscando-a pelo efeito sugestão. Mas nós como espectadores, dificilmente conseguimos aceitar a profundidade teológica e quase jurídica deste Michael Kohlhaas como uma mera sugestão. Henrich von Kleist merecia mais que isto, mais do que um pseudo-épico integrado na independência dos seus meios, mas descaradamente “acorrentado” às suas convicções literárias.

 

Real.: Arnaud des Pallières / Int.: Mads Mikkelsen, Bruno Ganz, David Kross, Delphine Chuillot, Denis Lavant, Mélusine Mayance

 

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Valhalla Rising (2009)

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publicado por Hugo Gomes às 12:12
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