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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Meu rico "Gaiola Dourada"!!

Hugo Gomes, 13.08.15

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Do outro lado do Oceano, “A Date With Miss Fortune” (“Um Encontro com o Destino”) tem sido comparado exaustivamente com “My Big Fat Greek Wedding”, tudo porque ao nosso dispor temos a enésima visão pitoresca dos estrangeiros em culturas norte-americanas, onde mais uma vez são retratados como famílias profundamente tradicionais e caricaturalmente bizarras.

Em Portugal, o filme de John L'Ecuyer recebe previsivelmente o cognome da “Gaiola Dourada” canadiana. Porém, em comparação com a obra de Rúben Alves que tanto sucesso fez no nossos país, a modéstia referencial é substituída por estereótipos extremistas, elaborados em traços que induzem-nos fanatismo religioso como patriótico e até mesmo um dotado cariz fascista (e não estamos a falar de nazis). Sim, são estas as características que estão implantadas nas personagens portuguesas que compõem este retrato cómico-amoroso de John L'Ecuyer sobre um encontro acidental que resultou num romance acima do esoterismo e dos vínculos culturais. São filmes como estes que nos fazem perdoar “Love Actually”, de Richard Curtis, e nos fazem realmente questionar que imagem é que o mundo tem de Portugal. Uma questão interessante, contudo, de difícil explicação quando deparamos com o facto da filha de emigrantes açorianos, Jeannette Sousa, ter sido uma das autoras do argumento, para além de protagonizá-lo ao lado do canadiano Ryan Scott.

Mas pondo estas vertentes, que soam a nacionalismo, de parte, o filme resume-se a uma comédia romântica com um promissor ponto de partida a nível narrativo, mas que depressa converte-se num emaranhado de clichés do género. John L'Ecuyer não consegue engrenar no dito registo e quando menos se espera deixa cair a sua imagem profissional e acarreta um protótipo de uma sitcom criada exclusivamente para a internet (até parece que tudo resume-se a um mau episódio piloto de um websérie).

Sem um pingo de graciosidade e genica nas suas gags, em “Um Encontro com o Destino” soma o carisma de Jeannette Sousa, que parece ser a única razão para que este filme tenha sido concebido. No fim disto tudo, temos mais um registo falhado de Joaquim De Almeida em além fronteiras.