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24.1.18

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A Cura para o Cinema? Nem por sombras …

 

Chegamos à terceira e última parte desta distopia juvenil perdida em becos sem saída. Verdade seja dita, a competência não faz um filme, e Wes Ball por mais competente que seja a dirigir uma grande produção com foco centrado na fatia juvenil, dificilmente consegue bravamente sair do seu próprio registo.

 

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Aqui a questão não é conduzir-se num guia de entretenimentos fáceis, Maze Runner peca, primeiro, pela coerência político-social que uma distopia poderia emanar (ao contrário do anarquismo envolto de revolta em The Hunger Games), e sobretudo por não trazer nada de novo às audiências. A começar pela primeira sequência, uma aspiração a Mad Max sem a orgânica de edição que o anexa, e a terminar na tentativa Senhor das Moscas como desfecho feliz e solucionável a um apocalipse materializado. Grandes corporações que tudo fazem para salvar a Humanidade da iminente extinção, um vírus quase romeriano que gera criaturas desfavorecidas de realismo, e um grupo de jovens imunes inseridos em labirintos sintéticos de forma a descobrir um cura. Sim, até nós questionamos a verosimilhança em tais métodos científicos, como tudo servisse numa máscara circense de forma a injetar adrenalina num cenário pós-apocalíptico (sem acrescentar o facto desta mesma corporação intitular-se de WCKD, uma prolongada piada).

 

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Nada faz sentido, mas mesmo sob o pretexto de “desbelieve” (“abraçar” o incredível), Maze Runner não escapa ileso à homogenia da sua produção. Inconsequente até à quinta casa, longo até mais não (a culpa foi dos dececionantes resultados do segundo The Hunger Games, que deitou por terra o plano de duas partes) e demasiado automático no seu encaixe. Não existe personagens aqui, apenas bonecos com objetivos definidos e até mesmos os “novos” instalam-se como figuras-ferramentas, cuja existência é a solução dos problemas dos protagonistas. Nesse sentido, é o contagio da narrativa videojogo, sem o realce de questões existenciais e dimensionais do seu cenário, tudo é corrido com a passagem de níveis.

 

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Contudo, apercebemos o público-alvo disto, em tempos de smartphones e enxurradas e consumo fácil de informação, esse espectador perdeu a paciência, distrai-se facilmente, e necessita sobretudo de filmes acelerados e demasiado explícitos, narrativamente falando, para merecer a sua atenção. Foi isso que o Cinema e muito se converteu. Alvos fáceis, produções gigantescas e anónimas. Maze Runner: The Death Cure pode não ser a pior “coisa” existente no panorama atual, mas o seu conformismo é sobretudo alarmante. 

 

Real.: Wes Ball / Int.: Dylan O'Brien, Ki Hong Lee, Kaya Scodelario, Patricia Clarkson, Barry Piper, Aidan Gillen, Giancarlo Esposito, Will Poulter, Walton Goggins

 

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3/10
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publicado por Hugo Gomes às 17:35
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1 comentário:
De Frederico a 26 de Janeiro de 2018 às 17:26
Para mim fechou a trilogia com chave de ouro.

Maze Runner: A Cura Mortal: 5*

Mais fiel ao livro, cheio de adrenalina e com um história excelente.

Cumprimentos, Frederico Daniel


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