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25.6.15

Madame Bovary.jpg

O bovarismo visto por uma Mulher!

 

Até Jean Renoir adaptou este relevante romance de Gustave FlaubertMadame Bovary (em 1949), que fora considerado um dos pioneiros da chamada literatura realista. Porém, esta é a primeira vez que uma mulher toma conta de todo o controverso material publicado em pleno século XIX. Sophie Barthes, autora dos trabalhos Happiness e Cold Souls, opera um filme conotado por uma reconstituição história digna do selo BBC, se não fosse o facto deste Madame Bovery ser uma co-produção alemã, belga e norte-americana, onde nos centramos numa França falada em inglês e num romance transformado, naquilo que supostamente seria uma ensaio psicológico do bovarismo (a total insatisfação reconhecida na sua protagonista) para uma automática condenação e defesa da Mulher entediada na burguesia do século XIX.

 

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Certas liberdades foram tomadas nesta obra cinematográfica de forma a focar exclusivamente na integridade de Emma Bovary (Mia Wasikowska), a madame do título, uma mulher que pretende desafiar as próprias convenções do matrimónio da época. Esta é uma óbvia obra concretizada num tempo onde o activismo feminista parece ter ganho novas frentes de batalha, mas existe claramente algo que não bate certo em todo este retrato. Se a protagonista é facilmente julgada em "praça pública" (falo por parte do espectador), Sophie Barthes tenta lhe devolver alguma dignidade, salientado as suas emoções como revoluções sociais, enquanto carece em explorar as restantes personagens, nomeadamente o marido, Charles Bovary (Henry Lloyd-Hughes), recriado como um figura anoréctica, submissa e sem expressividade.

 

madame-bovary.jpg

 

Contudo, mesmo ausente de profundidade, é no elenco secundário que o filme estabelece algum interesse (Rhy Ifans, Ezra Miller, Paul Giamatti e Logan Marshall-Green), ofuscando por completo a dedicação de Wasikowksa, desafiada em fugir da sua imagem já definida. Apesar do interesse de ver uma perspectiva, sobretudo, feminino quanto ao clássico do realismo literário, Madame Bovary é isento de emoção e de análise psicológica nas suas personagens. O que surge é um produto de época graficamente eficaz mas sem a merecida textura.

 

Real.: Sophie Bartes / Int.: Mia Wasikowska, Henry Lloyd-Hughes, Rhy Ifans, Ezra Miller, Paul Giamatti, Logan Marshall-Green

 

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publicado por Hugo Gomes às 22:08
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