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13.5.15

Mad Max - Estrada da Furia.jpg

O regresso do guerreiro da estrada, ou melhor, da guerreira!

 

Trinta anos passaram desde a Cúpula do Trovão (Beyond Thunderdome) e ainda hoje a existência de um quarto Mad Max nos cinemas continua a ser levada com uma certa incredibilidade. Mas a verdade é que o nosso anti-herói presente num mundo pós-apocalíptico em que a Humanidade parece estar reduzida a pequenas e violentas tribos, está mais vivo que nunca, e a relembrar os seus tempos áureos de Road Warrior (1981) - o que parece mentira, visto que nem Mel Gibson nem Tina Turner encontram-se presentes nesta nova aventura. Aliás, a icónica e homónima personagem tem uma nova cara - Tom Hardy (The Dark Knight Rises) - e uma incursão mais filosófica do que o normal, mas entenda-se que tudo isso é sol de pouca dura, porque o real objectivo deste Fury Road é simplesmente entregar-se a um entretenimento voraz repleto de ápices frenéticos de acção (semi) artesanal.

 

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30 anos foram muito tempo para a saúde de Mad Max. O mundo que o acolhera em três bem-sucedidos filmes tornou-se drasticamente diferente. O cinema dito de entretenimento evoluiu para formas mais reflectidas e milimetricamente pensadas para agradar a gregos e troianos. Assim, para este novo projecto era necessário o lema de Darwin: evoluir ou morrer. Porém, para Darwin, Mad Max apenas responde com a necessidade de sobrevivência. Como resultado temos uma exaustiva produção ao nível dos maiores espectáculos hollywoodescos e ao mesmo tempo um júbilo cinematográfico à moda antiga, com um requisito megalómano de stunts e todo um universo demasiado sujo para uma indústria cinematográfica deveras limpa.

 

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Depois temos a Mulher. Mais do que mero activismo politico ou social, Charlize Theron partilha o protagonismo com Hardy, e, para ser sincero, de forma desigual, já que a actriz rouba qualquer cena que surja com a sua trágica "mulher de armas", Furiosa. Tal como sucedera em Snow White and the Huntsman, Theron prova mais uma vez que nenhum papel é pequeno. Neste caso, as comparações que tem suscitado com a Ellen Ripley de Sigourney Weaver, esse símbolo da mulher de acção no Cinema, não são tão descabidas assim, visto que a sua personagem é uma emancipada, subjugada aos códigos do feminismo militante e intercalada com uma extrema necessidade de apelar ao lado mais emocional. George Miller conseguiu aqui, subtilmente, um hino ao retorno da acção no feminino através de uma manobra bem perigosa, mas com resultados felizes. Mad Max não é o único herói acidental aqui, desta vez é uma mulher que está no volante.

 

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Mas não nos fiquemos por questões de igualdades, nem de profundidade por vezes imperativas nos blockbusters dos dias de hoje. Fury Road é, sim, uma montanha russa, imparável, pomposa, mas sempre fiel aos códigos de série B. É entretenimento para massas, eficazmente direccionado a todos os que cresceram com o herói de Gibson (em jeito de homenagem, o vilão deste capitulo é interpretado por Hugh Keay-Byrne) ou pela ausência de limites na acção. É uma reciclagem das grandes perseguições, enraizadas na narrativa com uma explosiva força motora.

 

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Se formos descrever este Mad Max numa simplicidade quase massacrante, poderemos insinuar, e com convicção, que todo o filme é uma ida e volta, um autêntico "freak show" que não irá deixar defraudados quem tem como único propósito a diversão. Esteticamente é um novo Mad Max, porém, o modelo continua a ser o antigo.

 

"Oh what a day, what a lovely day!"

 

Real.: George Miller / Int.: Tom Hardy, Charlize Theron, Nicholas Hoult, Hugh Keay-Byrne, Rosie Huntington-Whiteley, Zoë Kravitz, Riley Keough, Nathan Jones

 

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8/10

publicado por Hugo Gomes às 22:19
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2 comentários:
De Nóbrega a 22 de Maio de 2015 às 16:13
Nada como uma mulher no volante para deixar tudo mais destrutivo. Pelo visto paguei com a língua, e George Miller continua tão sagaz como sempre. Vou dar uma olhada nos cinema, com certeza!


De Frederico Daniel a 30 de Novembro de 2016 às 23:19
Mad Max: Estrada da Fúria: 4*

O filme tem efeitos visuais bastante bons e competentes, mas peca por ser grande demais.
O elenco principal esteve bastante bem.
Cumprimentos.


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