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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Lisboa fora de horas!

Hugo Gomes, 04.03.19

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Imagens Proibidas” é um daqueles filmes de várias ideias, mas nenhuma delas concreta. Um veículo para “problemas de primeiro Mundo”, de crises existenciais numa busca interminável pela noção de amor platónico. Convém salientar que, apesar de ser um projeto de baixo-orçamento e isento de estrelas do nosso panorama audiovisual (talvez João Lagarto seja o nome mais sonante deste elenco), o realizador Hugo Diogo aprimora a sua dedicação por detrás da câmara após o terrível “Os Marginais”, onde tentaria, sem êxito, orquestrar um conto criminal citadino sem nó nem costura.

Aqui, filma Lisboa como Nova Iorque se tratasse, uma agradável brisa cosmopolita que interage com um senso artisticamente eclético e inspiração do livro de Pedro Paixão. E é uma pena que os olhares aqui reunidos (o magnetismo em Diana Costa e Silva em consolidação com os movimentos de Rita Redshoes) se concentrem num enredo deambulante, que tenta encontrar a sua catarse intrínseca e a profundidade das palavras que nunca ousa proferir. É um filme falhado, diremos assim num tom quase condescendente; porém, é um dos “falhanços” felizes, uma obra que demonstra um esforço por parte de Diogo em atribuir um ritmo onde não existe.

O artificialismo de uma trama que se afasta do miserabilismo identificável de outras obras, ou das tendências de configuração de uma “portugalidade” enquanto identidade coletiva, “Imagens Proibidas” é somente o Cinema fora do seu habitat, assim como fizera no ano passado “Leviano” (um fracasso curioso que merece mais a nossa atenção do que o nosso profundo desprezo). Por vias de tentar ser um Brisseau alfacinha, mais académico e pouco dado aos explícitos corporais e emocionais, cabe a nós explicar a Hugo Diogo que, por mais alma deposite a este projeto, este não vinga para além de um exemplar egocêntrico.

Tudo, porque o realizador não possui ainda uma voz, um gesto autoral em toda esta caça ao vazio. “Imagens Proibidas” não é um objeto interdito que se prometia, é um rastilho de pouco pavio, onde, novamente repescando a estaca inicial, carece de solidez nas suas ideias, principalmente as de Cinema.