O novo filme de Andrey Zvyangintsev, Leviathan (Leviatã), abrirá toda uma nova gama de antestreias especiais e exclusivas dos cinemas Medeia, segundo as palavras do exibidor, produtor independente e detentor da respectiva cadeia de cinemas, Paulo Branco. Cada uma destas sessões será apresentada por convidados especiais, sendo que o jornalista e crítico de cinema, Nuno Galopim, teve a honra de ser o anfitrião da consagrada obra do cineasta russo.
Antecedido à sua antestreia, que decorreu na segunda-feira, dia 2 de Março, no Cinema Monumental em Lisboa, Paulo Branco proferiu umas breves palavras sobre o estado da exibição em Portugal. Prometendo ser curto afim de não atrasar a projecção, referiu o ramo da exibição, assim como a distribuição, num sector empresarial em plena queda livre, situação muito mais agravada para o negócio mais independente, como é o caso do seu.
Exemplificou o Cinema King (encerrado em Novembro de 2013), como uma das grandes perdas em consequência desse mesmo decréscimo. "O cinema em Portugal já não é para ver em sala", condenando de seguida as novas plataformas de visualização que são os computadores e outros dispositivos, assim como os downloads legais ou ilegais que também referidos como outra das causas para a decadência do cinema propriamente dito. Branco especificou que para combater tal situação era preciso acima de tudo "fazer sentir às novas gerações que ver cinema numa sala é uma experiência".
Porém, culpou as outras distribuidoras, nomeadamente a NOS, como indiciadores de uma má educação cinematográfica no espectador. Referindo a essas mesmas distribuidoras / exibidores de apelarem a um numero maior de público por vias de outros produtos - "veiculo comercial para outras coisas, como por exemplo o cabo" - condenando-as e criticando respectivo modo de exibição, exemplificando "projecções abruptamente cortadas a meio como incentivo para vender mais pipocas".
Paulo Branco salientou ainda ser um optimista e pretender "dinamizar" a programação dos seus cinemas, nomeadamente a prática das mencionadas sessões especiais, confirmando de seguida que manterá as suas salas no Monumental, assim como no Nimas. "A criação cinematográfica ainda tem muitos anos à sua frente".
As palavras do produtor foram acentuadas e finalizadas por Nuno Galopim, que antes de dar inicio à sua palestra acrescenta: "aprendi a ver cinema numa sala escura rodeado por pessoas".
Recordamos que Leviatã, que estreia nos cinemas nacionais no dia 5 de Março (um exclusivo dos cinemas Medeia), avança com uma história de uma Rússia corrompida e insaciável por poder. No centro desta sociedade "envenenada", deparamos com uma família que luta contra um corrupto e malicioso presidente da Câmara para conseguir manter a sua habitação à beira-mar. Nomeado ao Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira, porém, vencedor do Globo de Ouro na mesma categoria, para além do Prémio de Melhor Argumento no Festival de Cannes, o último filme do realizador de The Return e Elena espelha um conto mal agoirado onde um mal impera porque os homens de bem nada o fazem para impedir.
Segundo as palavras de Nuno Galopim, Andrey Zvyangintsev encontra-se de momento nos EUA a dirigir uma curta-metragem.
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