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28.3.14

Revisitando "fantasmas"!

 

O já muitas vezes apelidado de “prodígio de Tarantino (devido ao seu trabalho que exerceu como assistente de câmara em inúmeros filmes do realizador nos anos 90), Ziad Doueiri adapta o polémico best-seller de Yasmina Kadhra para o grande ecrã, convertendo a jornada de um homem às profundezas de uma sociedade regida pela religião fervorosa e pelo ódio entre culturas num thriller intimista que apela a pertinentes questões e que nos outorga respostas através da emoção.

 

 

A terceira longa-metragem de Doueiri como realizador a solo (marcando 14 anos desde a sua aclamada estreia com West Beirute onde aborda a Guerra Civil do Líbano, a nacionalidade do realizador, nos anos 70), é um filme que começa sob um signo esperançoso, retratando a cidade israelita Tel Aviv como um último reduto para israelitas e palestinos. Mas com o desenrolar de um enredo que nos traça uma matriz de alusão ao thriller mainstream, L’Attentat nos atenta num vazio existencialista enquanto o espectador em cumplicidade com o protagonista “abraça” o derrotismo que surge após um "choque" com um "mundo subliminar". Ali Suliman (Paradise Now) desempenha assim um médico cirurgião palestino que renega as suas raízes para sobreviver numa sociedade cada vez mais no limiar, mas que é forçado a invoca-las para entender com que razões levaram a sua amada mulher a cometer um atentado suicida que vitimou uma dezena de israelitas. Uma verdade crua e dura que integra como "fraca" na alma deste homem atormentado, deixado ao abandonado e marginalizado pelos dois lados da sociedade que habita.

 

 

O olhar de Doueiri não é denunciante, nem sequer engendra o panfletarismo ou usufrui do tema para requisitar maniqueísmo, um quadro neutro porém forte nas suas convicções e na sua mostra, iniciando debates mas nunca termina-los com opiniões definidas. L'Attentat joga com a sugestão das ocorrências e dos actos, mas no fundo o filme funciona como um potente drama sobre um homem em busca da consciência. Uma obra corajosa que encontra-se de momento proibido de ser exibido em grande parte dos países árabes incluindo a origem do realizador, Líbano.

 

Filme de abertura do Judaica: 2ª Mostra de Cinema e Cultura

 

Real.: Ziad Doueiri / Int.: Ali Suliman, Reymond Amsalem, Evgenia Dodena

 

 

8/10

publicado por Hugo Gomes às 17:31
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