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26.11.14

Ciume.jpg

A descrença na Humanidade, by Garrel!

 

Phillipe Garrel retorna para enfrentar os seus demónios interiores e novamente volta a perder face a eles. Mas em La Jalousie (Ciúme) existe outra vertente, uma arte esperada, que nada fora feito para impedi-lo, diria antes a arte do desgaste. Garrel articula em territórios conhecidos, aliás, sob os mesmos moldes e os mesmos ventríloquos, o seu filho - Louis Garrel - que regressa às vestes do "lobo". Este é o terceiro capitulo da sua trilogia dos Amantes, uma autobiografia moldada e recontada em diversos ângulos criativos, mas unidos pelas escolhas recorridas pelo seu respectivo "pintor".

 

louis-garrel-la-jalousie.jpg

 

É o mundo impuro e monocromático que se assenta para salientar os medos do realizador, que os utiliza como um culminar de vazios existenciais, simultaneamente evocando essas pretensões algo eruditas para dissecar o fruto das relações amorosas. La Jalousie é "amor-cão" em língua burguesa, é o de sentir apaixonado sem com isso sentir verdadeiramente, é distanciar os sexos sem de facto diferenciá-los, é o de monologar sem com isso dizer rigorosamente alguma coisa. Pois bem, Phillipe Garrel converteu-se ao conformismo, quer estético, quer estrutural até mesmo a nível ideológico, este é o seu mesmo filme de sempre, com o pormenor de que o próprio autor já o havia anteriormente cumprido e em melhores resultados. Ao menos esperava-se algo mordaz, cru e sem remorsos, mas o retrato dado por este neste reencontro com "demónios adormecidos" é o de somente vácuo.

 

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Misógino para alguns, sexualmente indiferente para outros, La Jalousie confirma a não superação de Garrel em enfrentar o que deveria ter enfrentado, ou o de simplesmente seguir em frente nessa sua longa jornada para provar a animalidade do Mundo dos compromissos. Talvez o recado dado por este seja do conhecimento de qualquer um, mas o nosso cineasta sente-se na obrigação de partilhar essa sua visão, quer queiram, quer não. A questão aqui é que até mesmo os autores tem fórmulas, a desculpa é que Garrel apenas aplicou a sua. Um dos mais fracos filmes da sua carreira, a prova de que a reinvenção é por vezes um novo fôlego a um autor, ao invés do estilo como dado adquirido.

 

Real.: Phillipe Garrel / Int.: Louis Garrel, Anna Mouglalis, Rebecca Convenant

 

la-jalousie.jpg

 

4/10

publicado por Hugo Gomes às 21:18
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