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11.5.16

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"Haja alguém que tire Tornatore das estrelas?"

 

Mesmo após a sua "morte", a luz de uma estrela continua visível no céu durante vários anos, provavelmente aquilo que vemos num horizonte estrelado é nada mais que as presenças de astros desaparecidos, ilusões e alusões de uma anterior presença. Sob essa essência, Guiseppe Tornatore concebe La Corrispondenza (A Correspondência), um melodrama onde os fantasmas vagueiam nas declarações de amor. No sentido em que as personagens estão de certa forma ligadas à astrofísica, o enredo segue um adultério mantido anos-a-fio que é interrompido pela tragédia. O professor Ed Phoerum (Jeremy Irons) falece em consequência de uma doença, deixando em desgosto a sua amante e ex-aluna, Amy (Olga Kurylenko). Mas o professor havia preparado tudo antes da sua morte, pronunciando a saudade que poderia culminar nos seus entes queridos, e antecipando todo um conjunto de correspondência, videos e presentes para a sua amada.

 

foto-la-corrispondenza-4-low.jpg

 

Depois dos êxitos internacionais de Nuovo Cinema Paradiso e do elogiado La Sconosciuta (A Desconhecida), Giuseppe Tornatore parece ter-se reduzido ao autêntico "crowd pleaser", mas até mesmo nesse estatuto existirão resultados bem mais entusiasmantes; quem não se lembra do anterior La Migliore Offerta (A Melhor Oferta), com Geoffrey Rush a emancipar-se do seu afecto aos quadros de mulheres solitárias. Contudo, neste caso, o ensaio é completamente irreconhecível. Tornatore reduz-se a um mero ensaio melodramático apenas com "truques baratos" do romance. Aliás, existe aqui algo mais dos "escritos" de Nicholas Spark e de Cecelia Ahern, do que propriamente do realizador. Os actores parecem reconhecer isso, sendo que os requisitos mínimos são apenas necessitados. Olga Kurylenko engana-nos perfeitamente com o seu overacting (não temos aqui nenhuma "Amazing" Amy) e Jeremy Irons está mais que ausente, intrinsecamente falando.

 

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Todo este registo alastra-se e alastra-se até a intriga torna-se inverosímil. Este estatuto de incredibilidade atribui um tom trágico, exageradamente trágico, que nos faz focar neste casal, agora repartido pelo destino, do que propriamente na conduta que um retrato sobre a perda poderia culminar. As estrelas não estavam do lado de Tornatore desta vez, limitando-se a ser "barato" e sem qualquer tipo de mestria nem afecto pelas personagens que apresenta.

 

Real.: Giuseppe Tornatore / Int.: Jeremy Irons, Olga Kurylenko, Simon Johns, James Warren, Shauna Macdonald

 

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publicado por Hugo Gomes às 18:34
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