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11.6.15

Mundo Jurássico.jpg

Regressando ao Parque, 22 anos depois!

 

Aviso à navegação: quem viveu na época do primeiro Jurassic Park dificilmente poderá ter qualquer tipo de compaixão por este protótipo tecnológico que se assume como um trivial produto de série B. Aliás, em 1993, a suposta série B revelou-se num dos mais entusiasmantes blockbusters dos últimos anos, um fascínio quase imaturo por bestas pré-históricas tecido com todos os traços do cinema de Spielberg ao serviço da adaptação do homónimo livro de Michael Crichton. Essa dita despretensão foi mais astuta e inteligente do que se julgava, obviamente se não seguirmos por "mesquinhez" científica.

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Mas entre 1993 e o ano 2015, muito mudou nos parâmetros do entretenimento cinematográfico, e uma dessas mudanças adveio de um dos maiores "booms" da nossa cultura pop - os videojogos e como estes evoluíram - adquirindo uma linguagem complexa e provavelmente bastante cinematográfica. O cinema por sua vez influenciou-se dessa mesma linguagem, conduzindo-se por narrativas de rápido acesso e sequências de acção cada vez mais dependentes do frenesim tecnológico. Jurassic World vêm-nos concluir a promessa feita há vários anos atrás, um terceiro reencontro com o imaginário de Crichton que Spielberg orgulhosamente apresentou. Nesta nova estância, The Lost World: Jurassic Park (1997) e Jurassic Park III (2001) são automaticamente anulados, seguindo directamente a origem. Nesses termos, a visão Colin Trevorrow tenta diferenciar-se da fórmula estabelecida, mas o que consegue é puro espalhafato.

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Vários anos depois dos eventos de Jurassic Park, um novo parque é aberto na ilha Nublar, uma espécie de Disneyland com dinossauros. Com o passar dos anos, esse mesmo parque temático sempre gozou de um êxito surpreendente, mas os próprios dinossauros perderam o efeito de novidade para com o público, sendo a lufada de ar fresco encontrada pela gerência do Jurassic World de criar novas espécies geneticamente modificadas. Entre elas um apelidado Indominus Rex, um feroz carnívoro que cresceu como um animal inteligentíssimo, capaz de executar emboscadas e com o dom da camuflagem. Todos os pontos apontam para uma autêntica caixa de Pandora, e é previsível que o filme siga nessa vertente.

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O resto é um branqueamento total da matéria primariamente exposta por Spielberg (presente aqui como produtor executivo). Jurassic Park perdeu as suas influências do suspense e recebe com isso uma alegoria virtual e de cenas decorridas em velocidade recorde. Mesmo assim, Colin Trevorrow evidencia paixão pela matéria original, mas nunca total conhecimento pela mesma, ou seja, mimetiza entre espaços as referências do filme de 1993, intercalando com um pandemónio pré-histórico (o final é a certificação desse ato inconsequente) como se fosse uma criança ao qual foi dada total direcção deste "projecto de sonho". Perde-se a assombração que Spielberg auferiu na sua obra e com isso chega-nos uma veia sadista (aqui os dinossauros até brincam com a "comida").

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Mais, Jurassic World funciona como um filme perigoso para os tempos que correm, até porque numa leitura mais aprofundada encontramos um entretenimento misógino. Falamos particularmente da personagem de Bryce Dallas Howard, uma mulher que profissionalmente está a acima de qualquer homem, mas isenta de vínculos afectivos e familiares. A dita torna-se aceitavelmente "humana" quando um "macho" arquétipo de Indiana Jones (Chris Pratt) surge na sua vida, salvando-a de todos os perigos e criando um elo de necessidade. Nisto, o pior mesmo é o desleixo da produção para com a personagem de Omar Sy, o francês do sucesso Intouchables, perdido numa selva de animais extintos recriados graças a um CGI tão realista que nem uma criança de 5 anos consegue acreditar na sua existência. Com filmes assim, mais valia a extinção.

 

"She's killing for sport."

 

Real.: Colin Trevorrow / Int.: Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Ty Simpkins, Vincent D'Onofrio, Omar Sy, Jake Johnson, Irrfan Khan, BD Wong, Judy Greer

 

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Ver Também

Jurassic Park (1993)

The Lost World (1997)

Jurassic Park III (2001)

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:39
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1 comentário:
De Nóbrega a 15 de Junho de 2015 às 13:25
Uma coisa é inegável: o cara é realmente um fã do Spielberg, pois fez uma salada e tanto com "Jurassic Park", "Jaws", "Indiana Jones", "Gremlins". Pena que ele também é fã de Alien e Predator, mas tudo bem.


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