A semente de Polanski!
Provavelmente quem desconhecerá qualquer pormenor sobre a obra em si, poderá equivocadamente julgar, tendo em conta a primeira sequência, estar perante de uma comédia sob toques reconhecíveis da escola de Sundance. Mas algo transforma-se e num ápice vemo-nos envolvidos numa rampa decrescente à trépida relação do casal protagonista. Inspirado no livro de Marco Franzoso, Hungry Hearts, de Saverio Costanzo (La Solitudine Dei Numeri Primi), é a história de um jovem casal que assume a responsabilidade paternal no preciso momento em que a "cegonha bate à porta". E é então, nesse determinado instante que a vida dos inicialmente felizes, Mina (Alba Rohrwacher) e Jude (Adam Driver), drasticamente altera para contornos bizarramente dementes. Ela, encarando o seu filho como um divino ser de outra dimensão, tenta purificar a sua estadia neste Mundo e ele protegendo o seu rebento da sua própria progenitora.
É certo que Hungry Hearts, uma produção italiana maioritariamente falada em inglês, tem muito a dever ao suspense de Roman Polanski, nomeadamente o psicológico de Rosemary's Baby com Rohrwacher a comportar-se como uma nova Mia Farrow. O peso desse incutido terror psicológica começa a sentir gradualmente na narrativa, nomeadamente a câmara de Costanzo é embebida por essa dimensionalidade, e nós, espectadores, testemunhamos esse fruto e os efeitos da mesma. Quanto ao elenco, se Adam Driver consegue o apelo, é em Alba Rohrwacher que concentra como o catalisador de toda a teia de suspense ditada por Costanzo. Mais de que uma musa "polanskiana", a actriz vencedora de um respectivo Prémio no último Festival de Veneza, demonstra-nos uma frieza arrepiante na pele de uma psicótica mãe à deriva de um tremendo vórtice.
Hungry Hearts induz-se nesses desempenhos, fortes e de certa maneira bastardos , e de uma atmosférica claustrofobia que apenas adensa no último terço, onde o ritmo parece render-se a uma eventual elipse com claras premonições para com o twist. Apesar deste último ser demasiado repentino e insípido, opera sob uma razoável satisfação. Entenda-se que o filme de Costanzo tinha iminente horizontes a atingir, contudo, o resultado fica-se por um ensaio de suspense construído de forma sombria, mas ritmada a pouco vapor. Sobra então o efeito conseguido desde então e os desempenhos de "cortar a faca", nomeadamente, Alba Rohrwacher a alcançar um dos seus personagens mais singulares, provavelmente mencionada em futuras galerias de mulheres psicopatas do Cinema.
Filme visualizado na 8ª edição do 8 1/2 Festa do Cinema Italiano
Real.: Saverio Costanzo / Int.: Adam Driver, Alba Rohrwacher, Roberta Maxwell
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