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24.5.14
24.5.14

Gojira desfila em Hollywood!

 

A tentativa de "americanizar" o nipónico Gojira, internacionalmente intitulado Godzilla, já vem desde há muito, mais precisamente nos anos 80 com o realizador Steve Miner (Lake Placid, Friday the 13th Part II) anexado a um projecto com permissão dos estúdios Toho (detentores dos direitos da fasquia). Todavia a ideia perdeu e os ditos direitos de popular monstro japonês (kaiju) "morreram" em 1983, até serem reavivados em meados de 90, com Roland Emmerich, saído do êxito mundial de Independence Day, apontado como o homem ideal para concretizar tal imigração. Reza a historia que Emmerich só queria fazer um filmes sobre asteróides e meteoritos, mas que foi tentado com a potencialidade comercial de um objecto com nome definido dos mercados cinematográficos internacionais.

 

 

Após a luz verde de Toho, Emmerich em conjunto com Dean Devlin escrevem o argumento e Patrick Tatopoulos aufere um novo visual à criatura. Como a sequela de Jurassic Park, The Lost World de Spielberg, batia recordes de bilheteira, o novo Godzilla tornou-se assim num animal de contornos pré-históricos, um lagarto radioactivo com mais semelhanças aos colossais repteis extintos do que propriamente ao bípede erecto do legado original. Assim sendo, Toho não aprovou totalmente o "desenho" mas deu carta branca aos estúdios da Sony para levarem a avante a sua própria versão. Neste caso, poderíamos ser piegas ao ponto de insinuar que sem a devida bênção, Godzilla de Emmerich automaticamente teve tudo para falhar (e falhou), mas o que está em causa não é a fidelidade à matéria-prima, mas sim a própria visão de espectáculo hollywoodesco que o realizador contrai neste distorcido "mal-entendido", uma incursão pueril e inócua de uma metáfora fílmica e nacionalista.

 

 

Há mais aspirações que inspirações aqui, Godzilla funciona como um filme regido nos códigos do blockbuster integral, minado de lugares-comuns e estereótipos generalizados de uma Hollywood ainda antes dos ataques de 11 de Setembro, por isso não esperem nada de abrangente às fragilidades da segurança dos EUA. Contudo, Godzilla foge das influências "trash" e do muito série z do legado da matéria-prima (e também de Independence Day) e se auto-promove na seriedade do seu enredo, pausando pelo humor corriqueiro e superficial. Ou seja, tudo aqui exposto é mais do mesmo no que se refere ao suco concentrado de Hollywood, em consequência disso e talvez usufruindo da expressão popular - Emmerich compôs um filme que se vê e esquece no momento a seguir. Eis um gigante desajeitado não só em termos físicos, mas narrativos, ofuscando as personagens e as suas tramas o qual a produção teima em desenvolver, mesmo face à anorexia da sua exploração.

 

 

Por fim, uma reviravolta triste e fermentada no "déjà vu" (como já havia dito, este Godzilla tenta ser mais dinossauro de Spielberg que monstro de Toho) que para todos os efeitos arrasta o óbvio em sofrimento na previsibilidade. Nada surpreende aqui, é efeitos visuais e sonoros ao servido de uma produção munida por um elenco chamativo que por sua vez é movido por boa vontade … e pelo cheque (Matthew Broderick, Hank Azaria e Jean Reno em modo Jean Reno). Um filme "maldito" cujas sequelas foram avassaladoras para o próprio realizador - o projecto dos seus sonhos gerou nesse mesmo ano dois filmes, ambos grandes sucessos (Deep Impact, Armageddon) e adivinhem? Nenhum deles foi realizado pelo próprio Emmerich. Resumidamente, Godzilla é um entretenimento pipoca obsoleto, até mesmo no ano em que foi concretizado, apostado como um valia visual e técnica, mas desacreditado como … fruto de Cinema.

 

 

Porém, o filme de Emmerich guarda um pormenor deveras curioso, a referência satírica aos críticos Roger Ebert, retratado como mayor de Nova Iorque (Michael Lerner) e a sua campanha "thumbs up", e Gene Siskel. O rancor de Emmerich às criticas negativas dadas aos seus filmes anteriores. Por fim, como "happy ending" a esta versão americanizada e "formatada", os estúdios Toho o assumiram como um filme aparte da mitologia Godzilla e até retiram-lhe o "God" do nome, ficando apenas Zilla, sendo que mais tarde tal modelo serviu para empregar um dos muitos inimigos do "monstro" original em Godzilla: Final Wars de Ryûhei Kitamura (2004). Marginalizado para a vida!

 

"He's not some monster trying to evade you. He's just an animal. If you find what he wants, then he'll come to you."

 

Real.: Roland Emmerich / Int.: Matthew Broderick, Jean Reno, Maria Pitillo, Hank Azaria, Kevin Dunn, Michael Lerner, Harry Shearer, Arabella Field, Vicki Lewis, Doug Savant

 

 

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Gojira (1954)

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:42
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