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10.12.16

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Para muitos um documentário, para Catarina Mourão foi o embarque de uma demanda à descoberta das suas raízes, a procura por aquele homem que se figurava no álbum de família e que todos apontavam como seu avô. A Toca do Lobo, mais do que um registo pessoal da herança, é uma viagem por um Portugal cada vez mais distante, reduzido às memórias e aos "mitos" que alimentam essa "Fantasia Lusitana". A realizadora falou com o Cinematograficamente Falando … no âmbito do lançamento em DVD deste documentário que nos remete sobretudo a nós próprios.

 

Em que preciso momento apercebeu-se da urgência de registar esta sua investigação?

 

Foi, sem dúvida, a partir do momento em que vi um arquivo da RTP com o meu avô, em que ele mostra uma estranha colecção que diz querer oferecer a uma futura neta imaginada de nome Catarina. Eu nunca conheci o meu avô e quando esse programa foi filmado eu nem sequer existia. Achei que esse filme era um pedido dele para eu fazer este filme.

 

Em a Toca do Lobo, ao aproximar-se da história do seu avô, mapeia um Portugal de outros tempos, um país diferente, quer de costumes e mentalidades, assim como politicamente e socialmente. Como encara este "país" que Tomás de Figueiredo vivia?

 

Uso as palavras da minha mãe “Era um país fechado num colete de forças” cheio de regras, tabus e proibidos.

 

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"Se aquilo que não sabemos fosse medido a quilómetros". Estaria disposta a recontinuar extensivamente esta mesma sua jornada ao encontro do passado da sua família?

 

Sim, há muitas pontas soltas e histórias para descobrir. Inevitavelmente hei-de voltar a esta aventura.

 

Desde a produção até à estreia do filme em sala, conseguiu, por fim, entrar na habitação de Casares?

 

Ainda não consegui. Talvez um dia. E quem sabe farei outro filme.

 

Em relação à construção deste documentário, e visto o tema ser pessoal, como foi pensá-lo e moldá-lo de forma a ser emocionalmente perceptível para um vasto público?

 

É uma tarefa de constante aproximação e recuo, como diz um amigo meu é tudo uma questão de distância focal.

 

O que pode dizer sobre novos projectos?

 

Apenas posso dizer que iremos para a praia, a preto e branco e a cores, a praia do século XX.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:42
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