Data
Título
Take
4.12.14

Exodus - Deuses e Reis.jpg

De volta ao Mar Vermelho!

 

*aviso esta crítica contém pequenos spoilers

 

Antes de Exodus estrear, Ridley Scott revelou à imprensa o porquê da escolha do casting deste épico bíblico ter caído sobre actores brancos, segundo este, um elenco recheado por egípcios resultaria numa negação pelos grandes estúdios e obviamente um fracasso de bilheteira. Para dizer a verdade isto é uma polémica inofensiva, cuja sua importância apenas evidencia o evidente - vivemos num mundo cada vez mais politicamente correcto. Se não fossem estas declarações terem visto a luz do dia, obviamente a esta altura do campeonato se poderia estar a referenciar Exodus como um tributo aos grandes clássicos de Hollywood, nomeadamente o legado de Cecil B. Demile e o respectivo The Ten Commandments, com o actor Charlton Herston a desempenhar Moisés.

 

video-undefined-1F7F220C00000578-357_636x358.jpg

 

Mas sem querer negar o seu fulgor épico, tratando-se do filme de Ridley Scott que mais salienta essa vertente desde o seu bem-sucedido Gladiador, Exodus está mais próximo de Noah de Aronofsky, do que as grandes produções da idade do ouro da industria norte-americano. Mas enquanto Darren Aronofsky era mais espontâneo na sua provocação e visão da história bíblica, Scott recorre à subtileza para concretizar um filme direcionado a crentes mas que ao mesmo tempo questiona e fomenta, porém essas ideologias são visíveis a quem conseguir procura-las. E continuando a comparação, ambos são filmes que representam uma imagem de Deus oposta a da doutrina cristã católica actual, aliás esta é uma entidade divina fiel às escrituras da Bíblia, ou seja menos misericordioso, negro e descrente na Humanidade.

 

Latest-2014-Movie-Exodus-Gods-and-Kings-Images.jpg

 

No caso de Exodus, talvez a grande provocação deste, é o facto de Deus surgir a Moisés sob a forma de uma criança (obviamente declarando, apesar contraditório com as acções deste, várias vezes como um mero mensageiro para não ferir susceptibilidades). Esta forma física atribuída serve não só para criar um contacto visível entre o “rei dos hebreus” e o seu mentor, mas para figurar a metáfora "God is a mean kid with an ant farm and magnifying lense (Deus é uma criança endiabrada com uma quinta de formigas e uma lupa), tendo em conta que esta é a história das pragas bíblicas e das milhares almas chacinadas por estas.

 

exodus_01-plague-battles-and-big-waves-in-first-ex

 

"Qual é o tipo de pessoa que venera um Deus assassino de crianças?" questiona Joel Edgerton como Ramsés, o rival de Moisés, após ver o seu primogénito morto sob a ira de Deus. São frases ou imagens como estas que demonstram uma tendência de produção para os lados de Hollywood, filmes bíblicos que questionam a sua maneira de ser, Ridley Scott não fugiu à regra, mas o seu ensaio cinematográficos dá um a zero ao Darren Aronofsky. Porque simplesmente o realizador soube dizer as palavras certas nos momentos certos e protegendo-se ao esconder-se por entre as escrituras que serviram de base o argumento da obra.   

 

Exodus-Gods-and-Kings.png

 

Agora como produção, Scott tem em mão algo grandioso em termos de quantidade, o espectáculo hollywoodesco que não envergonha a já longa História cinematográfica. De um visual perfeito, uma recolha irrecusável de material cénico, a banda sonora previsivelmente épica de Alberto Iglesias (The Constant Gardener) e os actores, mesmo que decorativos como foi o caso da desperdiçada Sigourney Weaver (detentora apenas de duas ou três frases em duas horas e meia de filme), e nem sequer refiro Aaron Paul, concentram-se em articular um homéreo filme, cuidadoso e ocasionalmente emocionante. Para além disso, Christian Bale funciona como um Moisés radical e obviamente afastado do classicismo imposto por Charlton Herston. Longe de se tornar um clássico ou na melhor desculpa de Ridley Scott pelo seu The Counselor, Exodus: Gods and Kings, é um filme algo nostálgico em termos produtivos e mesmo construído sob uma linguagem quase classicista e remota, estamos perante num subtileza moderna e provocante.

 

"Remember this. I am prepared to fight. For eternity."

 

Real.: Ridley Scott / Int.: Christian Bale, Joel Edgerton, Aaron Paul, Ben Kingsley, John Turturro, Sigourney Weaver, Golshifteh Farahani

 

exodus-gods-kings-cast.jpg

 

Ver também

Noah (2014)

 

6/10

publicado por Hugo Gomes às 19:03
link do post | comentar | partilhar

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Insyriated (2017)

Trailer: The Equalizer 2,...

Cannes: Terry Gilliam, Vo...

Brevemente ...

Arranca o ciclo «O que é ...

Quinzena dos Realizadores...

Morreu R. Lee Ermey, o sa...

Ed Sheeran em filme de Da...

Humores Artificiais vence...

Morreu VIttorio Taviani, ...

últ. comentários
Tomb Raider: 4*Este é um blockbuster bem conseguid...
Mas, sendo este caso Woody Allen já tão antigo, po...
Filme muito bom. Um tratado de sociologia/psicolog...
Notícia triste, mais um talento do qual nos desped...
Ridículo. Não são os únicos posters desta "naturez...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
SAPO Blogs