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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Entre Mágicos e Ladrões!

Hugo Gomes, 17.09.14

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The more you look, the less you see.

O francês Louis Leterrier revelou recentemente que a sua passagem por terras americanas não tem sido muito feliz em termos profissionais. Descontente com o resultado final do seu Hulk e da reimaginação tecnológica “Clash of the Titans”, o qual o realizador culpa a pressão dos estúdios e as complicações do argumento, o anterior “afilhado” de Luc Besson decide vergar por um cinema mais modesto e menos colossal em termos orçamentais, porém sem fugas possível ao mainstream norte-americano (está-lhe no sangue!). “Now You See Me” é um misto de cinema de golpe à lá “Ocean’s Eleven com um show de David Copperfield, a história de quatro ilusionistas de elite tido como principais suspeitos de um roubo a um grande banco francês, contudo, o quarteto tem como álibi um espectáculo em Las Vegas visto por milhares de pessoas.

Muitos truques de magia na manga e eventuais malhas de ilusão são os tópicos de interesse de uma fita que se resume a uma autêntica farsa. Tendo como título traduzido de “Mestres da Ilusão”, este é um filme em modo 200 à hora onde a suposta “magia” do argumento dissipa-se perante as artimanhas mais baratas do cinema comercial, onde parecia ser um ensaio de estilo erguido com astúcia automaticamente cede a um conjunto de perseguições, tiroteios e acção à moda de um trivial policial norte-americano. Depois de terminada a trama, “Now You See Me” ainda possui o descaramento para justificar tudo e todos através de reviravoltas, algumas necessárias outras não, dando uma sensação de um final “fake”, como se a experiência se resumisse a um simples truque de ilusionismo. É que até certo ponto, uma obra que supostamente poderia vingar pela imprevisibilidade torna-se o oposto, apenas disfarçado pelo facto de Louis Leterrier ser, de facto, dos maiores ilusionistas aqui.

Por fim o elenco, um articulado de luxo, e que são meramentes ‘fogo de vista’, correspondendo aos seus personagens-tipos desassociáveis. Só que no meio disto tudo são eles que acabam por ser vítimas desta imensa “vigarice”. Desequilibrado, desperdiçado e banal (a realização de Louis Leterrier é idêntico a um esticado videoclipe), “Now You See Me” é pura metáfora de Hollywood: um puro espectáculo de brilho e truques, onde a fórmula se converte numa verdadeira ilusão, por outras palavras – desilusão.