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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Em anos felizes!

Hugo Gomes, 18.04.14

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Desde os tempos da Grécia Antiga que se ouvem histórias edipianas sobre filhos que matavam os seus país para poderem amar "a solo" as suas mães. Estes gestos macabros a sangue frio, revelavam uma certa psicologia freudiana em que nos remetia à primeira paixão de qualquer homem, a sua mãe. Amor materno por vezes conduz a loucuras, ciúmes obsessivos, entre outros, mas no outro lado da moeda, às mais delicadas cartas de amor, e uma delas é Anni Felici, uma autobiografia de Danielle Luchetti, em que próprio associa a sua paixão pelo cinema com a descobertas dos afectos para com a sua mãe. E é talvez sob esse modelo de declaração amorosa que a obra acentua um grau de sensibilidade elevada.

Um realizador como Luchetti habituado em retratar laços familiares no cinema, não tem medo de sujar as suas mãos no que requer a expor a vida privada e a relação por vezes complicada com o seu marido na tela, ao mesmo tempo que branqueia e dignifica a mesma. Em Anni Felici são muitos os elementos que povoam a narrativa: adultério, homossexualidade, descobertas a foro íntimo, amores estivais, separação, contudo tudo é induzido numa arte performativa que em simultâneo conjuga com a poesia visual. Este é um filme que Danielle Luchetti prova uma vez mais que não sabe fazer telenovela ou tragédia grega, mas sim requisitar fragmentos memoriais e inseri-los numa narrativa calorosa e terna.

Depois disso tudo é um conjunto de actores que possui o cargo de preencher tais memórias, com Kim Rossi Stuart e Micaela Ramazzotti a compor um dos romances mais conturbados e ao mesmo tempo carnais dos últimos anos no cinema.