Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Doutor Estranho Amor e a Loucura controlada

Hugo Gomes, 03.05.22

doctor-strange-in-the-multiverse-of-madness-movie-

O regresso de Sam Raimi ao terreno do cinema de super-heróis (“Darkman”, a trilogia de “Spider-Man”) é o pretexto, mais que suficiente, para respondermos com expectativa a mais um capítulo de um universo montado e pensado ao milímetro. Contudo, mesmo com os seus elementos presentes ao virar-da-esquina (a conotação mais negra e a rédea mais estendida às estâncias do terror e da série B), é a sua convivência com um guião preguiçoso e uma produção megalómana e glutona (tal como “Spider-Man 3” é de notar dois e diferentes filmes em conflito na sua cerne) que não fundamentam milagre algum. “Doctor Strange in the Multiverse of Madness” é aquilo que os fãs desta saga (palavra caída em desuso após a dominância do termo “universo partilhado”) pretendem, nada a desapontar por estas bandas (ou dimensões) para esse público-alvo, excepto a falta de carinho pelas personagens, nomeadamente aquelas retornadas em forma de cameo (mal habituados à nostalgia honrosa e por vezes ternurenta de “Spider-Man: No Way Home”) e pela cedência fácil aos mandamentos mais que entranhados de uma “casa” como a Disney. Aliás, por mais que tentássemos encontrar espessura neste festim de CGI, o que deparamos é inconsequência como um tramado reino moral. Confesso-vos, esperava sentir uma vibe aqui, e senti até aos últimos cartuchos uma esperança de reconquistá-la … pois, em vão. No fim de contas, Elizabeth Olsen torna-se definitivamente o melhor e igualmente o pior desta “Loucura” de nome, porque é nela que se reflete mais Raimi e ao mesmo tempo o síndrome da utopia disnesca.