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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Da Palestina, com amor e poesia ... agora, nas salas!

Hugo Gomes, 03.07.20

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Para quem diz (ou persiste) que não há filme "novos" para colocar nas nossas salas de cinemas neste pós-confinamento, basta meter os olhos nas estreias desta semana.
 
Não é coincidência que dois dos grandes filmes do ano chegaram às nossas (poucas) salas. A começar pelas crónicas de um palestino por esse mundo fora, It Must Be Heaven, a quarta longa-metragem de Elia Suleiman, condecorado com uma Menção Especial na última edição o Festival de Cannes (sim, a de 2019):
 
"Com “It Must Be Heaven” (Paraíso, Provavelmente), centramo-nos, até à data, no seu filme mais frustrado, aquele que parece perder todas as esperanças por qualquer intervenção divina, até porque, segundo Suleiman, num encontro em Cannes, a possibilidade de uma utopia entre os dois estados é a mais longínqua fantasia; uma luta para sonhadores que renega o passado tumultuoso da sua coexistência. Assim, partindo no óbvio que nada pode mudar, resta reencontrar o seu espaço no Mundo. O que resta ao palestino nesta geografia? E é então, que o silêncio ativista de duas décadas rompe perante uma resposta, um “statment” que Suleiman não quer deixar emudecido. Há que dizer a tudo e a todos que é o palestiniano antes que a sua identidade se desvaneça em anexos." ler crítica completa no C7nema.
 

"Nunca falei nos meus filmes, até então, pelo que achei que seria uma mudança interessante e inesperada aqui. Como dizes, uso a posse da palavra para mencionar “ Nazaré” e “palestino”, que em certa parte é como não dissesse rigorosamente nada. Não gosto de trabalhar com diálogos, nem sequer monólogos, nos meus filmes. Por um lado é menos trabalho que tenho na conceção destes, mas acima de tudo é porque prefiro centrar-me nas imagens, emoções, e através disso elaboro um diálogo metodológico. Por norma, confundimos linguagem com informação, o que não é verdade. Podemos encher-nos de palavras e dizer rigorosamente nada, e essa presunção leva-nos a minimizar o poder das imagens. Com isto, o que pretendo é construir uma narrativa fílmica com base nessas e não dependente das palavras." segundo Elia Suleiman, na entrevista dada ao C7nema.

E para terminar na angustia de um homem em elevar-se a escritor na (muito) livre adaptação do livro de Jack London, Martin Eden, de Pietro Marcello (e não esquecer a dedicação de corpo e alma do ator Luca Marinelli):
 

"Martin Eden” é, para todos os efeitos, um filme de coração-artista: tumultuoso e inquietante numa sufocante ânsia em criar a todo o custo. É assim a personagem (figura refém do desempenho anárquico e igualmente magistral de Luca Marinelli), é assim a obra que busca livremente os sopros do homónimo trabalho literário de Jack London (de cariz autobiográfico) para proclamarem como seus numa Itália abstrata e enevoada quanto à perceção de século XX." ler crítica completa no Cinema 7ªArte.

 
Pois é, dá gosto ver obras como estas a marcarem presença nos nossos espaços. Ficam as sugestões.