Cinema português sempre com uma corda ao pescoço

As causas! Há sempre um apuramento de causas quando se fala do cinema português e das suas bilheteiras. Normalmente, como já vi nos enésimos Encontros promovidos pela NOS (aqueles debates após a corrente de pitchings são para mim traumas de guerra), a culpa recai sempre sobre os filmes. Os espectadores, esses, passam incólumes pelos pingos da chuva, mesmo quando carregam o preconceito ao colo disfarçado de "exigência". Enquanto isso, gastam alegremente os seus euros para assistir a algumas das maiores 'porcarias' saídas de Hollywood.
Como Botelho dizia num livro da autoria de João Mário Grilo ("O Cinema da Não-Ilusão"), e tal ficou-me — "patetice por patetice, mais vale os americanos, que são patetas grandes". Há uns dias, um colega meu, ao ter conhecimento que fui o único a ver e a escrever sobre "Os Infanticidas", de Manuel Pureza, alertou-me para a “bilheteira miserável” que o filme tinha angariado. Fui confirmar nos dados do ICA e até à data, sublinha-se, apenas 70 espectadores viram-no numa sala de cinema. Este desabafo não é sobre qualidade ou quantidade, mas sobre a estratégia, principalmente da NOS em "promover" o cinema nacional que distribui que desde os tempos de COVID naquele infame comboio de estreias a despachar, não resulta e torna-se altamente desrespeitoso para com a obra em si. E sobre os seus artesãos, convencidos de que grandes distribuições os irão alavancar ... apenas puro engodo.
Deixo, portanto, um conselho direto (mas em vão, sou um simples crítico contra uma máquina oleado e conformistas) a produtores, realizadores e outros profissionais para procurar outras e mais pequenas distribuidoras, muitas vezes compromentem-se com um trabalho de promoção e de boca-a-boca bem mais eficaz, e talvez direcionem os vossos projetos para públicos que fogem ao banalíssimo na sua sua fronte de vida enquanto espectador de Cinema, e manifestam maior proximidade com o projeto. Fica a dica para quem não a quer; produtores, realizadores e outros, procurem outros parceiros ... já que o público e as suas certezas são mais difíceis de mudar.







