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8.11.18
8.11.18

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Carga fora!

 

Esperamos ouvir falar futuramente mais do estreante Bruno Gascon, até porque em Carga existe uma garra, um amor à técnica visual e sonora e sobretudo a aptidão para construir um espetáculo de cinema, sublinhando, em recurso português. Porém, é neste mesmo primeiro trabalho que é revelada a sua grande fraqueza, a dependência para com o tema, e não só, pelo “suco” extraído do mesmo, sob um tom pedagógico e meramente descritivo.

 

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Da mente deste vosso escriba surge automaticamente Traffic (2000), de forma a especificar como uma temática (no caso da obra de Steven Soderbergh a “patologia humana” era o narcotráfico) é encarada como combustão para um desfragmentado filme-mosaico (pelo menos a proposta é tentada). Gascon entra nas redes de tráfico humano para se lançar na deriva do “choque” atmosférico, em prol de uma fotografia esgalhada por parte de Jp Caldeano, ou de uma técnica por vezes subtil e com rasgos de primor (a destacar o plano-sequência do suicídio).

 

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Mas é nesse mesmo “cast away” que o jovem realizador se perde, as personagens são esquemáticas servindo como protótipos de “exemplos dados às criancinhas”, a banda sonora marca uma omnipresença alarmante e todo o enredo remexe em habituais cantos do senso comum do espectador referente à abordagem. Por cada prova de ambição, Carga se escurece nos modelos mainstream e na demasiada sobreliterarização do panfleto, enquanto que o elenco ou cai na mouche (Michalina Olszanska, Duarte Grilo e Miguel Borges) ou persistes nos personagens-tipos do nosso universo cinematográfico (Vítor Norte, Rita Blanco, Dmitry Bogomolov). 

 

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Assim, direto e a frio, escusamos de torturar-nos com experiências - Portugal não tem uma indústria cinematográfica – mas se futuramente existir qualquer indicio do mesmo, possivelmente encontraremos mais dessa tendência em maçaricos como Justin Amorim (Leviano) ou em Bruno Gascon, do que em “veteranos” deste jogo como Leonel Vieira. Esperemos que sim, não cedendo às “palmadinhas nas costas” e às aclamações de um “bom trabalho”, mas o de “vamos estar atentos”. Carga falha, porém, que venham mais falhas como estas no nosso panorama.

 

Real.: Bruno Gascon / Int.: Michalina Olszanska, Duarte Grilo, Miguel Borges, Vítor Norte, Rita Blanco, Dmitry Bogomolov, Sara Sampaio, Ana Cristina de Oliveira

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 16:51
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30 comentários:
De Rui Pedro a 9 de Novembro de 2018 às 03:15
Mas quem é o Director de Fotografia? Não estava nos créditos!!


De Patricia Reis a 9 de Novembro de 2018 às 03:22
O Director de Fotografia chama-se JP Caldeano e é português. Aparece nos créditos no final, mas o nome não aparece no cartaz, também não entendo porquê.
O normal é virem os chefes de cada departamento no billing board do cartaz.


De Rui Pedro a 9 de Novembro de 2018 às 03:26
Mas nos créditos também não aparece onde está normalmente!!
Curti bué a iluminação e as cores, acho que foi o que me fez querer ir ver o filme, e o homem não tem crédito pelo trabalho que fez?
Nem no cartaz???
WTF???


De Patricia Reis a 9 de Novembro de 2018 às 03:30
Realmente os planos estavam muito bons e a iluminação deu um força enorme ao filme. Sinceramente acho que a fotografia ajudou muito neste filme. Os tons escuros e sujos, ele fez um óptimo trabalho.


De Rui Pedro a 9 de Novembro de 2018 às 03:33
Sem dúvida... este mesmo filme nas mãos de outro director de fotografia qualquer ia ficar no minimo secante.
O gajo deu-lhe bué mesmo. Eu estudo cinema e não conhecia o trabalho desse JP Caldeano, mas vou pesquisar e ver se há alguma coisa na net com o trabalho dele.
Obrigado Patricia


De Patricia Reis a 9 de Novembro de 2018 às 03:35
Sei que ele tem instagram, porque estava identificado num post do filme...
Instagram: @JPDOP
Mais também não sei mas talvez haja info no IMDB.


De Paulo Oliveira Vaz a 9 de Novembro de 2018 às 03:39
Ele tem site e tem um IMDB muita marado... acho que é o mesmo JP porque só aparece um Caldeano.
Meti JP Caldeano no google e aparecem logo imensas páginas, vimeo, pagina web, facebook e outras. Só vi o site e o IMDB.


De Paulo Oliveira Vaz a 9 de Novembro de 2018 às 03:41
É Este o IMDB do JP Caldeano
https://www.imdb.com/name/nm4266663/


De Rui Pedro a 9 de Novembro de 2018 às 04:21
Fogo, não pode ser. Esse JP Caldeano é mesmo tuga?
Ele tem cenas bué TOP no IMDB. De onde apareceu este mano?
Nunca ouvi falar desde DF. Eu vi logo que não era um qualquer que criava aquele look, Ganda Boss.
O gajo tem bué créditos em filmes TOP. Que Patrão...WTF???


De Ricardo a 9 de Novembro de 2018 às 10:27
Eu acho que você deveria olhar bem aqui em relação ao look do filme :

https://www.imdb.com/name/nm2642559/?ref_=nv_sr_1&fbclid=IwAR2udbq07zAdIYk_9w3sE4C2F_MKJRRM14LHA_aXl5zH8lpZl2Yx-XHh8Tg


De Paulo Oliveira Vaz a 9 de Novembro de 2018 às 15:14
Não menosprezando o colorista, que obviamente fez um bom trabalho, quem escolhe as cores/look normalmente é o Director de Fotografia em conjunto com o Director de Arte e o Realizador. Certo?
E para um colorista poder mexer na imagem, é necessário o Director de Fotografia ter providenciado uma imagem com informacão e detalhe para se poder trabalhar.
Na minha percepção o Director de Fotografia no final das filmagens junta-se com o colorista para corrigir e acertar o look, portanto é um trabalho conjunto. Estão os dois de parabéns assim como toda a equipa de jovens que conseguiu criar este filme independente.


De Veronique F. a 11 de Novembro de 2018 às 23:47
Neste caso o director de fotografia não teve qualquer trabalho na cor do filme. Aliás... O trabalho de cor foi desenvolvido pela SOS Color (Fred Fleureau) sobre orientação do realizador do filme que deu ao JP Caldeano a listagem dos planos que queria e definido a forma como queria a imagem, tendo mesmo em alguns casos sido ele a fazer os enquadramentos. A luz do filme foi feita por João Bessa e a edição por Maria Gonzalez como se pode ver no IMDB.
Por isso os créditos da imagem vão não só apenas para o DOP, mas para toda a equipa de iluminação, pós-produção e realizador.
Parabéns à equipa. Acompanhei de perto o processo e sem dúvida fizeram um grande trabalho.


De Paulo Oliveira Vaz a 8 de Dezembro de 2018 às 00:57
Desculpe mas isso não faz qualquer sentido...

Quando afirma "que o DF não teve qualquer trabalho na cor do filme" é no mínimo estranho, ou possivelmente o grading foi feito sem conhecimento do DF?... o que por si só é assustador e demonstra uma falta de respeito pelo trabalho do DF, quando este deveria ser o responsável pelo Grading e enquadramentos...

...e qualquer modificação por parte de outra pessoa qualquer pode trazer problemas á produtora, visto que ninguém deve modificar a imagem sem autorização do DF, que é o criador da mesma...

A Luz é sempre feita pelo Director de Fotografia... é esse o seu trabalho.

O trabalho do Gaffer não é fazer luz, mas sim colocar as luzes onde o Director de Fotografia pedir.

O filme está escuro demais, e pelo que escreveu, quase de certeza que não é culpa do DF, mas sim da pós-produção "sob orientação do realizador" como escreveu, quando devia ser sob orientação do DF. Enfim, não deixa de ser uma produção Portuguesa.


De Joana Fonseca a 9 de Novembro de 2018 às 17:29
Vi o filme ontem nos cinemas e adorei. Sendo filme português ia com algum receio que fosse fraco, mas a história é sobre um tema bastante importante e como mulher senti que o filme apoia as mulheres e retrata o problema do tráfico de seres humanos com sensibilidade.
Gostei imenso!


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Não percebi merda nenhuma do que escreveste, e olh...
Neste caso o director de fotografia não teve qualq...
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