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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Bifes (III) ...

Hugo Gomes, 19.02.25

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Descontados os levianos temores dos meus verdes anos (era o tempo em que se lia o Sadoul e o Armindo Blanco), nunca partilhei a admiração com que alguns dos meus colegas envolviam a obra de Manuel de Oliveira, nem nunca soube tirar dela qualquer humilde ensinamento. (...) Além do mais, e para simplificar, antipatizo consigo. Se quiser, é uma antipatia de classe, feroz e desdenhosa. Irremediável. Há ainda o seu inconcebível catolicismo de catequista que (diga-se) se traduz num humanismo bolorento e charlatão sempre que o senhor sacrifica o discurso cinematográfico a uma verborreia pseudo-literária para se dar ares de carpideira filosófica preocupada com os pecados do mundo.

João César Monteiro sobre Manoel de Oliveira, numa crítica ao seu “Passado e Presente” (1972), publicado no Diário de Lisboa [Suplemento Literário], 10 de março de 1972.