Bifes (III) ...

Descontados os levianos temores dos meus verdes anos (era o tempo em que se lia o Sadoul e o Armindo Blanco), nunca partilhei a admiração com que alguns dos meus colegas envolviam a obra de Manuel de Oliveira, nem nunca soube tirar dela qualquer humilde ensinamento. (...) Além do mais, e para simplificar, antipatizo consigo. Se quiser, é uma antipatia de classe, feroz e desdenhosa. Irremediável. Há ainda o seu inconcebível catolicismo de catequista que (diga-se) se traduz num humanismo bolorento e charlatão sempre que o senhor sacrifica o discurso cinematográfico a uma verborreia pseudo-literária para se dar ares de carpideira filosófica preocupada com os pecados do mundo.”
João César Monteiro sobre Manoel de Oliveira, numa crítica ao seu “Passado e Presente” (1972), publicado no Diário de Lisboa [Suplemento Literário], 10 de março de 1972.