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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Ao reencontro do lar!

Hugo Gomes, 07.03.15

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Vencedor do prémio "Dialogue en Perspective" no Festival de Berlim de 2014, “Anderswo” (“Noutro Lugar”) centra-se na história da jovem israelita Noa (Neta Riskin), uma estudante em Berlim que elabora um dicionário de palavras intraduzíveis como seu projeto de mestrado. Porém, a universidade não vê potencial no seu trabalho, negando-lhe assim o financiamento. Insatisfeita com o rumo da sua vida, especialmente porque a sua relação com o namorado alemão já conheceu melhores dias, Noa regressa à sua terra natal, Israel, para reencontrar a sua família e, provavelmente, encontrar um sentido para tudo o que está a viver.

Uma comédia dramática sobre costumes e choques culturais que se manifesta como uma subtil crítica à superação do conflito da Segunda Guerra Mundial, mostrando como duas nações o concretizaram. A obra de Esther Amrami expõe a atualidade de dois mundos, investidos em preconceitos, encaminhando-os para algo mais do que simples caricaturas, oferecendo um cenário pertinente de disputa. De certa forma comparável a uma “Gaiola Dourada” (“La cage dorée”) israelita ou até a “Namoro à Espanhola” (“Ocho Apellidos Vascos”), “Noutro Lugar” incute ocasionalmente um tom irónico e ácido, uma atitude jubilante perante o choque, mas é sobretudo um filme que se interliga pela sua mensagem, tentando "cobri-la" com a sua afeição familiar.

As interpretações fazem o resto, não desmerecendo nesta intriga resolvida por redenções e cedências, nomeadamente uma impagável e sarcástica Hana Laszlo, como mãe de Noa, e a própria Neta Riskin, que lidera através da expressividade. “Noutro Lugar” resulta parcialmente num aliciante filme intimista e pessoal. Contudo, essa intimidade, ao contrário do dicionário de palavras intraduzíveis de Noa, pode ser traduzida para uma linguagem universal. Em Portugal, até temos uma palavra ideal para tal: saudade.