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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Addio alle tue glorie, maestro ...

Hugo Gomes, 06.07.20

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O meu primeiro contacto com Ennio Morricone … mais precisamente com o trabalho, hoje legado, do maestro, aconteceu numa quinzena passada na aldeia das Antas, situado algures nas localidades de Fornos de Algodres (Guarda). Enquanto criança, longe das tentações citadinas entrei em modo de autopunição por um ano letivo vergonhoso, refugiando-me numa antiga coleção de VHS, maioritariamente composta por clássicos populares, portugueses da dinastia de Vasco Santana e António Silva e por alguns westerns spaghettis.

Recordo o dia … não exatamente o dia em questão, mas o sentimento que me atingiu após o longo e animado genérico de The Good, The Bad and the Ugly (O Bom, O Mau e o Vilão). Vibrei com aquela música, que se já era tida como parte irreconhecível da cultura popular, ainda mais na associação automática com o dito género western. Não deixei o filme continuar após o fim dos créditos iniciais, parei a fita, rebobinei e pressionei no “play” e repeti a sinfonia.

Fiquei maravilhado com aquela sonoridade, sem saber (o que viria a confirmar a alguns anos depois, após assumir-me cinéfilo) que aquela composição que marcou aquele meu verão “danado” tinha o dedo de Ennio Morricone. Este foi o meu primeiro “ricordo” com o seu mundo de acordes, sons e melodias … hoje, essa cornucópia musical silenciou-se.

(1928 - 2020)