A Fórmula para o grande ecrã!

Será que Joseph Kosinski se comprometeu a replicar o seu anterior feito em "Top Gun: Maverick"? O de tornar um cinema energético, elaborado na sua proeza e autenticidade enquanto espectáculo físico, como resposta à artificialidade em excesso da Hollywood que coabita? Talvez sim, mesmo que essa dita “continuidade” se faça por outros terrenos … ou melhor: no terreno, com pista adentro, na Fórmula 1, em mais um saque do "homem velho" que ainda aprende glórias.
Aqui, Brad Pitt é o Brad Pitt na sua persona cinematográfica: o fracassado que, quando surge a oportunidade, se entrega à corrida pelo universo que o abandonara anteriormente — a dita (e maldita) F1 — competindo com sangue novo, mas velhas glórias. Kosinski tem à sua disposição um argumento de A a B, com C como conclusão, não transgride quase nada, apenas percorre, oleosamente, a pista da narração. Mas o que torna este "F1", tal como a sequela de "Top Gun", numa experiência à parte, é essa quase sensação sensorial do espectáculo em sala. E isso, como se pode evidenciar, deve-se ao empenho perfeccionista em recriar essas corridas: com carros reais, sem truques, e com CGI no mínimo requeridos ao olho humano. Manobras simuladas que amplificam a perceção sensorial.
Um blockbuster que se remete à lógica do seu próprio formato: oferecer a extravagância daquilo que produções modestas não conseguem, e que a televisão jamais alcança. Nesse sentido, não fugiremos às equações, nem aos enólogos do storytelling que tudo reduzem a mero binarismo, nem sequer à compreensão do cinema enquanto motivador político (mesmo que por debaixo da sua camada de entretenimento rigoroso poderá escapar algumas mensagens subliminares destas brisas bafientas). Nada feito. "F1" é básico na sua concepção, mas, convenhamos, há que reconhecer o mérito de ser um projecto megalómano, um tanto narcisista (Brad Pitt é produtor e é protagonista), em pé de igualdade com o ecrã. O "make the big screen great again" (mesmo no cinismo de ser uma produção Apple TV). Sim, é com exemplos como "F1" que o cinema resiste enquanto exclusivo de sala. O resto são outros “esmiuçares”.
Falemos de cinema no seu registo mais polido, o engenho de Hollywood a aquecer a máquina das suas glórias … passadas, evidentes, só que na simplicidade da sua milionária estrutura. Como suplemento: o choque de adrenalina para o miolo.







