Data
Título
Take
2.6.14

Veneno e contra-veneno num só!

 

O Brasil tem uma longa tradição dramatúrgica e é evidente que o novo filme de Júlio Bressane (em cumplicidade com Rosa Dias) funciona como uma sociedade entre o Cinema e o Teatro, dois mundos distintos, mas unidos por similaridades (aliás existe algo de teatral na transfiguração do Cinema enquanto arte independente). Munido de uma longa carreira, o autor foi um dos braços fortes do "udigrudi" no cinema, um movimento underground que contagiou toda uma variedade de plataformas nos anos 70. Passadas décadas, a sua cinematografia afastou-se a passos largos das tendências predominantes da indústria brasileira, sendo que actualmente o seu cinema tem mais requinte artístico do que a veia realista e por vezes "arraçado" ao estilo vérité que parece ser a regra.

 

 

A Erva do Rato, a sua ultima obra a estrear em Portugal (e com uma estreia discriminada, por sinal), é uma autêntica metáfora filmada, a começar pelo título, uma planta venenosa cujo antídoto se encontra na sua raiz. Livremente inspirada nos contos A Causa Secreta e Um Esqueleto de Machado de Assis, conta uma história de obsessão, com influências de Brisseau e aborda a veia artística e a sensualidade sob o código das mesmas palavras. Um cinema tão artístico que tudo nele se rege por uma artificialidade indiscutível e que, em simultâneo, incute elementos do primitivismo. É o espírito animal, como elemento, que alude à irreverência ou à rebeldia emocional, imposto numa ratazana que parece manifestar-se por autonomia como uma personagem, mais do que mero símbolo poético, nesta obra que condensa o desejo com a rotina.

 

 

Alessandra Negrini e Selton Mello são os peões deste "palco" projectado por Júlio Bressane, envolvidos por um clima místico de evocação às artes negras, na subtileza deste ensaio que revigora o teatro, e não falamos apenas da extensa exposição da mise-en-scène, como raiz de uma cinematografia em constante metamorfose. A Erva do Rato, tal como a planta que presta tributo, é puro veneno em consolidação com a sua cura, a dualidade entre a simplicidade e a complexidade. A Arte como objecto de contemplação de beleza.

 

Real.: Júlio Bressane, Rosa Dias/ Int.: Selton Mello, Alessandra Negrini

 

 

8/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 20:04
link do post | comentar | partilhar

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Trailer de Godzilla: King...

First Man abrirá 75ª ediç...

Frankenstein, Freiras Mal...

Timothée Chalamet poderá ...

Começa o 26º Curtas Vila ...

Vem aí filme sobre a Viúv...

Morreu Laura Soveral, a a...

O retorno de Robocop já e...

First Reformed (2017)

Confirmado: Joaquim Phoen...

últ. comentários
Gritos 4: 5*Um filme que traz novas regras, novos ...
Bel Ami: 3*A meu ver é fiel ao livro, gostei do qu...
Gritos 3: 5*Que filme excelente e fenomenal, adore...
Um dos meus favoritos 5*
Gritos 2: 5*Sidney, Dewey e Gale estão de regresso...
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
25 comentários
20 comentários
13 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
SAPO Blogs