Data
Título
Take
21.4.18

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Quem lida comigo conhece perfeitamente os meus sentimentos em relação à obra de Philippe Garrell, nomeadamente à ultima fase (ainda a decorrer). Contudo, ao rever o Le Coeur Fantôme (O Coração Fantasma) deparei ainda mais com o porquê dessa “repudia” aos seus últimos trabalhos.

 

Em Le Coeur Fantôme, Garrell filma expressões, as personagens tem, por fim, uma face a preencher a tela, e nela, sem o uso de qualquer palavra, comunicam emocionalmente com o espectador (o olhar de Luís Rego diz tudo e mais alguma coisa). Uma “mania” perdida com um Garrell que começou a filmar as relações de longe, ingenuamente de longe.

 

Mas o que mais me fascinou neste revisitar fantasmagórico foi o peito cheio de masculinidade, sem receio às “balas” apontadas. Sim, Le Coeur Fantôme é um filme masculino, e ao mesmo tempo um filme sensível sem tentar produzir faíscas de empatia com o género oposto. Fala-nos de amor e ao mesmo tempo interroga esses mesmos afetos. Porquê amamos? Será que amar tem prazo de validade? Ou, teremos a necessidade de amar?

 

Questões … e questões … questiono … intrigado, porém, questiono .

 

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publicado por Hugo Gomes às 16:09
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20.4.18

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Apesar de em 2013 ter anunciado o fim da sua carreira no Cinema, Steven Soderbergh continua imparável, tendo realizado duas longas-metragens (Logan Lucky e Unsane - este último apresentado no Festival de Berlim deste ano) e ainda o projeto de TV Mosaic. O realizador tomará agora de assalto o controverso tema dos Panama Papers (Os Papeis do Panamá).

 

Este seu novo projeto terá como base o livro do vencedor do Pulitzer Jake Bernstein - Secrecy World -o qual revela a história por trás do vazamento de documentos que implicavam diversas figuras públicas como Vladimir Putin, David Cameron, Jackie Chan e até Pedro Almodóvar. Ao todo foram divulgados 11,5 milhões de documentos confidenciais da autoria da sociedade de advogados Mossack Fonseca que fornecem informações detalhadas de milhares de empresas de paraísos fiscais offshore.

 

Steven Soderbergh irá produzir o filme em conjunto com Michael Sugar, Scott Burns, Lawrence Grey, existindo ainda uma forte possibilidade de realizá-lo. Scott Burns (Side Effects, The Bourne Ultimatum) estará por detrás do argumento.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:50
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19.4.18

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Era uma vez na Síria …

 

Assim como o anterior Clash, de Mohamed Diab (filme de abertura do Un Certain Regard do Festival de Cannes de 2016), Insyriated (Na Síria) usufrui do dispositivo de “filme de cerco” para concentrar as suas ações de ativismo político-social. No caso do anterior, a Primavera Árabe egípcia é marcada como bandeja de arquétipos ao serviço duma propaganda ingénua.

 

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Quanto à segunda longa-metragem de Philippe van Leeuw, o dito cerco opera como uma espécie de aquário, onde o contacto com o exterior carece de ferramentas de perceção. Assim sendo, continuando na retaguarda da comparação, enquanto Diab utiliza o exterior como um cenário politizado - o interior [dum carro-blindado] servia como catarse desse mesmo panorama - Na Síria, o exterior é tão ou mais confuso que o interior, visto que a situação local, o qual constata, continua como uma crise humanitária, mas acima de tudo uma crise informativa, ou desinformativa para ser mais exato. É um facto incontornável que a Síria é uma “trigger word” (palavra-gatilho) para qualquer leitor, não a poupando quanto aos seus julgamentos, conspirações e visões a esse desolado, distante e simultaneamente perto cenário. Em Na Síria, eticamente [o facto de não ser um sírio], não compete ao realizador (belga) julgar nem exercer a sua ótica (entramos assim com isto numa faca de dois gumes à deontologia do Cinema enquanto arte ou expressão).

 

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Mas retomando ao exercício,  o cerco - novamente enfatizando como um subgénero estiloso - funciona como chave na ignição para este mergulho ao dito “inferno” proclamado e invocado constantemente. E nisso joga-se, como grande parte deste template narrativo, na inserção de um macguffin (mais que um objeto, uma pessoa), por outras palavras, num corpo deixado à sua mercê, deambulado na dúvida quanto ao seu estado (vivo ou morto). Como peças dominó, consequentemente, chegamos a um segredo que o espectador partilha, sabendo que a revelação exata da mesma nos levaria a uma saída.

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As personagens jogam-se perante o exercício, são escravos do mesmo, mais do que o estatuto de “barricados da Guerra”, que lhes é atribuída. O exterior é o antagonista do exercício em si. Ele relembra-nos que circunstâncias estamos a evidenciar - o tal cerco. Porém, o apertado limite cénico apresenta diversos problemas que desintegram por completo toda esta fita. Primeiro, o espectador nunca tem a perceção do circuito das suas personagens. O filme nunca consegue recriar mentalmente o ambiente que temporariamente coabitam, a topografia do assoalhado que serve de prisão nunca atenta a nossa perceção, o que dificulta a credibilidade deste mesmo estado. Segundo, se a saída representa o fim da trama por si proposta, tal sugestão nunca se revela num árduo objetivo, até porque entramos num terceiro ato (novamente os terceiros atos!) onde somos espantados com a facilidade da resolução. Desesperante, dirão alguns, quando à rapidez da mesma, mas incoerente para com a sensibilidade arrecadada do espectador ao longo da narrativa.

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Assim, portanto, a intriga dissipa-se após a proposta, nunca descola, mesmo que os atores (para além dos profissionais, grande parte são refugiados sírios) abordem as suas personagens com enorme rigor e subjugação exemplar. No fim de contas, é um filme de cerco, sublinho, mais um na lista, consoante seja o seu cenário.

 

Real.: Philippe van Leeuw / Int.: Hiam Abbass, Diamand Bou Abboud, Juliette Navis, Mohsen Abbas

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5/10
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publicado por Hugo Gomes às 23:42
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Veremos novamente a dupla Antoine Fuqua e Denzel Washington em The Equalizer 2, a sequela do êxito de 2014 que contou com o ator na pele de um “homem habituado a resolver problemas” que volta ao ativo após deparar com um caso de violência e opressão.

 

Inspirado numa série de TV dos anos 80 (1985 – 1989), esta continuação conta com Pedro Pascal, Bill Pullman e Melissa Leo no elenco.

 

The Equalizer 2 tem estreia prevista para julho nos EUA.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:44
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Para além do novo filme de Lars Von Trier, The House that Jack Built, Cannes revelou mais títulos para a sua programação, entre os quais o badalado The Man who Killed Don Quixote, de Terry Gilliam, que se encontra sob disputa judicial quanto aos seus direitos de distribuição. O filme foi escolhido para encerrar o certame.

 

Quanto às outras adições, Un couteau dans le cœur (Knife + Heart) do francês Yann Gonzalez (tendo Vanessa Paradis como protagonista), Ayka do cazaque Sergey Dvortsevoy (realizador galardoado com o Prémio de Un Certain Regard por Tulpan) e o regresso do turco Nuri Bilge Ceylan (vencedor da Palma de Ouro em 2014) com Ahlat Agaci (The Wild Pear Tree) completam a Competição Oficial.

 

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Whitney, o documentário assinado por Kevin Macdonald (O Último Rei da Escócia), sobre a cantora mundialmente célebre Whitney Houston, será, em conjunto com Fahrenheit 451, a adaptação do livro de Ray Bradbury pelo canal HBO, serão as sessões da Meia-Noite.

 

Un Certain Regard também com novas adições, e bem lusófonas. Chuva e Cantoria Na Aldeia Dos Mortos, documentários do português João Salaviza e da brasileira Renée Nader Messora sobre o povo Krahô, um comunidade indígena vivente no centro do Brasil, junta-se à competição ao lado de Muere, Monstruo, Muere, do argentino Alejandro Fadel, e de Donbass, de Sergey Loznitsa, que abrirá a secção “Um Certo Olhar”.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:18
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18.4.18
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publicado por Hugo Gomes às 23:49
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A importância da preservação do património cinematográfico e os métodos de arquivamento serão novamente debatidos numa segunda edição do Laboratório do Ciclo de Encontros O que é O Arquivo? Depois da primeira edição em 2017, a Cinemateca Portuguesa volta a albergar esta rúbrica que se prolongará durante os próximos três dia (18 a 20 de abril), contando com mesas redondas, sessões de cinema e intervenções de ilustres convidados incluindo o teórico e professor do Pratt Institute, Jonathan Beller.

 

Tendo organização do Arquivo Municipal de Lisboa-Videoteca, em parceria com a Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, as sessões do O que é O Arquivo? serão gratuitas (com exceção da sessão de dia 18 de abril, às 21h30), composto cada uma por projeção de filmes seguida das intervenções de cineastas, investigadores, programadores e arquivistas. De forma a perpetuar o debate, no dia 19, será ainda lançado o livro O que é o arquivo? Laboratório 1: Arte / Arquivo.

 

Toda a programação do ciclo poderá ser vista aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:49
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17.4.18

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Longas-Metragens

Amin de Philippe Faucon (estreia mundial)

Carmen y Lola de Arantxa Echevarria (estreia mundial) – primeiro filme

Climax de Gaspar Noé (estreia mundial)

Cómprame un revólver ( Buy Me a Gun ) de Julio Hernández Cordón (estreia mundial)

Les Confins du monde de Guillaume Nicloux (estreia mundial)

El motoarrebatador ( The Snatch Thief ) de Agustín Toscano (estreia mundial)

En Liberté ! de Pierre Salvadori (estreia mundial)

Joueurs ( Treat Me Like Fire ) de Marie Monge (estreia mundial) – primeiro filme

Leave No Trace de Debra Granik première internationale

Los silencios de Beatriz Seigner (estreia mundial)

Ming wang xing shi ke ( The Pluto Moment ) de Ming Zhang (estreia mundial)

Mandy de Panos Cosmatos

Mirai ( Mirai ma petite sœur ) de Mamoru Hosoda (estreia mundial)

Le monde est à toi de Romain Gavras (estreia mundial)

Pájaros de verano ( Birds of Passage – Les Oiseaux de passage ) de Ciro Guerra & Cristina Gallego (estreia mundial) – filme de abertura

Petra de Jaime Rosales (estreia mundial)

Samouni Road de Stefano Savona (estreia mundial) – documentario

Teret ( The Load ) de Ognjen Glavonic (estreia mundial)

Troppa grazia de Gianni Zanasi (estreia mundial) – filme de encerramento

Weldi ( Dear Son – Mon cher enfant ) de Mohamed Ben Attia (estreia mundial)

 

Curtas-Metragens

Basses de Félix Imbert

Ce magnifique gâteau ! ( This Magnificient Cake ! ) de Emma De Swaef & Marc Roels

La Chanson ( The Song ) de Tiphaine Raffier

La lotta de Marco Bellocchio

Las cruces de Nicolas Boone

La Nuit des sacs plastiques ( The Night of the Plastic Bags ) de Gabriel Harel

O órfão ( The Orphan ) de Carolina Markowicz

Our Song to War de Juanita Onzaga – documentário

Skip Day de Patrick Bresnan & Ivette Lucas - documentário

Le Sujet ( The Subject ) de Patrick Bouchard

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:07
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16.4.18

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Morreu o ator R. Lee Ermey, conhecido pelo seu premiado desempenho em Full Metal Jacket (Nascido para Matar, 1987), de Stanley Kubrick. A notícia foi dada na sua conta de Twitter através do seu manager de longa data, Bill Rogin. Segundo o comunicado, Ermey terá falecido face a complicações respiratórias. Tinha 74 anos.

 

Nascido a 24 de março de 1944, Ronald Lee Ermey ficou marcado pelos seus papeis como militar, principalmente na pele do Sargento Hartman em Full Metal Jacket, que lhe valeu a nomeação ao Globo de Ouro. Ermey foi militar na vida real, tendo cumprindo carreira como sargento para U.S. Marine Corps e também como instrutor. No Cinema, fora a sua colaboração com Kubrick, é reconhecido pelos seus trabalhos em Se7en (Sete Pecados Mortais, 1995), de David Fincher, no remake de The Texas Chainsaw Massacre (O Massacre no Texas, 2003), por Marcus Nispel e ainda Mississippi Burning (Mississípi em Chamas, 1988) de Alan Parker.

 

R. Lee Erney (1944 - 2018)


publicado por Hugo Gomes às 01:43
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Segundo a The Daily Mail, o cantor Ed Sheeran encontra-se me negociações para participar no novo projeto do oscarizado realizador Danny Boyle (Slumdog Millionaire, Trainspotting) para a produtora The Working Title.

 

Para além de atuar, Sheeran poderá ter autoria em parte da banda-sonora do filme, que contará com argumento de Richard Curtis (Love Actually). O projeto será uma comédia musical que remete-nos a um homem que acorda naquilo que parece ser um dia normal como tantos outros, mas acaba por descobrir que é a única pessoa no Mundo que recorda das músicas dos The Beatles. Como é de evidenciar, tendo em conta a premissa, o filme será composto por músicas da famosa banda britânica.


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publicado por Hugo Gomes às 00:25
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15.4.18

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O mais recente trabalho de Gabriel Abrantes, Humores Artificiais, triunfou na Competição Nacional do 8º Festival Córtex, que ocorreu no Centro Olga do Cadaval, em Sintra, entre os dias 11 a 18 de abril. Segundo as palavras do júri: " um filme que se deseja que chegue ao grande público, através do seu carácter provocador e humor inusitado, constrói uma alegoria surpreendente sobre as várias formas de comunicação entre uma indígena e um robot.". Tudo o que Imagino, de Leonor Noivo, foi premiada com uma Menção Honrosa.

 

Composto pela atriz Beatriz Batarda, a realizadora Margarida Leitão, o realizador Sérgio Tréfaut, o programador do Festival Queer, João Ferreira, a dramaturga Cláudia Lucas Chéu e a programadora de curtas-metragens do Indielisboa, Ana David, o júri ainda elegeu o filme de animação polaco The Wizard of U.S., de Balbina Bruszewska, como o melhor da Competição Internacional. “Um filme arrojado e profundamente livre de diferentes dispositivos de animação”, assim descreveu o júri durante a entrega da distinção.

 

Já na secção Mini-Córtex, destinados a filmes para o público infantil, foi premiado a curta In a Heartbeat, filme norte-americano realizado por Esteban Bravo e Beth David. Enquanto isso, Surpresa, de Paulo Patrício, recebe o Prémio do Público.

 

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publicado por Hugo Gomes às 19:45
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Morreu Vittorio Taviani, cineasta que em conjunto com o seu irmão, Paolo, dirigiu alguns dos mais elogiados filmes da cinematografia italiana. Entre os seus trabalhos conta-se obras como Padre Padrone (1977), Fiorile (1993) e César Deve Morrer (2012), todos eles com uma incisiva questão social. Tinha 88 anos.

 

Nascido a 20 de setembro de 1929, em Toscana, Vittorio era o mais velho dos irmãos Taviani, tendo Paolo nascido dois anos depois. Ambos seguiram para a Universidade de Pisa, para estudar direito, acabando por abandonar devido a uma crescente paixão pelo Cinema. Segundo consta, foi ao ver Paisá (Libertação) de Roberto Rossellini, em 1946, que tal interesse pela Sétima Arte suscitou. Começaram por escrever e realizar algumas curtas e peças teatrais, até que em 1962, estrearam na televisão com Un uomo da bruciare, filme sobre a vida do jornalista e ativista político Salvatore Carnevale, assassinado na Sicília em 1955. A obra estreou no Festival de Veneza, tendo sido consagrado com o Prémio da Crítica.

 

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Um ano depois segue I fuorilegge del matrimonio, um docudrama sobre a lei do divórcio, o filme-mosaico I sovversivi (Os Subversivos, 1967), a adaptação de Tolstoy, San Michele aveva un gallo (São Miguel Tinha um Galo, 1972) e Allonsanfàn (Que Viva a Revolução, 1974) com Marcello Mastroianni. Em 1977 surge um dos seus grandes sucessos, Padre Padrone, inspirado na biografia de Gavino Ledda, a luta de um pai numa Sardenha profunda. O filme passou por Berlim, tendo vencido o Grande Prémio Interfilm, e em Cannes onde para além do Prémio FIPRESCI foi galardoado com a Palma de Ouro.

 

Em 1986, os irmãos foram laureados com o Leão de Ouro de Carreira, em Veneza. Ano seguinte, realizam Good morning Babilonia (Bom Dia, Babilónia), onde o ator português Joaquim de Almeida era um dos protagonistas. Em 2002 conquistariam o Urso de Ouro no Festival de Berlim com um do seus filmes mais aclamados, Cesare deve morire (César deve Morrer), onde um grupo de prisioneiros de um prisão de alta-segurança encenam a peça de Shakespeare, Julius César, por parte de prisioneiros. Maraviglioso Boccaccio (Maravilhoso Boccaccio, 2015) e Una Questione Privata (2017) foram os seus últimos trabalhos.

 

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VIttorio Taviani (1929 – 2018)

 


publicado por Hugo Gomes às 19:10
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Herói de Lys …

 

Soldado Milhões, a suposta cinebiografia de um consagrado herói da Primeira Guerra Mundial, o único praça raso condecorado com a Ordem Militar da Torre e Espada, é possivelmente o que de próximo temos das supostas propagandas militares vindas do nossos primos do lado do Oceano. Trata-se do novo “American Sniper”, respondendo com o signo do infame filme de Eastwood, mas dentro desse jogos de parecenças, Soldado Milhões está a meio caminho de se tornar num Flags of Our Fathers, o heroísmo e a sua desconstrução, assim como a utilização do mesmo em prol de uma imagem-propaganda, um enviusado embelezamento do conflito. Todavia, Milhões não possui a mesma densidade nem a plena coragem de desafiar os seus próprios parâmetros de patriotismo.

 

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Contado a dois tempos, “as medalhas pesam”, frase proclamada por Miguel Borges (o Milhões envelhecido e cansado) que serve como camaleónica interação com essa crítica sugerida mas nunca devolvida ao seu verdadeiro ser. E é porque nisto tudo existe um receio que facilmente se identifica como traição, assim dirão os seguidores das praticas idealistas de Salazar, Deus, Pátria e Família, trata-se do medo de encorajar a sua desmistificação, vá o retrato de mortais redigir-se à dissertação.

 

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Mas no entender, a união entre os dois espaços temporais, a Batalha do Lys (protagonizado por João Arrais), e no calor da Segunda Guerra em Trás-os-Montes (Miguel Borges é o anfitrião), faz-se através de uma grande lacuna, o espaço vazio a inserir que remeteria Soldado Milhões para mais do que um mero episódio de Guerra, o instrumento de propagação idealista de um regime (assim como acontecera com a “fantasia lusitana” da Exposição do Mundo Português de ’40). Essa mesma ausência dá-se com a utilização de Aníbal Augusto Milhais, que certo dia virou Milhões (“És Milhais mas vales Milhões”), por parte de Salazar, o seu heroísmo, apenas um ato de sacrifício segundo os códigos éticos militares, contado e recontado com endeusamento. Sabendo que Soldado Milhões ficou-se num mero rascunho, é de louvar, em certa maneira, o evidenciar de um filme que não crê, nem patroniza o espectador do português.

 

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Um filme de Guerra feito a meios tostões que usa a sua capacidade de improviso produtivo para captar a credibilidade, não atingida, mas possível. Da mesma forma que Kubrick encenou Vietname com meros arbustos e pouco mais em Full Metal Jacket, Soldado Milhões leva-nos a Flandres através de um “faz-de-conta” cénico, onde a miopia reage como autodefesa, e essa mesma defesa um percurso à dignidade. Contudo, não é dignidades que se faz um filme, mesmo que o resultado esteja realmente longe de nos envergonhar.

 

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Existe uma beleza triste na derrota”, as palavras de Fernando Lopes, proferidas em The Lovebirds (Bruno de Almeida, 2007), encaixam que nem uma luva neste nosso episódio bélico. Porque na verdade a Batalha de Lys foi das maiores derrotas das nossas Forças Armadas, onde perdemos uma batalha, mas ganhamos um herói, e um a nossa medida. Pena, que o filme em seu tributo não seja tão corajoso como o verdadeiro Milhões fora.

 

Real.: Gonçalo Galvão Teles, Jorge Paixão da Costa / Int.: João Arrais, Miguel Borges, Carminho Coelho, Ivo Canelas, Isaac Graça, António Pedro Cerdeira, Lúcia Moniz

 

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5/10

publicado por Hugo Gomes às 16:57
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Foi divulgado o trailer de Mary Shelley, o novo projeto da realizadora saudita Haifaa al-Mansour (Wadja) que remete-nos á juventude da homónima escritora, que desafiou toda uma conservadora sociedade ao escrever a tão célebre ficção Frankenstein. O filme focará na sua relação com o poeta Percy Shelley.

 

Elle Fanning (Neon Demon) é a protagonista. Maisie Williams e Douglas Booth encontram-se também no elenco. Mary Shelley foi apresentado no último Festival de Toronto, tendo estreia prevista para maio nos EUA e em junho no nosso país.

 


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publicado por Hugo Gomes às 16:28
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14.4.18

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Morreu o cineasta Milos Forman, conhecido como o realizador galardoado de One Flew Over the Cuckoo's Nest e Amadeus. Segundo a agência checa CTK, a sua mulher Martina declarou que "a sua partida foi calma, e esteve rodeado o tempo todo pela sua família e pelos amigos mais chegados". Forman faleceu na sua casa nos EUA, segundo consta, após um episódio de mal-estar. Tinha 86 anos.

 

Oriundo da então Checoslováquia, Forman conquistava a crítica internacional com obras como Loves of a Blonde (1965) e Baile dos Bombeiros (1967), ambos nomeados ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Nos anos 70 decidiu partir da sua terra natal para perseguir o sonho americano em Hollywood. Em ’71, realiza Taking Off (Amores de uma Adolescente), comédia dramática que conquistou o Grande Prémio de Júri do Festival de Cannes desse ano, apenas partilhando com Johnny Got His Gun, de Dalton Trumbo.

 

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Quatro anos depois trabalha com os atores Jack Nicholson e Louise Fletcher naquele que seria um dos seus filmes mais icónicos, e não só da sua carreira mas como da produção cinematográfica dessa década, One Flew Over the Cuckoo's Nest (Voando Sobre um Ninho de Cucos). Inspirado no livro de Ken Kesey, o filme iria arrebatar 5 Óscares da Academia, incluindo o de Melhor Filme e de Melhor Realizador, façanha que seria repetida em 1984 com Amadeus, biografia pouco convencional de Mozart. Entretanto Forman havia já concretizado Hair (1979) e Ragtime (1981).

 

Em 1989 insere-se em romances à francesa com Valmont, Forman entra na década de 90 com duas das biopics mais célebres - The People vs. Larry Flynt (1996) e Man on the Moon (1998) – o primeiro contando com Woody Harrelson como o controverso editor da revista pornográfica Hustler e o segundo com Jim Carrey como Andy Kaufman, aquele que seria um dos desempenhos mais badalados do cinema contemporâneo. Já no novo milénio, o realizador é assombrado pelos fantasmas da pintura em Goya’s Ghost (2006), estreia discreta e ignorada, tendo regressado ao agora República Checa para colaborar com o seu filho Petr Forman no musical Dobre placená procházka (2009), aquele que seria o seu último filme creditado.

 

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Milos Forman (1932 – 2018)


publicado por Hugo Gomes às 13:25
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Como se sabe, a Netflix não terá qualquer filme presente este ano em Cannes, em consequência está a decisão do Festival em excluir qualquer obra sem distribuição cinematográfica em França da competição.

 

Para a Helen Mirren, tal decisão da empresa de streaming é “devastadora” para qualquer cineasta. Em uma entrevista ao site I News, a atriz de Winchester (em cartaz) revelou a sua posição em relação a este confronto. Mesmo admitindo que gosta de assistir filmes no seu IPad, Mirren encontra-se do lado de Cannes, referindo que é "devastador para pessoas como meu marido [Taylor Hackford], realizadores, porque querem que seus filmes sejam exibidos em uma sala de cinema para um grupo de pessoas. É algo comum".

 

Esta decisão da Netflix afetou a possibilidade de obras de cineastas como Alfonso Cuarón (Roma), Jeremy Saulnier (Hold the Dark), Paul Greengrass (Norway) e dois projetos em torno de Orson Welles: o documentário de Morgan Neville, They'll Love Me When I'm Dead, e The Other Side of the Wind, projeto inacabado do cineasta agora terminado, de integrar a Seleção do Festival de Cannes.

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:25
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13.4.18

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Os atores James McAvoy e Bill Hader encontram-se em negociações para integrar o elenco da sequela de IT, o filme sensação de terror de 2017 que conseguiu mais de 700 milhões de dólares mundialmente.

 

Segundo a Variety, McAvoy poderá dar vida à versão adulta de Bill, interpretado pelo jovem Jaeden Lieberher no primeiro filme, enquanto que Hader poderá ser Richie, anterior papel de Finn Wolfhard.

 

O realizador Andy Muschietti regressar ao cargo de direção e certo Bill Skarsgård será novamente o palhaço Pennywise. A atriz Jessica Chastain desempenhará a versão adulta de Beverly (papel que coube a Sophia Lillis no primeiro filme).

 

A sequela de IT chega aos cinemas em 2019.

 

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publicado por Hugo Gomes às 17:54
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A arquitetura do cinema de terror atual!

 

A Mansão Winchester é uma das construções arquitetónicas mais extravagantes e incomuns dos EUA. Construído pela viúva Sarah Lockwood Winchester, aliás, reformulando … em plena construção durante 38 até à sua morte (de 1884 a 1922), a mansão e a sua estrutura bizarra, como reza a lenda, serviria como uma espécie de prisão a todas as almas vitimizadas pela criação da espingarda Winchester, o amaldiçoado negócio de família que dita um legado de violência no país. Obviamente que um filme sobre o dito imóvel e esta bizarra historieta de aparições, maldições e assombrações teria todo o gosto em fazer as delicias das audiências, dando asas à imaginação e criatividade por parte dos irmãos Spierig (Daybreakers, Predestination). Mas desde Jigsaw que a dupla promissora do cinema de género parece confundir-se com o estado desta indústria cada vez mais condescendente, até porque este Winchester é uma verdadeira “bala de pólvora seca”.

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Em causa está, antes de mais, o desaproveitamento da atmosfera que suscitaria nesta dita mansão Winchester. Ao leitor, de forma a verificar o declarado, basta visualizar um quantos vídeos ou visitas guiadas ao mesmo espaço para perceber a invulgaridade da casa e o seu ambiente. Mas este fracasso cénico é o menos neste balanço das milésimas regras feita a régua e esquadro que compõe muito do atual cinema terror. É certo que espíritos e assombrações estão em voga, em paralelo com a ascensão do cinema-escola da Blumhouse e sequencialmente de nomes como James Wan ou David F. Sandberg em fazer a festa. Contudo, Winchester preserva essas linhas-guias jogadas a uma tendência de rascunho mal emparado. Para os Spierig executar um filme da mais fascinante mansão norte-americana, bastou juntar os seguintes ingredientes:

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1)Se trata de um filme sobre mansões e espectros, temos que ter uma desculpa de psicologia, neste caso basta uma personagem inserida no ramo para servir de infiltrado no ambiente que nos espera. Relembro doutros casos, mais memoráveis, deste tipo de Cinema para refrescar a mente do leitor; o ensaio psicológico a ser experimentado em The Haunting (1963) ou até mesmo o grupo de parapsicólogos em The Legend of the Hell House (1973) de forma a “estudar” qualquer entidade maligna. 2)Se vamos ter fantasmas, as crianças são um bom catalisador dos eventuais sustos. São cobaias que distorcem a nossa ideia de inocência anteriormente alicerçadas à sua imagem, substituindo-a por velcros de calafrios, ou assim se tenta. Como anexo, juntar uma melodia, canção infantil ou tradicional para enfatizar o propósito. 3)Objetos ou “macguffins” usuais para os nosso “jump scares”; cadeiras balouçantes, compartimentos proibidos com antecedência, espelhos e não esquecer de escadas, muitas escadas.

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4)Existe um ritmo a ser respeitado, os jump scares ao serviço da rompante sonoplastia (aliás o verdadeiro susto reside no próprio som e não na imagem pop-up) devem ser inicialmente cuidadosamente cultivados ao longo da narrativa (apesar deste Winchester desleixar-se nessa norma), caso não houver mais astúcia nem imaginação para o implante desses mesmos dispositivos parte-se para o estapafúrdio “tudo ou nada” do terceiro ato (relembrar o leitor que até mesmo o The Conjuring 2 sofria de tais sintomas). 5)De forma a não sermos acusados de frieza, juntar a isto tudo uma moral, redenção ou profecia que possa ser utilizado como desfecho, o nosso Deus Ex Machina de pré-aviso.

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Com estes cinco pontos funcionais constrói-se um filme de terror sob as matrizes da indústria mainstream. Winchester é isto mesmo aplicado mas sem a presunção de quem confiantemente ousa prevalecer. Pois bem, cansativo e desperdiçado registo que fere ainda mais quando apercebemos que Helen Mirren apenas foi contratada porque se assemelhava à verdadeira viúva. Dói mesmo, no fim de contas, ver uma atriz deste calibre a subjugar-se desta maneira. De mau gosto!

 

Real.: Michael Spierig, Peter Spierig / Int.: Helen Mirren, Jason Clarke, Sarah Snook, Finn Scicluna-O'Prey, Emm Wiseman

Maldição-da-Casa-Winchester-A-2018-Winchester-10

3/10
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publicado por Hugo Gomes às 16:40
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Happy Winter é o grande vencedor da 11ª Festa do Cinema Italiano. A primeira obra de Giovanni Totaro, um documentário sobre a época balnear de Palermo, em Sicília, arrecadou o cobiçado Prémio do Júri. Por sua vez, Cuori puri, de Roberto de Paolis, também primeira longa-metragem, foi o preferido do público.

 

O júri desta edição foi integrado pelo jovem realizador Pedro Cabeleira, a jornalista Paula Brito Medori e o programador da Cinemateca Portuguesa, Francisco Valente.

 

A cerimónia de revelação e entrega dos prémios foi sucedida pela projeção de The Place, o mais recente filme de Paolo Genovese (Perfetti sconosciuti), que contará com estreia nacional.

 

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publicado por Hugo Gomes às 02:02
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12.4.18

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Tudo o nevoeiro levou …

 

Esta é a primeira experiência cinematográfica de Donato Carrisi, escritor e jornalista italiano, que se aventura nas odes da realização com a adaptação de um bestseller da sua autoria – La Ragazza Nella Nebia (A Rapariga no Nevoeiro). Provavelmente esta seja a relação que faltava a muitas conversões do género (na nossa memória surge automaticamente o desastre de The Snowman, o olhar de Tomas Alfredson sob o imaginários Jo Nesbø), a compreensão e carnalidade entre o escrito e a materialização visual. Se é bem verdade que esta “perda de virgindade” por parte de Carrisi nos apresenta um produto ainda muito “verde” nos requerimentos de personalidade cinematográfica (o realizador requisita demasiado toques do universo de David Fincher), não é mentira que encontramos em A Rapariga no Nevoeiro, um golpe aguçado na tendência destes thrillers policiais.

 

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O desaparecimento de uma adolescente num pacato vilarejo torna-se no centro da atenção dos medias após o envolvimento do infame e temido detetive Vogel (Toni Servillo), um investigador com um modus operandis muito particular (pactuava com a imprensa para pressionar agressores e vitimas, para além de, sob esse signo, falcatruar provas e evidências). No seio da investigação, encontra-se o suposto culpado do desaparecimento da jovem, um professor recém colocado sem alibis que torna-se num dos grandes ataques da iniciativa de Vogel.

 

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Negro e carpinteiro, que para além de servir de bandeja fresca aos adeptos do género quase fincheriano, eis um thriller que interpreta a comunicação social como uma espécie de “quarto poder”, uma resolução faustiana para com a autoridades, provando com isso a falta de ética e deontologia das duas partes (um cinismo por vezes certeiro, provando as capacidades de dualidade jornalística de Carrisi). Num universo repovoado por anti-heróis, A Rapariga no Nevoeiro tem a proeza de nunca ceder à demagogia moral. Ao invés disso ostenta como um corpo de inserção num mundo não tão inocente, aquele que nós vivemos e que nos cumpliciamos.

 

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E tendo esse factor em mente, Carrisi joga com os nossos julgamento, manipula-nos e sentimos como tal, indefesos e sobretudo influenciados por essas partidas de perceção (não será isso que muita comunicação social faz em prol do mediatismo?). Um produto nebuloso que tece as suas complexidades morais acima da semiótica pura da investigação detectivesca. São essas as questões que prevalecem, bebendo a priorização por vezes limitada da chegada ao whodunnit ou do efeito twist. Aqui, em A Rapariga no Nevoeiro, tal perde força perante a agressividade do seu código amoral.

 

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Vistas bem as coisas, tudo poderia funcionar num dos mais entusiasmantes thrillers policiais dos últimos anos, mas Carrisi carece de maturidade no território cinematográfico e por vezes perde controlo dos imperativos aspetos de iniciante. Perde a noção do tempo (o filme prolonga-se mais do que é preciso) e perde em adensar os seus alvos. Mas nada impede que este seja dos mais ricos e negros do seu subgénero, daqueles produzidos recentemente com dignidade de dar baile a muito das “americanices” que nos surgem.

 

Filme visualizado na 11ª edição da Festa do Cinema Italiano

 

Real.: Donato Carrisi / Int.: Toni Servillo, Jean Reno, Alessio Boni, Lorenzo Richelmy

 

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6/10

publicado por Hugo Gomes às 18:43
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