Data
Título
Take
5.3.19

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Por mais montagens motivacionais que deparamos aqui, daquelas que facilmente encontramos nas redes sociais aos trambolhões, não existe feminismo em todo este quadro, apenas marketing com propósitos. Tudo isto serve para desmistificar o que o filme tem para oferecer fora dessas “mensagens”, o que é quase nada. Não existe ligação nem preocupação com as personagens (Samuel L. Jackson e o seu gato salvam de uma Brie Larson sem carisma), o argumento é dos mais rotineiro possível, as referências aos anos 90 são engodos sem importância, e a ação, muito devedora aos slow-motions, é tosca. Sim, Captain Marvel rompe até ao próprio automatismo da sua indústria / casa, para se tornar num dos piores da saga desde Thor: Dark World.

 

Antes que venha os fundamentalismos, havia muito mais em Wonder Woman que somente uma “cara bonita” (mas também não é o hino do empoderamento feminino que se tentou vender).

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:27
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25.2.19
25.2.19

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A convite do Cinetendinha e do caro amigo crítico e jornalista de cinema Rui Tendinha, estive presente (indiretamente) na noite de entrega das estatuetas douradas para mandar uns quantos bitaites sob o gosto dos comes e bebes e do cansaço sempre habitual desta espera pelo hipoteticamente Melhor do Ano. E sempre bem acompanhado por Paulo Portugal (da Insider) a mostrar novamente aqui o seu encanto. Muito grato pelo convite e pela oportunidade.

PS: a nossa intervenção surge a partir das 4:50:00

Enquanto isso, e após a “surpresa” do Green Book, expressei numa crónica corrida no C7nema. “Poderia ter sido o ano da mudança nos Oscars, mas não o foi. Preferiram ficar à sombra da bananeira.” Ler crónica completa aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:51
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19.2.19

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Disponível no Filmin Portugal (em exclusivo), um dos filmes menos consensuais da passada edição do Festival de Cannes. Estreado na secção Un Certain Regard, Gueule d'ange, de Vanessa Filho, é acima de um filme sobre a juventude perdida, é um retrato das novas convenções da maternidade e o que ela representa nos dias de hoje.

 

Caímos que “nem uns patinhos” nas referências e influências entranhadas desse mesmo Cinema, desde Little Fugitive, de Ray Ashley e Morris Engel (a promessa de Coney Island trocada pela promessa do Carnaval), até 400 Coups, de Truffaut (a mentira, “a minha mãe morreu”), passando por Nana, de Valérie Massadian (a emancipação imediata da criança) e porque não, o recente The Florida Project (a criação de uma realidade em separado para a distancia do mundo adulto). Vanessa Filho prova ser conhecedora desses mesmo códigos e entranhando no universo Lolita tece uma “naperon” por uma existência deslocada, emitida por um crescimento anti-natura.Ler crítica completa.

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:29
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17.2.19

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Foto: Cecilia Melo

Foi em 2018, durante a sua passagem no FEST em Espinho, que falei com o cineasta iraniano Asghar Farhadi (A Separation, The Salesman, Todos Lo Saben). A entrevista foi por fim publicada, e poderá ser vista aqui.

 

Penso que se o teu objeto fílmico é sobre as pessoas e as sociedades a que correspondem - por detrás do aspeto politico – até temos que abordar a moralidade. Não quero ser um cineasta politico, porque não dialogo diretamente com a politica, até porque não é essa a minha função enquanto realizador. Já sobre a moralidade, isso sim, é do meu respeito. Procuro algo que me diga que isto é certo ou é moralmente errado. Não sabemos como o calcular, por isso é que os meus filmes são acerca de dilemas. Como o caso de “o filho tem razão”, mas questionamos o porquê dessa razão e assim passamos ao campo moral das coisas. Mas eu não embarco nos filmes como incentivo para criar situações morais, apenas descrevo-os e deixo o espectador ir em direção ao território-moral.

 

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publicado por Hugo Gomes às 23:37
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Com Ghost Stories, de Jeremy Dyson e Andy Nyman, prestes a chegar aos nossos cinemas gostaria de recordar uma das mais impressionantes antologias do género de terror (e possivelmente das pioneiras no grande ecrã), que parece atualmente ganhar pó perante as memórias efémeras dos cinéfilos de “nowadays”.

 

Tendo as antologias de género uma “moda” que tenta colar-se nas industrias atuais, em 1945 surgia Dead of Night (A Dança da Morte), um conjunto de cinco episódios e mais uma narrativa de ligação concebido a oito mãos, destacando obviamente Alberto Cavalcanti que emana um pesadelo psicológico e psicadélico tendo um boneco ventríloquo (don’t call it dummy) como estrela. Por vezes esquecido face a muitos dos seus “filhos e bastardos”, como a série The Twilight Zone ou até mesmo o cultuado Groundhog’s Day e o agora fenómeno da Netflix, Russian Doll. Dead of Night é mais que antologia, é um corrente de temores da noite materializado no derradeiro ano da Segunda Grande Guerra.

 

Vale a pena espreitar, antes de dar atenção aos seus promíscuos influenciados.

 

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publicado por Hugo Gomes às 15:05
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16.2.19

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Era uma vez … um anjo que cobiçava os Homens. Ele olhava de cima para estes minúsculos pontos em vanglória intensa, enquanto desperdiçavam a sua existência com futilidades. Mas o anjo não quis saber de morais, apenas desejava aquele (des)encanto, e acima de tudo a liberdade destes, a negação das asas, as mesmas que o mantinham preso ao seu céu. Tanto pediu que acabou por se tornar num eles; colorido, pecaminoso e efémero de desejos. Num ápice essas imperfeições converteram-se em qualidades. O anjo caiu, coexistiu com a gente mortal para depois, após ter experienciado todos os sabores da vida, voltar ao seu Reino. Se viveu feliz para sempre? Não sei, mas a eternidade foi lhe devolvida e agora é o “fruto” que mais lhe convém.

 

Para sempre nos nossos corações cinéfilos – Bruno Ganz


publicado por Hugo Gomes às 14:22
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13.2.19

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Por entre o uso dos planos conjuntos que tornam cada cena num quadro vivo, devemos olhar para A Portuguesa e procurar uma luz de enfoque que nos tire dos traços de natureza morta aqui perpetuados. Morta? Sim, porque nada disto acrescenta, avança, nem inova no panorama de cinema português dito autoral, até porque, dentro do universo de Rita Azevedo Gomes, já acontecera oportunidades que chegue de sair do dito circulo de amigos o qual influencia e se deixa influenciar. A fragilidade do Mundo e até as vinganças femininas transportaram-nos para outros ares (esperanças assim sublinhadas), mesmo respeitando um legado em cima (devidamente homenageado nos créditos), mas depois da quebra imagética que houvera com Correspondências (a passividade visual ao invés do transe), A Portuguesa é um limbo. Esse mesmo que impede Azevedo Gomes de ser algo mais do que uma condutora de referências. Assim sendo, temos uma ditadora do cinema confortável.


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publicado por Hugo Gomes às 21:24
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Adam McKay fez-se “realizador à séria” com A Queda de Wall Street, onde resumia a crise imobiliária de 2008 num conto de tragédia dirigido para “pequeninos”. Sob tendências de chico-esperto - uma atitude emprestada e distorcida do Cinema ilícito idealizado por Martin Scorsese durante anos a fios - o seu trabalho datado de 2015 teve a proeza de abordar um tema exclusivo e transmiti-lo para uma linguagem universal aos mais diferentes espectadores. Esquema que o colocou sob um bailado pedagógico e ao mesmo tema demagógico. O resultado é que A Queda... arrecadou cinco nomeações aos Óscares, tendo vencido o de Melhor Argumento Adaptado, o que, traduzindo para o dialeto de indústria, é selo de requinte e qualidade. Em Vice, o espírito não foi de todo inovado, aliás, diríamos que foi renovado para mais uma demanda. A pedagogia está lá, desta feita dirigida aos bastidores da política norte-americana, desencantando todo este processo e contaminando-o com o já habitual sarcasmo e porque não … um intenso tom trocista.Ler crítica completa aqui

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:19
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Tinha tudo para ser uma conversa intelectualizada, mas a humildade de Dídio Pestana me conquistou. Responsável pelo sound design dos filmes de Gonçalo Tocha, o agora realizador aventura-se num cinema íntimo a referenciar Jonas Mekas e Ross McElwee, porém, o resultado final é algo tão seu que merece ser partilhado ao Mundo.

 

Em Sobre Tudo Sobre Nada pretendia pegar em imagens pessoais e transformá-las num filme narrativo, uma história, neste caso diria 100% real, mas foi um processo em que permiti. Como falei, interessa-me esse lado pessoal do cinema, assim como cinema que se expõe, aquele em que vemos o realizador do filme ou o técnico de som, ou simplesmente a camara cai acidentalmente. Para isso, diversas vezes dava a câmara a outros para que pudessem filmar-me, porque no fundo o Cinema é isso, uma partilha.” Entrevista completa aqui.

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“É um bonito ensaio, sem com isto declarar o adjetivo como primário e infantilizado. Quem dera que muito do nosso cinema umbiguista tivesse este terra-a-terra das suas intenções, ao invés de cair por campos sem pássaros, silenciosos e pedantes na sua caminhada. Este é simplesmente um filme sobre tudo … e sobre nada.”  Crítica completa aqui.

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:12
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Night Shyamalan é um dos últimos autores norte-americanos do qual temos conhecimento … sim, autor (que venham então os enésimos artigos abaixo deste estatuto fora dos ditos “veteranos”, porque os sinais estão lá) … e Glass é perpetuamente um olhar autoral à massificação do cinema de super-heróis e o faz através da desconstrução. Essa, apoiada numa metalinguagem que evidencia a mitologia hoje atestada para ponto de partida nesta aproximação/afastamento desses mesmos universos.

 

É um filme inteligente … sim, é … que desafia até a própria pedagogia hoje alicerçada aos pseudos-“críticos” norte-americanos, habituados (ou melhor, mal-habituados), às fórmulas disnescas e ao fun check que a indústria proporciona. Glass é sobretudo esse dedo médio à falta de reflexão no Cinema de hoje. Contudo, é Cinema, fora dos modelos academicamente aceites da narrativa, ou seja, é mais que simples “historietas”, que te contempla com um técnica sinónima a uma emancipação por parte de Shyamalan.

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A fim de evitar o automatismo de Split, o realizador se assume rigoroso não no guião, mas no como entregá-lo através de uma narrativa visual, exemplo disso, a sala cor-de-rosa picotada com grandes planos de cada um destes peões, o substituto digno da vitrine prisional de Silence of the Lambs, as reavaliadas lições de suspense de Hitchcock.

 

Da categoria: filmes que tem vindo a crescer e o cinema é mais que telenovela.

 

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publicado por Hugo Gomes às 21:08
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Colocando tudo em pratos limpos! Queria pedir desculpas a todos que tem deparado com um vazio enorme que se tornou este blog e como tal quero anunciar que a partir de hoje a estrutura deste estaminé irá sofrer algumas alterações. Como sabem tenho colaborado com o site C7nema, e agora, como crítico da secção de entretenimento da Sapo, o que impossibilitou a atualização deste espaço, pelo que, o Cinematograficamente Falando … não irá morrer. Continuará sob outros acordes, com a menção dos meus trabalhos paralelos, assim como pensamentos, reflexões e algum material exclusivo sobre Cinema e alicerces.

Fiquem atentos e conforme seja a sua escolha, bons filmes.


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publicado por Hugo Gomes às 21:01
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23.1.19

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Morreu o cineasta e poeta Jonas Mekas, o "padrinho do cinema avant-garde norte-americano", uma das figuras mais importantes da história do cinema experimental. Tinha 96 anos.

 

De origem lituana, Jonas Mekas e o seu irmão, Adolfas Mekas, abandonaram o país em 1944. Prisioneiros de guerra e condenados a um campo de trabalhos forçados, ambos conseguiram fugir para Dinamarca, o que o levou, cinco anos depois, a emigrar para os EUA. Pouco tempo depois da chegada ao solo norte-americano, Mekas compra uma camara Bolex 16mm e inicia a produção de pequenos e íntimos filmes. Foi o inicio de uma aventura que se inseria numa vaga artística que surgia lentamente (com mimetização numa anterior vanguarda arthouse, datada na década de 20).

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Avançou-se na realização com Guns of the Trees em 1961, um drama experimental sobre uma mulher depressiva que tenta suicidar-se, ao mesmo tempo que estranhos tentam convence-la que a vida merece uma segunda oportunidade. Três anos depois, chega uma das obras mais célebres, The Brig, no qual Mekas tenta jogar com o ultrarrealismo num dos grandes dramas da História das forças armadas norte-americanas. Apesar do contexto diferir, The Brig é um filme com vários cordões intimistas e pessoais. Conquistou o Grande Prémio do Festival de Veneza.

 

Jonas Mekas alia-se a Andy Warhol para conceber a curta Award Presentation to Andy Warhol (1964), que serviu de porta direta para outra colaboração entre os dois, o qual gerou o mítico Empire (1965), documentário de 8 horas tendo como estrutura um plano em tempo real do Empire State Building.

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Entre outras obras, contam-se Diaries Notes and Sketches (1969), Birth of a Nation (1997), As I was Moving Ahead I saw Brief Glimpses of Beauty (2000), Letter from Greenpoint (2005), Sleepless Nights Stories (2011), Out-takes from the Life of a Happy Man (2012) e uma série de 365 curtas que disponibilizou na internet a partir de 2007.

 

Em 1954, os irmãos Mekas criam a revista Film Culture, a qual tornou-se em tempos, uma das mais respeitadas publicações de cinema nos EUA. Em 1958, Mekas torna-se colunista na Village Voice, numa secção intitulada Movie Journal. Passados quatro anos, funde a Cooperativa de Cineastas (Film-Makers' Cooperative) e sucessivamente a Cinemateca de Cineastas (Film-Makers' Cinematheque).

 

Vencedor de vários prémios e presença assídua nos festivais de cinema, Mekas esteve em Lisboa em 2009 para uma masterclass e retrospetiva da sua obra no DocLisboa. Era também conhecido pelos seus trabalhos de poesia e por dar aulas de cinema em estabelecimentos como o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e a Universidade de Nova Iorque.

 

Jonas Mekas (1922 – 2019)

 

 


publicado por Hugo Gomes às 19:02
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20.1.19

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Andrew G. Vajna, também conhecido por Andy Vajna, conhecido como produtor executivo de filmes como Rambo, Terminator e Total Recall, faleceu aos 74 anos. A sua morte foi confirmada pelo Fundo de Cinema Húngaro, que o relembrou como uma “figura dominante da industria cinematográfica húngara e internacional”, assim como fundador do respetivo fundo.

Nascido a 1 de agosto de 1944, Vjana, em conjunto com o seu parceiro Mario Kassar, fundaram a Carolco, produtora responsável por blockbusters como Terminator 2: Judgment Day (Exterminador Implacável 2: O Dia do Julgamento), os primeiros três Rambos e ainda alguns filmes de Paul Verhoeven como Total Recall (Desafio Total) e Basic Instinct (Instinto Fatal).

Para além disso, ainda produziu Angel Heart - Nas Portas do Inferno, DeepStar Six (Terror nas Profundidades), Evita, Judge Dredd (A Lei de Dread), BZ - Viagem Alucinante, Nixon e Die Hard: A Vingança. O seu último trabalho no ramo foi com Terminator: Salvation (Exterminador Implacável - A Salvação) e o ainda inédito School of Scumbags.

Andy Vajna foi ainda fundador e presidente do American Film Marketing Assn, tendo lançado o American Film Market.

Andy Vajna (1944 - 2019)

 


publicado por Hugo Gomes às 19:33
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19.1.19

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Ao virar da esquina …

 

Se a rua falasse, ela diria que Barry Jenkins avançou numa terceira longa-metragem com a confiança que não se encontrava na anterior e premiada obra, Moonlight. O registo tão Sundance é substituído por um ego artístico que contamina uma narrativa sob os tons de um cinema mimético e imagético, é a estética doce a imprimir emoções (há aqui qualquer coisa de Wong Kar-Wai dos tempos de In the Mood for Love), desde a música jazz que ecoa como recordações vitalícias no casal de personagens, cada um deles experienciando um romance que não se conforma nas omnipresenças de Hollywood. É um amor que remexe no trágico da sua natureza sociopolítica, tecendo com isso um mapa de uma América resumida em pontos fulcrais; a discriminação, a religiosidade fervorosa e o corrupto sistema que desfavorece minorias e incentiva um medo justificado pelas autoridades.

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Sim, Jenkins sustenta toda esta conversa de esquina num retrato crítico e sentido da sua própria comunidade, isto, em tempos em que a administração Trump fomenta ainda mais as desigualdades raciais e legitima a violência e ódio aos mesmos. If Beale Street Could Talk segue as pisadas contextuais de Moonlight (neste caso, transforma a década de 70 numa réplica social dos nossos tempos), mas avança em terrenos mais exóticos que as abordagens anteriores. Assistimos a um homem novo, determinado, sem o medo da pouca especificidade e das deambulações que providenciam como atalhos temporais. A criação de uma narrativa-mosaico sem as requisições do próprio conceito insertado em produções do género, porém, desafiando o espectador a “costurar” os destino destes mesmos protagonistas.

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Barry Jenkins devolve ao livro do escritor e ativista James Baldwin a sua “rua” original, 20 anos depois do francês Robert Guédiguian o ter deslocado para as ruas de Marselha. Mas não se trata somente de um caso de fidelidade, tudo deveu-se à criação de um filme sensível e curioso erguido pelos subtis talentos de Kiki Layne, Stephan James (completamente ignorado nesta award season) e Regina King, convertidos peões nestes quarteirões inspirados pela plasticidade. É sim, o melhor trabalho de um realizador disposto a abandonar a frieza da veracidade encenada no Cinema e aproxima-la à poética das imagens. Mesmo que o resultado não seja totalmente integrado nesse senso, filmes como If Beale Street Could Talk são raros na terras do Tio Sam.

Real.: Barry Jenkins / Int.: Kiki Layne, Stephan James, Regina King, Colman Domingo, Diego Luna, Ed Skrein, Pedro Pascal

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7/10
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publicado por Hugo Gomes às 20:45
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16.1.19

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Kaboom …

 

Poderíamos entrar aqui em mais umas quantas lengalengas sobre a rivalidade entre o cinema comercial nacional e o dito autoral … poderíamos, mas a esta altura do campeonato, até nós sentimos cansados de o invocar, muito mais em encontrar uma “ponta onde se pegue” num projeto como este Tiro e Queda. Aliás, o titulo condiz na perfeição para com a natureza deste … embrião a filme, um verdadeiro headshot à paciência do cinéfilo e um atentado ao gosto, pelo que se traduz segundo os cabecilhas desta tramoia, num consenso para o grande público.

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Com produção de Leonel Vieira, que nos últimos anos abandonou as faíscas que o poderiam guiar por caminhos mais dignos, hoje (levado da breca), cedido ao inóspito destas anormalidades, confia em Ramón De Los Santos (na sua primeira longa-metragem) para conduzir a dupla humorística de sucesso (Eduardo Madeira e Manuel Marques) num prolongado anúncio publicitário a uma companhia de seguros.

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Por entre o descarado "product placement", Tiro e Queda é a prova de fogo para qualquer espectador, desde a sua transladação da linguagem puramente televisiva (e mesmo dentro dessa linguagem existem “dialetos” mais corajosos), até ao stand-up comedy falhado cujo humor (fácil, demasiado fácil) - possivelmente direcionado à caricatura - apenas ridiculariza o bom senso de quem acredita em milagres vindo destes ventos. Não se trata de ser enfadonho, nem é isso que está em causa na crítica de cinema, nem sequer neste filme. O problema é a sua inaptidão para a indústria portuguesa, sabendo que ela não existe. Porém, com “coisas” como esta, dificilmente existirão razões para a sua existência. No final, ficamos solidários para com a “personagem” de Óscar Branco: “afinal, somos uns cabeçudos aqui”. Haja paciência …

 

Real.: Ramón De Los Santos / Int.: Eduardo Madeira, Manuel Marques, Dinarte de Freitas, Carla Vasconcelos, Óscar Branco

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2/10

publicado por Hugo Gomes às 21:00
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9.1.19
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O “Diabo” na Politica!

 

Depois de uma “economia para totós”, Adam McKay providencia algumas lições da politica norte-americana neste biopic costurado em severos tons de sarcasmo. E para quem viu The Big Short, não era de esperar outra coisa. Em Vice seguimos o percurso do mais notório dos vice-presidentes dos EUA, e segundos as “más-línguas” em tom de verdade, um dos mentores da “invasão do Iraque” e da grande mentira do seculo XXI, as armas de destruição massivas nunca encontradas em território de Saddam Hussein. Sim, esse mesmo, Dick Cheney. Vestindo essa pele de lobo sob vestes de cordeiro, Christian Bale em sacrifício físico e em plena capacidade de mimetismos é o “boneco” perfeito para esta analogia de McKay sobre os disfarces da presidência norte-americana.

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Em tempos de Trump e de uma politica constantemente descredibilizada, um filme como Vice vem servir como uma bandeja de pedagogias para mundanos, realçando o sabido sobre um dos episódios mais negros da História recente dos EUA e como George W. Bush, à luz dos ideais de Oliver Stone, era um mero fantoche de um enorme palco chamado Poder. Visto como um dos seus braços direitos, e quiçá, o grande punho do Governo, Cheney orquestrou todo um jogo de guerra em jeito de Dr. Estranho Amor, e Adam McKay seguiu o seu percurso de ascensão (o mais medíocre dos homens convertido no mais brilhante dos políticos), tentando prescrever os pecados morais desse mesmo ecossistema onde a maioria não tem lugar sob as decisões de poucos.

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Filme cínico que alterna a sua veia de cinebiografia de vista grossa para a award season com uma trocista crítica a esse mesmo subgénero (as difusas utilizações do “cartões”, a deslocação do “final feliz), Vice funciona como um Guia Politico para Totós, enquanto espelha o evidente, usufruindo de uma ambiguidade para desaguar num dos mais ingénuos gestos de maniqueísmo (como se costuma dizer: “quem vê caras não vê corações”). Por um lado é a denuncia de caracter, as más índoles que apoiam a constituição e preenchem lugares no Parlamento, elementos caros para um filme no fundo "chico-esperto" que se orienta por sósias instrumentais (mesmo que se note o esforço de Bale em rasgar a sua figura-cópia).

Real.: Adam McKay / Int.: Christian Bale, Amy Adams, Steve Carell, Sam Rockwell, Alison Pill, Eddie Marsan, Tyler Perry

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5/10
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publicado por Hugo Gomes às 00:12
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2.1.19

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ROMA foi escolhido como filme do ano pela OFCS (Sociedade de Críticos Online), a qual o Cinematograficamente Falando … integra. Para além do cobiçado estatuto, o regresso de Alfonso Cuarón ao México foi ainda distinguido com os prémios de Melhor Realizador, Filme de Língua Estrangeira e Fotografia.

 

Quanto às interpretações, Ethan Hawke saiu a ganhar na categoria principal masculina em First Reformed, de Paul Schrader, e Toni Collette como atriz em Hereditary. Nas categorias secundárias, Michael B. Jordan (Black Panther) e Regina King (If Beale Street Could Talk) foram os premiados.

 

A destacar ainda prémios especiais atribuídos a Ryan Coogler pela direção de Black Panther e à cidade de Oakland por acolher e gerar algumas das relevantes obras de cariz social e racial nos EUA, como Blindspotting e Sorry to Bother You.

 

MELHOR FILME

Roma

 

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Spider-Man: Into the Spider-Verse

 

MELHOR REALIZADOR

Alfonso Cuarón - Roma

 

MELHOR ATOR

Ethan Hawke - First Reformed

 

MELHOR ATRIZ

Toni Collette - Hereditary

 

MELHOR ATOR SECUNDÁRIO

Michael B. Jordan - Black Panther

 

MELHOR ATRIZ SECUNDÁRIA

Regina King - If Beale Street Could Talk

 

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL

Paul Schrader - First Reformed

 

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO

Barry Jenkins - If Beale Street Could Talk

 

MELHOR EDIÇÃO

Eddie Hamilton - Mission: Impossible - Fallout

 

MELHOR FOTOGRAFIA

Alfonso Cuarón - Roma

 

MELHOR BANDA-SONORA ORIGINAL

Nicholas Britell - If Beale Street Could Talk

 

MELHOR PRIMEIRO FILME

Ari Aster - Hereditary

 

MELHOR FILME DE LÍNGUA ESTRANGEIRA

Roma

 

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Won't You Be My Neighbor?

 

PRÉMIOS TÉCNICOS

Annihilation – Efeitos Visuais

Black Panther – Guarda-Roupa

Mission: Impossible - Fallout – Coordenação de Stunts

A Quiet Place - Som

A Star Is Born – Músicas Originais

 

TOP 11

  1. Roma
  2. BlacKkKlansman
  3. If Beale Street Could Talk
  4. First Reformed
  5. The Favourite
  6. You Were Never Really Here
  7. Annihilation
  8. Eighth Grade
  9. Hereditary
  10. A Star Is Born
  11. Suspiria

 

PRÉMIO CARREIRA

Roger Deakins

Spike Lee

Rita Moreno

Robert Redford

Agnès Varda

 


publicado por Hugo Gomes às 13:38
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O site C7nema (aqui) revelou a sua lista de melhores do ano, tendo como primeiro lugar do pódio a sensação da Netflix, ROMA. Em segundo lugar ficou a obra de terror Hereditary e Phantom Thread finaliza o top. Nenhuma obra portuguesa figura a lista.

 

TOP 10

1) ROMA

2) Hereditary (Hereditário)

3) Phantom Thread (A Linha Fantasma)

4) You Were Really Here (Nunca Estiveste Aqui)

5) First Reformed (No Coração na Escuridão)

6) Jusqu’à la Garde (Custódia Partilhada)

7) Florida Project

8) Cold War

9) BlackKklansman

10) Call Me By Your Name (Chama-me Pelo teu Nome)

 

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publicado por Hugo Gomes às 13:09
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30.12.18

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Morreu Ringo Lam, o realizador de Hong Kong que serviu de influência para Quentin Tarantino no seu Reservoir Dogs (Cães Danados). Segundo os medias de Hong Kong, o realizador foi encontrado sem vida na sua habitação. Tinha 63 anos.

Tendo como principais obras Mad Mission 4 (1986), City of Fire (1987) e Twin Dragons (Ação em Hong Kong, 1992), Lam foi considerado um dos mais importantes e bem-sucedidos artesãos do Cinema de ação de Hong Kong do final dos anos 80, estatuto que o fez transladar para Hollywood onde concretizou algumas das aventuras cinematográficas da estrela Jean-Claude Van Damme (Maximium Risk, In Hell).

Em 2007, juntou-se aos seus conterrâneos Tsui Hark e Johnny To para o filme coletivo Triangle, que foi apresentado no Festival de Cannes. Ringo Lam sempre se destacou como um severo crítico da indústria de Hong Kong, nunca escondendo a sua insatisfação para com o desenvolvimento do cinema local.

Ringo Lam (1955 - 2018)


publicado por Hugo Gomes às 17:11
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26.12.18
26.12.18

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Ringue sob pressão!

 

Estamos em 2018 com uma nova geração, mas devemos partir para 1976 num tempo em que nos deparamos uma Filadélfia decadente, negligenciada e mergulhada em toda uma violência social. Aí surgiu Rocky Balboa, pugilista de quinta categoria sem classe nem elegância no combate desportivo. Para alguns existe nele potencial, porém, fica-se pelas promessas porque vindo de um circuito pobre como esse, juntamente com a sua falta de ambição, longe nem sequer é considerado objetivo. Balboa é um verdadeiro underdog, até então passivo no seu próprio ambiente. Nesse mesmo ano, outro pugilista surge em frente aos nossos olhos, Apollo Creed, ele é o campeão por direito e, como tal, os desafios tornaram-se escassos. Como forma de marketing (visto que o boxe é um desporto cada vez mais em função disso), os publicistas decidem organizar um combate ao acaso, procurando fora da sua categoria, escolhendo, da mesma forma, um lutador da divisão abaixo.

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O resultado caiu na escolha de Rocky. A história, toda a gente conhece, ou pensa conhecer, é bem diferente do que realmente aconteceu. Efeito Mandela? É. Rocky não venceu o combate com Apollo, o filme apenas celebrou a sua oportunidade, nada mais que isso, resultando num hino ao orgulho, acima das vitórias materializadas, o que foi redimindo nas sequelas que seguiram. Mas voltando a 1976, o público torcia pela personagem de Sylvester Stallone depositando nela um estandarte de luta entre classes, a resistência perante elites e a busca pelo “sonho americano”, traduzido nas origens nunca ocultadas por Rocky, ou The Italian Stallion.

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Assim chegamos a 1985, com um quarto filme instalado no seu próprio contexto temporal, a Guerra Fria, obviamente cedendo a maniqueísmos evidentes. O conflito entre duas nações emprestado no combate corpo-a-corpo entre dois pugilistas, de um lado o “americano” Rocky sob as promessas de vingança (Apollo Creed foi morto no ringue pelo seu adversário) e do outro o orgulho soviético Ivan Drago (interpretado por Dolph Lungdren). À partida, esta sequela musculada e esteticamente vibrante serve de apoio para esta continuação do bem-sucedido spin-off onde Creed, filho do falecido Apollo, atesta-se como um campeão mundial, contando com o agora reformado Rocky no canto do ringue. E é então que o passado persegue. Ivan Drago regressa, apresentando o seu filho (o lutador Florian Munteanu), constantemente treinado como um cão de guerra, para uma luta a favor da estima perdida.

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Mesmo retornando aos ecos da Guerra Fria, que por sua vez nunca abandonaram Hollywood, Creed 2 apresenta-se como um determinando jogo de legados tendo como o boxe a mais romantizada das suas catarses. Mas algo falha aqui, e não mencionamos a falta que Ryan Coogler faz na direção, um realizador sobretudo tecnicista que atribuiu no filme de 2016 um brilho que se poderia ter esgotado na pré-produção (o substituto Steven Caple Jr. Falha na narração, mas solidifica a espetacularidade), até porque recuperar Stallone e a sua mais querida personagem após a melancólica despedida de 2006 (poemas másculos e triviais convertidos a um soneto motivacional) torna-se num gesto ingrato e oportunista. Enfim, o que aconteceu com os novos desafios de Creed é que não nos deparamos com o velhinho reconto da ascensão. A personagem de Michael B. Jordan (possivelmente um dos carismáticos atores da atualidade) encontra-se no topo, favorecido, frente a um nemesis criado com só objetivo, vindo de um ambiente que Rocky tão bem partilha em 1976. A juntar a esta equação, a relação frívola com o pai (porta aberta para epifanias de paternidade).

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Com isto, vai-se desencadear o seguinte: o espectador apercebe-se que Creed 2 embica numa jogada de patriotismos escondidos com teorias “batidas” da conspiração embutidas, ao invés de manobrar as emoções impostas no primeiro round. Resultado, caímos no desnecessário para todo um legado, com Sylvester Stallone a servir de gancho para ambos os franchises, e um filme corriqueiro para com a sua receita de eleição. É sim, uma história de ascensão … ou será antes de (re)ascensão, prometendo às audiências um reencontro entre gigantes (a primeira partilha de ecrã entre Dolph Lungdren e Stallone está ao nível das conversas de café entre DeNiro e Pacino em Heat, de Michael Mann), uma desconstrução do estigma yankee a russos (reprovado) e toda uma teia de relações quebradas e restauradas (o foco devia estar apontado ao inimigo ao invés do protagonista sem nada a perder). Mas no fim, é isso mesmo: promessas, jabs e uppercuts. Um campeão insuflado.

 

Real.: Stephen Caplain Jr. / Int.: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson, Dolph Lungdren, Florian Munteanu, Brigitte Nielsen, Milo Ventimiglia

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publicado por Hugo Gomes às 15:58
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