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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

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Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

«Roman Porno»: os vagabundos do desejo

Hugo Gomes, 17.07.20

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Mais perverso que nunca, chegamos ao final do ciclo do “Roman Porno” (literalmente traduzido, ciclo da “pornografia romântica”, vindo da designação atribuída por crítico e programador da Cinemateca Francesa Jean-François Rauger), com dois filmes que olham sem medos para a amoralidade e ainda “trocem” a severa censura japonesa. Eles são “Lovers Are Wet”, de Tatsumi Kumashiro, e “Wet Woman in the Wind”, de Akihiko Shiota. Em exibição no Espaço Nimas, em Lisboa, e no Teatro Municipal Campo Alegre, no Porto.

"Tudo é caoticamente caricato, absurdista e, ao seu jeito, descomprometido ao lidar com razões ou moralidades de quem quer que seja. É um objeto munido, movido e consequentemente transgredido pelo seu desejo, seja pelo seu representativo clímax, seja pela vontade de filmar corpos insaciáveis. O sexo é aqui energia, improvisada, dramática que funde com a simplicidade e a ingenuidade de um filme que ambiciona ser consumido sem nunca sonhar com a devoção." Ler artigo completo no Mag.Sapo.

Três Realizadoras Portuguesas: o desconfinamento português faz-se no feminino

Hugo Gomes, 13.07.20

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Cães que Ladram aos Pássaros

 

Após uns sensíveis três meses de distância das salas de cinema, esta reaproximação, chamaremos assim, serviu como oportunidade para um lançamento corrente de muitas das obras portuguesas agendadas e outras, um tanto, “engavetadas”. São provas de desconfinamento, diriam muitos, uma das novas palavras de ordem ao nosso vocabulário quotidiano, uma servitude exercida pelo espectador de forma reaprender o seu lugar enquanto … isso mesmo ... espectador, ao mesmo tempo que se dedica a “memorizar” novos hábitos, provavelmente inseridos numa renovada e conquistadora normalidade.

 

Uma dessas estreias portuguesas, possivelmente das menos improváveis a comportar-se como chamariz desesperado fruto das distribuidoras e exibidoras às suas salas, é esta coligação de três curtas que auto-definem uma geração. Se o mundo pede mudanças e sobretudo vinda de divergentes vozes para alimentar as propostas audiovisuais, esta, intitulada aposta de Três Realizadoras Portuguesas, é além do mais um trabalho de curadoria, o da seleção e reunião de um trio de cineastas emergentes com vias de conquistar o páreo. E esta, digamos, cooperação igualitária, tem como intuito fazê-las [essas vozes] ouvir neste panorama atual de cinema restaurado, estrategicamente como uma só, e apontá-las neste confinamento como guias para essa fase reiniciada.

 

Das três, o nome mais expectável, visto já andarmos de olho nela, é o de Leonor Teles, realizadora que venceria o Urso de Ouro de Curtas de Berlim com A Balada de um Batráquio (2015), filme-ensaio misto de “prank” que refletia num preconceito entranhado na nossa sociedade, focando na relação tóxica entre os sapos de loiça e a comunidade cigana. Teles viria a conhecer o outro formato, o da longa, com Terra Franca (2018), em que acompanha e esquematizava um ano - quatro estações - na vida de Albertino Lobo, habitante de um comunidade piscatória nas margens do Tejo, e um resistente ao tempo e a austeridade insertada pela consistente falta de investimento no sector e as “politiquices” que a geraram.

 

Mas aqui, em Cães que Ladram aos Pássaros, a realizadora não aborda desconfinamentos, mas indicia-se também em readaptações, neste caso a de uma família portuense que defronta o fenómeno de gentrificação, onde as metrópoles “empurram” os seus habitantes mais economicamente desfavorecidos, para fora dos seus centros, explorando estes “vórtices” para fins turísticos ou em nome do progresso paisagístico. Sob uma fotografia “granulada” assinada pela própria autora, o pequeno filme segue os seus “condenados” em um misto de festa e tormento perante a situação que se instalam. Uma resistência silenciosa, algo desleixada quanto ao destino que se avizinha mas sob um olhar otimista no seio daquele caos iminente. Leonor Teles bebe daqui a realidade para o contorcer em prol de uma ficção à sua imagem, onde entramos na intimidade destes peões, sentindo a sua autenticidade como simultaneamente a sua exposta manipulação ao serviço (sempre) da narrativa.

 

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Dia de Festa

 

Porém, burla minha, comecei a narrar a viagem através da sua meta! Possivelmente o meu lapso temporal deriva do facto de já compreendemos Leonor Teles como uma consolidada cineasta, enquanto que as outras duas do “bunch” detém uma tarefa maior em ofuscar ou igualar um nome já por si atrativo pelos mais atentos cinéfilos. Felizmente para Mariana Gaivão e Sofia Bost, o desafio é superado com o melhor dos aproveitamentos, e a mais entusiasta faceta autoral que nos faz salivar pelo futuro garantida destas, até então, “maçaricas” de vanguarda.

 

Assim embarcamos no último nome e primeiro da sessão -Dia de Festa, de Bost (formada na London Film School) - o qual ostenta uma articulação para com o dito “storytelling”, este por vezes ignorado no panorama português. Nesta história, enxugada por um, sentimento constante de defraudação, o dispositivo-narrativo é uma comemoração que ressoa os alarmes da festividade, assumindo-se como vestes da insegurança vivida por uma progenitora sem “formação” para tal. Como diz a certa altura, uma das personagens, argumentando que se informou teoricamente num documentário qualquer, existem espalhadas na sociedade mães isentas de instintos maternais e, opostamente, contraídas por sentimentos de repugna para com os seus próprios rebentos (uma espécie de ódio irracional, o bode expiatório perfeito para a insatisfação existencial). Pois claro, Dia de Festa é um filme sobre amor maternal sem o amor maternal, é a laboração de um estatuto estabelecido imposto pela sociedade e não pela natureza. Sofia Bost compõe o membro mais inteligível desta trindade, mas não menosprezemos as acessibilidades neste campo, a curta é pragmática no seu diálogo para com o espectador, assim como a vida por vezes, e a destacar a subtileza de Rita Martins, atriz que traja a farsa das festa improvisada, a herdeira do legado sem afetividade e na confiança dos estranhos passageiros. É uma das confirmações deste tratado narrativo que faria furor em metragens de maior duração, mas por enquanto fiquemos com “aperitivo” … e que bem!

 

Já por último, o seu meio para dizer a verdade, Mariana Gaivão concentra-se em Ruby um enredo de resistência e consequentemente libertação por via do desapego afetivo. Filmado na região de Góis, local ardido e povoado por “estrangeiros” que fazem dessa terra de cinzas a sua casa. Nele, deparamos com a protagonista-título (Ruby Taylor), jovem que apercebe do desaparecimento do seu cão no meu desde dia que recebe a notícia de despedida da sua melhor amiga para Inglaterra. Há uma negação que advém com o corte de afinidades para fazer do seu horizonte sua nova morada. Gaivão demonstra a sua idoneidade em casar a desilusão com um misticismo (in)existencial, uma beleza artificial naquilo que o futuro nos reserva, demonstrando, como a sensorial sequência da rave cavernosa, que basta ceder-nos à experiência e deambularmos pela corrente do desconhecido. Aonde chegaremos, automaticamente o chamaremos de casa.

 

E foi Casa, a proclamação vinda destes três nomes ascendentes em relação ao Cinema, esperando que o espectador faça o mesmo nesse seu regresso.

 

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Ruby

«Roman Porno»: quando o sexo é o consolo das farsas ...

Hugo Gomes, 10.07.20

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Nesta quarta parte do Ciclo “Roman Porno” (literalmente traduzido, ciclo da “pornografia romântica”, vindo da designação atribuída por crítico e programador da Cinemateca Francesa Jean-François Rauger), seguimos por dois filmes que olham de um certo jeito trocista para dentro do seu próprio alinhamento produtivo. Eles são “Black Rose Ascension”, de Tatsumi Kumashiro, o nascimento satírico e transgressivo de uma nova estrela da pornografia (incorporada na atriz Naomi Tani) e o farrapo humano de “Aroused by Gymnopedies”, de Isao Yukisada. Em exibição no Espaço Nimas, em Lisboa.

Mulheres são várias nesta jornada algo vampiresca, cada uma delas servindo de atalho para um outro corpo ambicionado, o da esposa de Shinjin, uma pianista, cuja melodia doce da "Gymnopédie No. 1", do compositor e pianista francês Erik Satie, é invocada sobre os atos lascivos como um ritual religioso.” Ler artigo completo no Mag.Sapo.

Addio alle tue glorie, maestro ...

Hugo Gomes, 06.07.20

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O meu primeiro contacto com Ennio Morricone … mais precisamente com o trabalho, hoje legado, do maestro, aconteceu numa quinzena passada na aldeia das Antas, situado algures nas localidades de Fornos de Algodres (Guarda). Enquanto criança, longe das tentações citadinas entrei em modo de autopunição por um ano letivo vergonhoso, refugiando-me numa antiga coleção de VHS, maioritariamente composta por clássicos populares, portugueses da dinastia de Vasco Santana e António Silva e por alguns westerns spaghettis.

Recordo o dia … não exatamente o dia em questão, mas o sentimento que me atingiu após o longo e animado genérico de The Good, The Bad and the Ugly (O Bom, O Mau e o Vilão). Vibrei com aquela música, que se já era tida como parte irreconhecível da cultura popular, ainda mais na associação automática com o dito género western. Não deixei o filme continuar após o fim dos créditos iniciais, parei a fita, rebobinei e pressionei no “play” e repeti a sinfonia.

Fiquei maravilhado com aquela sonoridade, sem saber (o que viria a confirmar a alguns anos depois, após assumir-me cinéfilo) que aquela composição que marcou aquele meu verão “danado” tinha o dedo de Ennio Morricone. Este foi o meu primeiro “ricordo” com o seu mundo de acordes, sons e melodias … hoje, essa cornucópia musical silenciou-se.

(1928 - 2020)

«Roman Porno»: Ainda há muito desejo para consumir ...

Hugo Gomes, 03.07.20

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Com toda a dedicação, prosseguimos para terceira parte do ciclo “roman porno” (literalmente traduzido, ciclo da “pornografia romântica”, vindo da designação atribuída por crítico e programador da Cinemateca Francesa Jean-François Rauger), a estratégia de produção dos estúdios Nikkatsu nos anos 70 para conseguirem superar a decadência da indústria da altura, no Espaço Nimas. Chega-nos a vez do quarto filme da série Angel Guts: Red Porno (Tenshi no Harawata: Akai Inga, 1981), de Toshiharu Ikeda, e o não consensual, Anti-Porno (Anchiporuno, 2016), de Sion Sono.

O artifício dimensional perpetuado por “Anti-Porno” (simbolizado, que no seu todo, por um lagarto preso na garrafa, o fatal conformismo pela sua realidade) anula qualquer perversão obtida do exercício sexual, revelando-se um trabalho-tese que finaliza todo um gesto produtivo. Depois deste filme, acreditamos que as vontades (se existissem) de ressuscitar o “roman porno” nos nossos dias não serão mais do que meros devaneios oriundos de homens saudosistas, presos a um passado cada vez mais longínquo. Com o cineasta Sion Sono, o sexo muda de holofote, altera a sua exposição, o seu consumismo e sobretudo o seu olhar e os olhos pelo qual se direciona. O que sobra é a cultura do seguidismo, da veneração dos corpos e a constante batalha campal em salvaguardar o sexo como a divina arte.” Ler artigo completo no Mag.Sapo.

Da Palestina, com amor e poesia ... agora, nas salas!

Hugo Gomes, 03.07.20

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Para quem diz (ou persiste) que não há filme "novos" para colocar nas nossas salas de cinemas neste pós-confinamento, basta meter os olhos nas estreias desta semana.
 
Não é coincidência que dois dos grandes filmes do ano chegaram às nossas (poucas) salas. A começar pelas crónicas de um palestino por esse mundo fora, It Must Be Heaven, a quarta longa-metragem de Elia Suleiman, condecorado com uma Menção Especial na última edição o Festival de Cannes (sim, a de 2019):
 
"Com “It Must Be Heaven” (Paraíso, Provavelmente), centramo-nos, até à data, no seu filme mais frustrado, aquele que parece perder todas as esperanças por qualquer intervenção divina, até porque, segundo Suleiman, num encontro em Cannes, a possibilidade de uma utopia entre os dois estados é a mais longínqua fantasia; uma luta para sonhadores que renega o passado tumultuoso da sua coexistência. Assim, partindo no óbvio que nada pode mudar, resta reencontrar o seu espaço no Mundo. O que resta ao palestino nesta geografia? E é então, que o silêncio ativista de duas décadas rompe perante uma resposta, um “statment” que Suleiman não quer deixar emudecido. Há que dizer a tudo e a todos que é o palestiniano antes que a sua identidade se desvaneça em anexos." ler crítica completa no C7nema.
 

"Nunca falei nos meus filmes, até então, pelo que achei que seria uma mudança interessante e inesperada aqui. Como dizes, uso a posse da palavra para mencionar “ Nazaré” e “palestino”, que em certa parte é como não dissesse rigorosamente nada. Não gosto de trabalhar com diálogos, nem sequer monólogos, nos meus filmes. Por um lado é menos trabalho que tenho na conceção destes, mas acima de tudo é porque prefiro centrar-me nas imagens, emoções, e através disso elaboro um diálogo metodológico. Por norma, confundimos linguagem com informação, o que não é verdade. Podemos encher-nos de palavras e dizer rigorosamente nada, e essa presunção leva-nos a minimizar o poder das imagens. Com isto, o que pretendo é construir uma narrativa fílmica com base nessas e não dependente das palavras." segundo Elia Suleiman, na entrevista dada ao C7nema.

E para terminar na angustia de um homem em elevar-se a escritor na (muito) livre adaptação do livro de Jack London, Martin Eden, de Pietro Marcello (e não esquecer a dedicação de corpo e alma do ator Luca Marinelli):
 

"Martin Eden” é, para todos os efeitos, um filme de coração-artista: tumultuoso e inquietante numa sufocante ânsia em criar a todo o custo. É assim a personagem (figura refém do desempenho anárquico e igualmente magistral de Luca Marinelli), é assim a obra que busca livremente os sopros do homónimo trabalho literário de Jack London (de cariz autobiográfico) para proclamarem como seus numa Itália abstrata e enevoada quanto à perceção de século XX." ler crítica completa no Cinema 7ªArte.

 
Pois é, dá gosto ver obras como estas a marcarem presença nos nossos espaços. Ficam as sugestões.
 

Carl Reiner: mortos não pagam dívidas

Hugo Gomes, 30.06.20

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Carl Reiner, o proclamado Mestre da Comédia, como tem sido descrito, nos deixou hoje, aos 98 anos. Dele (enquanto realizador) gostaria de salientar Dead Men Don't Wear Plaid (Cliente Morto Não Paga a Conta, 1982), que confesso, ser dos escassos trabalhos o qual tolero Steve Martin, porém, este não é um filme de ator e das respetivas gags, é sim, uma obra zeitgeist munido de um elenco estrelar, do melhor visto daqueles lados de Hollywood.
 
Se bem verdade que muitos dos “companheiros” de Martin não partilharam, literalmente, o ecrã, mas é nas suas memórias (aquelas registadas) que deparamos num utensilio inventivo e hilariante. Estes atores convertem-se automaticamente em recortes distorcidos nesta ação, e só para mencionar alguns dos rostos e corpos emprestados; Cary Grant, Bette Davis, Humphrey Bogart, Ingrid Bergman, Ava Gardner, Barbara Stanwyck …. Quer dizer … já devem estar a perceber a figura!
 
Mas no fundo é isto: Carl Reiner não foi apenas um artesão em “fazer-nos rir”, foi um entusiasta no riso e na procurar dele através da criatividade, inventividade e engenho. 2020 não está a ser particularmente generoso com a comédia …

«Roman Porno»: Onde o sexo continua a ter lugar ...

Hugo Gomes, 26.06.20

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Continuando na nossa viagem pelos sentidos com o “roman porno” (literalmente traduzido, ciclo da “pornografia romântica”, vindo da designação atribuída por crítico e programador da Cinemateca Francesa Jean-François Rauger), a estratégia de produção dos estúdios Nikkatsu nos anos 70 para conseguirem superar a decadência da indústria da altura, no Espaço Nimas. Nesta segunda parte do ciclo, chegamos às “mulheres-gatos” com Night of the Felines (Mesunekotachi no yoru, 1972), de Noboru Tanaka, e a modernizada versão, Dawn of the Felines (Mesunekotachi, 2017) de Kazuya Shiraishi.

"Nasce aqui uma espécie de triângulo amoroso, sem as ditas arestas reconhecíveis, que irá culminar numa viragem sexual ao som de cantos gregorianos a explorar territórios não-binários da sexualidade de cada um. Digamos que se descobre que as mulheres têm algo de gato dentro delas, independentes, matreiras e nunca devidamente domesticadas, enquanto os homens, meramente ridículos do debaixo das suas propositadas capas de masculinidade (ou como, no caso de Makoto, sensibilidade à flor-da-pele), abrem portas para um universo, ainda que secreto, da homossexualidade da altura em Tóquio." Ler artigo completo no Mag.Sapo.

As tuas palavras, Martin Eden, serão as minhas!

Hugo Gomes, 25.06.20

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Ainda estou arrepiado! Degusto devagar e de forma prazenteira os sentimentos que este Martin Eden me convocou. Pelo menos, com este filme (pensando bem, rasuro, e troco pela palavra “obra”, adequa-se mais) de Pietro Marcello fez-me acreditar, por breves momentos, que o Cinema Italiano está de boa saúde. Pelo menos isso … Isso e um ator chamado Luca Marinelli (culpa minha, já devia ter reparado há tempos).

Perdão pelas palavras vazias, mas é o calor do momento. Brevemente tento domar as palavras de Martin Eden como minhas.

Regressando ao Cinema. De regresso à capital.

Hugo Gomes, 24.06.20

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Convidado pelo site Cinema Sétima Arte a partilhar o meu "desconfinamento" cinematográfico, que em certa parte está associado ao meu regresso a uma cidade que tanto afeto nutro.

"Porque foi com “A Cidade Branca” que regressei ao cinema e simultaneamente à cidade que tanto amo e que, infelizmente, me permite viver à sua porta. É a tela a dialogar diretamente comigo, a comunicar da única maneira que bem sabe, através de imagens e sons aparelhadas numa narrativa, ou numa não-narrativa, assim como tão bem pretenderem. Enquanto crítico, sempre tive a necessidade de coletar esses visuais e sonoridades na promessa de desvendar o hieróglifo decriptado do meu quotidiano e, através da branca cidade na perspetiva de Tanner, redescobri uma Lisboa “selvagem” que deseja sobretudo voltar a ser explorada (e filmada)." Ler texto completo aqui.

Obrigado.