Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Quantos Nolans cabem em Tenet?

Hugo Gomes, 24.08.20

maxresdefault.jpg

À espera de Nolan … assim estão algumas cadeias de cinema que olham para este blockbuster de quase 200 milhões de dólares de orçamento como a salvação de um negócio em ruínas. E quanto a nós, espectadores? O que podemos esperar de Nolan e o seu Tenet? Fácil, o cinema equacional, simples mas distorcido num quebra-cabeças chapado só para nos dar o seu ar de pseudo-intelectual. Pesado enfarta-brutos dramático com ação como se última de ponta fosse. Nolan a ser Nolan e a esquecer que é preciso menos Nolan para aguentar esta quantidade de Nolan.

 

Até ver o "Fim do Mundo" ...

Hugo Gomes, 19.08.20

MV5BN2U0YTQ1MjItZTZkZC00Y2ExLWFiNjEtMzJiMTY5MzkzZT

Depois do místico “Até ver a Luz”, Basil da Cunha continua a dar palco às vozes marginalizadas, num conto de náufragos sem vitimizaçõe, nem heroísmos. Estes são os nossos “Miseráveis”, os nossos subúrbios, a continuação do biótopo à desmoronar como um certo Quarto’, que hoje acreditamos ter mudado a face do cinema português para o novo milénio, avançou. Mas não se deixem colar pela menção, há aqui, neste “O Fim do Mundo”, artificio calculado, engenho e verdadeiramente, Cinema com sangue na guelra. Depois da sua estreia mundial em Locarno no ano passado e com chegada marcada para os cinemas em setembro (sem antes fazer a sua visita no Indielisboa), será este o filme português do ano (mesmo sendo coprodução)? Bem, confesso que estou maravilhado com este universo.

Três décadas de bom Parker!

Hugo Gomes, 31.07.20

MV5BMWMwNDk1NzAtMDlmZS00MmVhLTkzMGUtMTc5MzNhYjZhMT

Angel Heart (1987)

MV5BNGVmMGFkOTgtZDY5Mi00Mzk1LTlhMGYtZjNjYjY4ZDhmMz

Bugsy Malone (1976)

MV5BODdkMWVkYTQtOTFhYy00YTg3LTgzYjctNjU1MTU4YzE1Yj

The Commitments (1991)

 
Não filmava desde 2003, e essa despedida não foi de todo memorável [“The Life of David Gale”], mas não deixemos que isso faça-nos menosprezar a sua obra que atravessou alguns períodos bem vincados. Contudo, fora dos óbvios “Midnight Express” e do “Mississippi Burning”, levo comigo três filmes, algo esquecidos, que, abordam sobretudo, a diversidade do realizador Alan Parker.
 
O literalmente “faz-de-conta” “Bugsy Malone” (1976), a sua primeira longa-metragem (se não contarmos com o projeto televisivo de “The Evacuues”), o thriller com Mickey Rourke à cabeça (em tempos de galã) e um infernal Robert De Niro - “Angel Heart” (1987) - e por fim, aquele que mais aprecio da sua obra, “The Commitments” (1991), um caso à beira do sucesso de um improvisado grupo musical.
 
“- Well, that's a tricky question, Terry. But as I always say, we skipped the light fandango, turned cartweels 'cross the floor. I was feelin' kinda seasick, but the crowd called out for more.
- That's very profound Jimmy! What does it mean?
- I'm fucked if I know,Terry!
 
 
Alan Parker (1944 - 2020)

Esses teus lindos e desgostosos olhos

Hugo Gomes, 29.07.20

film__4169-la-strada--hi_res-8680b258.jpg

Passados estes anos todos, e talvez com uma restauração 4K em cima, os tristes olhos de Giulietta Masina continuam luminosos e sentidos como nunca. "La Strada: A Estrada", o Fellini consensual e nem por isso desmerecedor, regressa aos cinemas portugueses com novas vestes, a partir de 13 de agosto.
 
Continua fantástico e tão ... felliniano! Que bom foi relembrar o meu (primeiro) Fellini!

Hollywood Clássica, oficialmente extinta

Hugo Gomes, 26.07.20

No inicio do mês comemorou os 104 anos … idade invejável não é? O fim chegou! Olivia de Havilland morreu e com ela todo um Cinema, que a partir de hoje declaradamente, extingui. O último rasto … a última lenda viva da Hollywood de ouro.

Olivia de Havilland (1916 - 2020)

1 Kk_Dc1-YYVKmHzoSR0tlrA.jpeg

The Heiress (William Wyler, 1949)

olivia.png

The Private Lives of Elizabeth and Essex (Michael Curtiz, 1939)

Olivia_de_Havilland_Publicity_Photo_for_Gone_with_

Gone with the Wind (Victor Fleming, 1939)

Olivia-De-Havilland-Filming-Robin-Hood-bw-PBDOLDE_

Olivia de Havilland e Basil Rathbone nos bastidores de "Robin Hood" (Michael Curtiz & William Keighley, 1938)

O meu nome não é Ninguém! É Patrick!

Hugo Gomes, 23.07.20

StillWebsite.jpg

Depois da presença na secção competitiva da passada edição do Festival de San Sebastián, chega aos nossos cinemas a esperada longa-metragem inaugural de Gonçalo Waddington por detrás das câmaras - "Patrick". A história de um homónimo jovem (Hugo Fernandes) que é detido pela polícia parisiense, o qual descobrem tratar-se de uma criança portuguesa desaparecida há vários anos. O retorno é tudo menos pacífico, sendo Patrick atormentado pelas identidades e pelas memórias passadas. Que vida escolher?

"Gonçalo Waddington (que zelosamente foi um dos argumentistas de “Mosquito”, que também desconstrói campos sagrados da identidade portuguesa) avança desde o primeiro momento sorrateiramente à sua intriga, valendo num travelling ondulante, inicialmente rasteiro, que contorna o corpo de Patrick, estabelecendo o inaugural e cuidadoso contacto com o invólucro de carne e osso onde decorrerá a dita psicanálise. Como “comparsas” do “crime”, o ator, agora convertido a autor por inteiro, confia na fotografia do cada vez mais ascendente Vasco Viana (“Um Fim do Mundo”, “Montanha”) para criar um contraste visível entre a Paris luxuriosa e pecaminosa, e sobretudo moderna e “aberta”, para com a ruralidade portuguesa, sombria e “fechada” à mercê do seu constante receio às dúvidas existencialistas que serão impostas." Crítica no Cinema 7ª Arte.

"No seu todo, "Patrick" funciona como uma prolongada tese sobre maternidade e identidade, mas é também a afirmação de um possível autor que parece querer trazer ao nosso cinema um tom provocatório que estava a precisar." Crítica no Mag.Sapo.

"Depois de alguns anos, aconteceu o caso do Rui Pedro, do qual muitos filmes foram feitos a partir desse tema ou semelhante, como foi o caso de “Alice” [filme de Marco Martins, em 2005], em que participei e expunha o ponto de vista dos pais da criança desaparecida. Nessa altura já questionava o que poderia pensar o outro lado, o da criança. Que processos físicos e psicológicos esta passaria numa situação de sequestro/rapto? Mais do que isso, quais as consequências se tal estado fosse prolongado?" Entrevista com o realizador, argumentista e ator, Gonçalo Waddington, no Mag.Sapo.

"Pelo que me lembro, não existe nenhum filme do nosso panorama com esta abordagem. Por isso, acho que estamos bem encaminhados com a assinatura do Gonçalo. É sensível, claro que sim, mas é um tipo de filme que vale a pena vê-lo para o poder discutir. “Patrick” é rico em termos de discussões, argumentações e trocas de ideias. E gosto disso no cinema. Desafia-nos." Entrevista com a atriz Alba Baptista, no Mag.Sapo.