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Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Cinematograficamente Falando ...

Quando só se tem cinema na cabeça, dá nisto ...

Das páginas ao ecrã, evidenciando cinema pela caneta de John Le Carré

Hugo Gomes, 14.12.20

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John Le Carré (1931 - 2020)

O célebre escritor, possivelmente o grande responsável pela redefinição do policial do século XX, encontrou no cinema, não a sua derradeira imortalização, mas um cúmplice para os seus "crimes". A imaginação de Carré aliou-se às imagens e nesse bando geraram filmes ... e muitos deles, que filmes! O autor deixou-nos ... maldito 2020 que não termina de jeito nenhum ... mas as suas histórias, essas, persistem nos diferentes formatos.

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The Tailor of Panama (John Boorman, 2001)

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Tinker Tailor Soldier Spy (Tomas Alfredson, 2011)

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The Spy Who Came in From the Cold (Martin Ritt, 1965)

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The Constant Gardener (Fernando Meirelles, 2005)

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The Deadly Affair (Sidney Lumet, 1967)

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A Most Wanted Man (Anton Corbijn, 2014)

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The Russian House (Fred Schepisi, 1990)

Em 2020 as estações desvanecem rápido ... um adeus a Kim Ki-Duk

Hugo Gomes, 11.12.20

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Morreu um dos grandes impulsionadores do cinema sul-coreano no início do novo século, pelo menos o que a História ocidental nos conta. De Kim Ki-Duk guardo sentimentos, memórias e sobretudo imagens, desde o meu primeiro contacto, algo febril, com "The Isle" ("Seoma") - o anzol que me perseguiu até hoje - passando pelos incontornáveis e poeticamente belos "Spring, Summer, Fall, Winter... and Spring" e "3-Iron". O homem pode ter sucumbido, mas a obra, essa, mantém-se com a promessa de criar novos cinéfilos.
 
Hoje desapareceu um dos grandes!
 

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Spring, Summer, Fall, Winter... and Spring (2003)

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3-Iron (2004)

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The Isle (2000)

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Pieta (2012)

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Wild Animals (1997)

Confissões de uma mente espacial em desejo de prémios

Hugo Gomes, 09.12.20

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Não há estrelas no céu que iluminam o caminho de George Clooney nesta sua nova incursão na realização. Um vazio de ideias o qual forçadamente tenta comparar-se com “Gravity” de Cuarón ou “The Revenant” de Iñarritu (palavras do próprio), esquecendo-se que por vezes os propósitos estéticos ou exercícios de género motivam filmes e não apenas gestos de pura mimetização. “The Midnight Sky” é um pastelão lamechas que faz usos dos mais vários requintes tecnológicos de uma Hollywood / Netflix a pensar em prémios com a maior das confianças. Mais um para se perder na vastidão do espaço.

O último pensante português ... e agora?

Hugo Gomes, 01.12.20

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O Labirinto da Saudade (Miguel Gonçalves Mendes, 2018)

De Eduardo Lourenço o único contacto que obtive foi um aperto de mão, mas isto não é sobre a “proximidade” com o ensaísta e filósofo que nos deixou hoje com uma idade impressionante de 97 anos (quem me dera chegar lá um dia), e sim sobre o título o qual acompanha o seu anúncio de morte e o que também partilho: “morreu o último pensador de Portugal”. A verdade, é que numa era onde a intelectualidade é tida como ameaça aos velhos valores e paradoxalmente visto como obsoleto, uma inutilidade social, adquirindo características próprias e únicas do privilegio ou simplesmente, a dissociação para com uma arrogância, um ser pensante é algo impensável, inconcebível e sobretudo longe de ser amado. Porém, Lourenço era amado, apreciado, venerado, o seu filosofar conquistou e gerou uma geração que o pretendia seguir. Só que seguidismo não criam intelectualidades, apenas reforçam correntes de pensamento, mantendo-as vivas e a tornar-las autoritárias. Com o desaparecimento do “ultimo pensador”, penso para mim, quem deterá atualmente esse título? Quem condensará todas as qualidade, e não as mesmas reflexões e ideias, que Eduardo Lourenço? Em tempos onde todos desejam agir pelo impulso das suas emoções, pensar é mais que rarefeito.

 

No Zodíaco dos Génios

Hugo Gomes, 30.11.20

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Herman J. Mankiewicz ou Orson Welles? Não vamos para aqui discutir quem é o verdadeiro génio por detrás de Citizen Kane, mas um facto é certo, os 79 anos a separar esta incursão de David Fincher com a obra-prima cinematográfica dão espaço para a desconstrução de uma Hollywood em peso, e para isso há que se servir dos mais comuns elementos do academismo atual. Eis o trabalho mais profundamente desinspirado de um realizador positivamente arruaceiro no formalismo hollywodesco, mais concentrado em dissecar a genialidade do que propriamente entendê-la e com isso, leva aos trambolhões a sua dita Hollywood. É “bem feito” dirão muitos … só que não chega.

Born in the USA

Hugo Gomes, 24.11.20

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“Nomadland” ilude-nos à partida, é um retrato da América (essa frase cliché). Mas a questão é saber qual América? Através de uma Frances McDormand despida de qualquer manto ficcional percorremos o profundo do país dos “Pais Fundadores”, escutando relatos de desespero ou de propostas alternativas à escravatura capitalista e observando paisagens inóspitas, outras por vezes abandonadas, em busca de um lugar a quem se possa chamar Lar, esse Império (=Empire) transformado em não-lugar. Esta América, esta mesmo, que caminhamos sem eira nem beira, por trabalhos temporários, na subsistência e dependência da solidariedade dos outros, é a América de Obama. Revelando aqui, subversivamente, o que antecedeu ao triunfo de Trump em 2016. O que fez seguir até o radicalismo. Só que soluções nem vê-las, nem mesmo tal pode acontecer, até por que a postura nómada da personagem de McDormand é uma liberdade insuflada, uma ilusão vendida para crentes.