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4.4.13

O Bom Malandro!

 

Chamaram-lhe de O Grande Kilapy (golpista, trapaceiro), mas o seu verdadeiro nome é João Fraga (Lázaro Ramos), filho de classe alta angolana que seguiu para Lisboa no âmbito de estudar. Porém, João Fraga, ou “Joãozinho”, é um adepto frenético da vida boémia, por isso se via constantemente envolvido em arriscados estratagemas e tinha como fraqueza as mulheres, pelo qual se comportava como um verdadeiro “don juan”. Contudo “Joãozinho” vivia numa época frágil, um Portugal sob a sombra da opressão e de um regime fascite antes 25 de Abril. E devido às suas amizades como também da sua boa ética de sempre auxiliar um amigo, o nosso “bon vivant” é recambiado para Angola pela PIDE, onde as eminências dos acontecimentos da Guerra Colonial e da resistência do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) se fazia sentir naquele igualmente frágil país.

 

 

O Grande Kilapy é a nova produção de Zezé Gamboa, o homem por detrás do elogiado O Herói (2004), a história de um veterano da Guerra Civil Angolana de regresso á cidade de Luanda que conseguiu arrecadar o Grande Prémio de Júri no Festival de Sundance em 2005, daquela que talvez foi das mais altas distinções do cinema português e claro da cinematografia angolana, que encontra-se numa situação mais sufocante e supervivente que o nosso panorama cinematográfico.

 

 

O Grande Kilapy, uma co-produção portuguesa, angolana e brasileira, é porém, eficaz narrativamente, mesmo cedendo ao esquematismo das ocorrências e da imensidão de personagens que as tornam descartáveis, contudo converte o brasileiro Lázaro Ramos (A Madame Satã), numa espécie de irreverente cronista, um herói acidental, perante as duas realidades políticas e sociais que marcaram ambas as nações. Para além disso, o protagonista é também um dos pontos altos desta produção com constantes visitas ao passado, um modelo de “bom bandido” que consegue envolver um carisma de requinte ao seu personagem. Todavia, deve-se assinalar o trabalho árduo de um actor brasileiro em tentar reproduzir o dialecto angolano e nesse factor, Lázaro Ramos está de parabéns. No fim disto tudo, O Grande Kilapy não é tão profundo e intrínseco como o O Herói, mas é uma união de esforços em confronto com reduzidos meios de produção, só por essa motivação, por vezes rara no cinema, esta obra merece o nosso interesse. O filme de abertura do FESTin 2013.

 

Real.: Zezé Gamboa / Int.: Lázaro Ramos, Pedro Hossi, João Lagarto, Hermila Guedes, Adriana Rebello, José Pedro Gomes

 


 

7/10
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publicado por Hugo Gomes às 01:26
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