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15.12.12

Nova visita à Terra Média!

 

Num buraco no chão vivia um hobbit”, escreveu John Ronald Reuel Tolkien criativamente numa folha branca enquanto corrigia os testes dos seus alunos no Verão de 1930. A partir daí aquela palavra, algo inventado pelo professor de Inglês de Oxford, começou aos poucos intriga-lo, sendo que este tentou a todo o custo arranjar um significado para a dita denominação hobbit, o que gerou o início daquilo que poderá ser chamado de o mundo fantástico mais complexo e elaborado da literatura, a Terra Média. Tolkien desenhou mapas, compôs novas linguagens e vocabulários, elaborou historiais dignos de uma nova bíblia, e por fim conseguiu arquitectar um sentido para a misteriosa palavra hobbit, um ser pequeno de pés felpudos onde o autor depositou inúmeras feições suas. Depois daquela frase que havia escrito apenas com fins de relaxamento em tempos de trabalho, Tolkien começou então a compor uma aventura unicamente direccionada para entreter os seus quatro filhos.

 

 

A referida aventura remete o dito ser pigmeu que por sua vez é um conformista e conservador, embarca numa jornada algo fantástica onde conhece feiticeiros, anões e até dragões. Tolkien estava longe de saber que aqueles rascunhos iriam dar origem a um dos fenómenos literários do seculo e um dos livros mais inspiradores. A publicação de Hobbit foi um mero fruto do acaso, já que o autor recusava leva-los a público e apenas incluir os manuscritos como historias pessoais apenas exclusivas para os seus filhos. Tudo começou quando uma antiga aluna do professor, Elaine Griffiths, pediu os textos emprestados e sem o conhecimento de Tolkien, mostrou a um editor que ficou impressionado com a imaginação deste. Algum tempo depois conseguiu convencer o autor a ceder a sua história para publicação e mais, termina-la. Assim sendo o livro foi um êxito, tendo esgotado quatro meses depois do primeiro exemplar ter sido publicado. Face a tal sucesso, os editores começaram esforçadamente persuadir Tolkien a escreveu uma sequela, o resultado foi não um, mas sim, três livros que elevaram a fasquia e que tornaram uma simples historia para crianças num maduro épico de fantasia, The Lord of the Rings.

 


 

Tal como a trilogia The Lord of the Rings, The Hobbit havia sido uma obra cobiçada pela indústria cinematográfica, mas tal como o seu congénere, o universo de J.R.R. Tolkien é demasiado complexo e elaborado para ser levado ao grande ecrã. Todavia o resultado de Peter Jackson e o seu O Senhor dos Anéis, levou os próprios produtores que anteriormente não depositavam fé no projecto, a induzir a adaptação do tão livro um da Terra Média. Jackson encontra-se novamente na direcção da produção, após Guillermo Del Toro ter abandonado o cargo devido às complicações da pré-produção. Com uma rodagem quase desastrosa, porém complicadíssima, lá Peter Jackson conseguiu concretizar o projecto tão requisitado, dividindo a história de Hobbit em três filmes, talvez por motivos de rendimento ou para conseguir uma sensação mais fiel ao espirito de Tolkien.

 


 

O regresso á Terra Média é só por si um bilhete de ida com agrado e este Hobbit: An Unexpected Journey faz por momentos acreditar na velha terra do anel. Contudo a viagem já não é a mesma, o entusiasmo não iguala e mesmo com Jackson na cadeira de realizador, o amor por esta Terra que lhe deu o prestígio é diferente, mais automático e persuasivo. Claro que a historia também não é a mesma, Hobbit não possui o mesmo tom que The Lord of the Rings, nem podia sendo que foi o primeiro livro a surgir. Não requer a mesma negritude, sendo uma obra mais cómica, mais fertilmente fantástico e creio ser um pouco mais imaturo, o poético folego da trilogia anterior parece ter dado a vez a um blockbuster de grande produção.

 

 

Já se acredita que os mesmos sentimentos não voltaram a ser replicados, embora que Hobbit é uma viagem divertida, brilhantemente cénica e de efeitos especiais avassaladores, banda sonora ao mesmo nível que os anteriores, sem contar com as sequências de acção mais dinâmicas e menos rudimentares. Peter Jackson equilibra a referência do universo “tolkieno” e preserva as memórias de The Lord of the Rings, esforça-se no tratamento dos seus novos personagens mas tudo indica que são os repetentes que funcionam como centro de atenções, entre os quais Gollum, criatura computorizada e gerada por motion-caption através de Andy Serkis, que em “confronto” com o novo Bilbo Baggins (Martin Freeman) conseguem reproduzir a cena mestra de todo o filme, a abertura oficial do espirito de The Lord of the Rings.

 

 

Não tão primoroso que a trilogia que toda a gente sabe e conhece, Peter Jackson desperdiça aqui um grande filme para dar lugar a uma excelente aventura no fantástico mundo de Tolkien. Hobbit funciona como um blockbuster ocasionalmente magico e espirituoso, um regresso á Terra Média, que não mata saudades mas conforta-nos.

 

“I can't just running off into the blue. I'm a Baggins of bag end!”

 

Real.: Peter Jackson / Int.: Ian McKellen, Martin Freeman, Richard Armitage, Benedict Cumberbatch, Ken Stott, Graham McTavish, William Kircher, James Nesbitt, Stephen Hunter, Dean O`Gorman, Aidan Turner, Billy Connolly, Cate Blanchett, Elijah Wood, Hugo Weaving, Christopher Lee, Andy Serkis, Ian Holm

 


 

Ver Também

The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring (2001)

The Lord of the Rings: The Two Towers (2002)

The Lord of the Rings: The Return of the King (2003)

 

8/10
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publicado por Hugo Gomes às 17:53
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3 comentários:
De Nóbrega a 16 de Dezembro de 2012 às 01:59
Bem, é impressão ou ficaste decepcionado com o filme?


De Hugo Gomes a 16 de Dezembro de 2012 às 13:29
sim, posso dizer um pouco, não é tão profundo nem complexo que a trilogia original


De Gustavo a 15 de Abril de 2013 às 18:21
Fracasso! O senhor dos aneis é uma trilogia impar, profunda e epica este hobbit ficou apenas como filme para crianças e é longe que se farta. Acho que a historia servia so para um filme não é preciso mais!


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