“Forever não é com eles”
Toda a gente deve estar farta de ouvir da aclamação geral que esta parte 2 seja o mais decente de um franchising que já arrecadou 2 biliões de dólares em todo o Mundo mas que continua a ser conhecido pelas piores razões. Admito que este derradeiro e último Twilight, consiga por fim conquistar mesmos os não-fãs das escrituras de Stephenie Meyer ou mesmo daquilo que já foi feito na saga cinematográfica, mas não se enganem não existe nada de extraordinário aqui, e não é por causa do romance, se é que existe aqui tal sentimento. Drácula, personagem sombria e tenebrosa, antes de se figurar como um ícone das obras de terror cinematográficas, foi representado na obra-prima literária de Bram Stoker como um eterno e incurável romântico, proibido de amar e condenado a viver das sombras da tentação e das memórias de um amor eterno e perdido. Porém nos dias de hoje a imagem do vampiro não é ligada ao mórbido romance, mas sim como um símbolo de sensualidade e erotismo, contudo Twilight não aspira nem um nem outra forma. Porque um romance conformista que nem sequer um pingo de tragédia possui, Stephenie Meyer além de ser pouco original é limitada e tem medo de ousar quanto o destino das suas personagens, não contem o peso nem profundidade para ser sequer integre nessa classificação quanto mais utilizar a imagem vampírica desses sedentos de sangue.
Trata-se de marketing para fazer suspirar os fãs mais die-hards, onde a força deste “romance” só advém de “posers”, frases rebuscadas, palavreadas sem utilidade e por fim, falta de personagens. Pois bem e como se confirma neste pretensioso capitulo, Twilight não tem personagens, apenas bonecos que tentam suster um romance principal cheio de mensagens subliminares pelo meio. Devido a essa necessidade de ter personagens é normal que quando uma morre em consequências trágicas, o espectador tende logo em sentir absolutamente nada, zero, como um boneco de videojogo se tratasse. E esse aspecto prejudica e muito o fulgor épico que a fita (e mesmo historia) quer tomar no ultimo acto.
Depois temos os desempenhos, a começar por Kristen Stewart que se revela numa melhoria de caracter, todavia essa foi uma das minhas preocupações. A fita de Catherine Hardwicke, Twilight (2008), talvez o episódio mais interessante deste frenesim, apostava numa simples premissa, um imortal que apaixona-se por uma mortal e vice-versa, porém sem aprovação de conversões vampíricos, até a certo ponto chega mesmo a citar “Is it not enough, just to have a long and happy life with me?”. Uma cumplicidade entre os lados opostos da moeda da vida e morte poderia ser um trunfo nesta busca pela tragédia conjugal, porém Meyer determinou satisfazer as suas fãs e os adeptos de vampiros em geral e ao invés de construir um dilema entre a mortalidade e imortalidade onde poderia basear pontos fortes para a sua saga, decidiu mima-los e oferecer a eles o que pretendiam, mas o que não precisavam. Assim, a personagem de Stewart, Bella (mortal) era uma figura difícil de reconciliar, deprimida, desequilibrada e imoral, enquanto a versão imortal é cheio de vida, alegre e determinada. Moral da história: segundo Stephenie Meyer ser humano é demasiado vulgar. Por fim daquilo que podemos apelidar de personagens construídas temos Robert Pattinson no seu pior e Taylor Lautner que continua sem talento, ambos submissos e ocos.
No fim, tudo termina e o que fica é simplesmente bons dotes visuais, sonoros e técnicos e o resto é a preservação de tudo aquilo que ajudou a construir esta saga, nada de diferente, nada de ousado, apenas isto, uma Hollywood automática e esfomeada. Realizado por Bill Condon, mais conhecido pela obra Kinsey com Liam Neeson (shame on you, Billy), The Twilight Saga: The Breaking Dawn Part 2 é a continuação dos elementos que nunca fizeram o franchising sair do estatuto de obra inconsequente adolescente. Um final bastante decorativo mas que emana o vazio que a saga atingiu. Não existe aqui cinema.
“You named my baby after the Loch Ness Monster?”
Real.: Bill Condon / Int.: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Billy Burke, Peter Facinelli, Elizabeth Reaser, Jackson Rathbone, Kellan Lutz, Ashley Greene, Nikki Reed, Booboo Stewart, Julia Jones
Ver Também
The Twilight Saga: New Moon (2009)
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