As Sombras de Burton!
Johnny Depp e Tim Burton se reúnem pela oitava vez para tornar possível um dos seus objectos de admiração, uma soap-opera dos anos 60 equivalente a uma novela mexicana que se dá pelo nome de Dark Shadows, uma salganhada de temas que incluía algum frenesim sobrenatural como é o caso da sua estrela Jonathan Frid que interpreta nada mais nada menos que um vampiro (anyone?). Movidos por um passado de guilty pleasures, porém tão bem que sabem homenagear a matéria pouco prima, como foi o caso de Ed Wood, filme biográfico daquele que é considerado o pior dos realizadores e falamos a nível mundial, mas que nas mãos desta dupla imbatível resultou num excelente e excêntrico retrato da imperfeição artística. Será que poderia resultar em Dark Shadows? Felizmente nesta Sombras da Escuridão (titulo traduzido) temos a nosso dispor os ingredientes que mais afeiçoamos na carreira de Burton, desde os cenários góticos e imaginativos até às personagens excêntricas e claro, Johnny Depp no seu melhor a demonstrar que é um dos actores mais camaleónicos e flexíveis dos tempos actuais.
Cheio de referências á novela em questão como também dos próprios anos 70 o qual a fita decorre, Dark Shadows tenta incutir um certa tragédia ao vampiro Barnabas Collins (Depp), um anterior aristocrata playboy que comete o maior erro da sua mortal vida, parte o coração a uma bruxa, para ser exacto á rancorosa e sedutora Angelique (uma fantástica Eva Green). Como castigo a feiticeira lança a uma maldição a Collins e o remete a um sono de mais de 200 anos, quando é libertado, agora na década de 70, ele encontra-se convertido a um sedento de sangue, imortal e amaldiçoado, um vampiro assim por dizer. Segue então ao encontro dos seus descendentes, aqueles que eram uma das mais poderosas famílias do seu tempo são agora reduzidos a uma remanescência. Barnabas decide então ajudar os seus herdeiros a poderem erguer de novo.
Claro que este Dark Shadows é nem de longe nem dos mais complexos filmes de Burton, e para ser sincero tinha pano para muito mais, historia para dar e vender e personagens que mereciam ser exploradas ao invés de se auto-converter em somente referências. O que gera é uma narrativa bastante apresada no segundo tomo e uma falta de ligação entre as personagens. E é pena porque tínhamos a nosso dispor um excelente elenco que poderia funcionar no seio da extravagância gótica de Tim Burton entre os quais Chloe Grace Moretz, uma pequena actriz em ascensão, contudo é nostálgico ver de novo Michelle Pfeifer de novo sob as ordens do realizador, conta-se 20 anos desde Batman Returns. Na chegada do terceiro tomo, talvez o mais agradável em termos visuais mas o mais trapalhão a nível narrativo, nos revela caóticos twist que são desvendados á velocidade da luz. Porém no último acto o realizador invocar em Eva Green algo do género de Meryl Streep em Death Becomes Her de Robert Zemeckis (nostálgico assim por dizer).
Em Dark Shadows se consta o gótico de Burton em todo o seu esplendor, mesmo que o filme não funcione como uma obra plena da sua carreira é um amontoado de referências e homenagens não só á série em questão como também inúmeros filmes que fascinam o autor. Um elenco de luxo liderado por um Johnny Depp excelente!
“My name is Barnabas Collins. Two centuries ago, I made Collinwood my home... until a jealous witch cursed me, condemning me to the shadows, for all time.”
Real.: Tim Burton / Int.: Johnny Depp, Michelle Pfeiffer, Eva Green, Helena Bonham Carter, Chloë Grace Moretz, Jackie Earle Haley, Christopher Lee
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