Remake futurista!
Os remakes abundam que nem pombos nos dias de hoje e principalmente lá para os lados de Hollywood, onde encontraram neste processo uma formula de reutilizar os rendimentos de velhas glórias entre os quais Total Recall. O filme em questão estreou entre nós há 22 anos atrás, actualmente goza o estatuto de culto quer na carreira de Arnold Schwarzenegger como no autor imperfeito e deveras trash, o holandês Paul Verhoeven. Pegando numa ideia do visionário escritor Philip K. Dick do seu conto We Can Remember It For You Wholesale, Total Recall – Desafio Total se centra numa aventura de ficção científica sobre máquinas de incursão de memórias e um planeta Marte no seio de uma revolução entre colonos e mutantes. A obra foi um êxito, mesmo sob o seu embrulho de produto série B despretensioso com o actor de The Terminator a oferecer uma prestação “mui generis”. E foi por isso que sob o atento olhares dos produtores em busca de velhos clássicos (ou não) para eventuais renovações (remakes), Total Recall era um potencial novo êxito, uma fita que aspirava nostalgia e muitas memórias sobre o espectador mais atento como também possuía ingredientes suficientes para agradar as audiências mais novas e desconhecedoras do êxito anterior, assim sendo e com as novas tecnologias que nos dias actuais detemos, a refilmagem desta obra de culto era uma espécie de “piece of cake” para os envolvidos hollywoodescos.
Porém a pergunta se mantem: será que uma nova versão do Desafio Total conseguiria atrair público suficiente num Verão tão competido como o do ano 2012? A resposta fica porém pouco agradável, nos EUA, o remake de Total Recall foi quase esquecido nas bilheteiras, um fracasso num mês que se registou na mais fraca adesão às salas de projecção de sempre, que foi esse maldito mês de Agosto. O filme apenas sobreviver do eminente fiasco graças a uma performance razoável, mas mesmo assim pouco rentável fora das terras do tio Sam. Será que todos estes sinais indiciam a uma saturação a estas “cópias” ou reboots como muitos querem apelidar de forma a amenizar o lado criativo do projecto? Bem, passemos á frente.
A versão do seculo XXI desta livre adaptação de Philip K. Dick foi concretizada por Len Wiseman (Underworld, Die Hard 4.0) com um auxilio de um argumento escrito por Kurt Wimmer (Equilibrium), neste filme esquecemos por momentos todo aquele ambiente trash e até mesmo Marte, a intriga ficou em casa, ou seja na Terra, onde num futuro longínquo quase 90% do planeta estará contaminado e improprio para habitação, sendo que os últimos redutos do ser humanos estão divididos em dois grandes territórios, a União Federativa da Grã Bretanha e a Colonia, que se situa onde era antiga Austrália, o único meio de transporte entre os dois centros é a chamada “The Fall” (A Queda), uma espécie de comboio que atravessa o centro da Terra. Ambos os territórios encontram-se constantemente em confrontos entre os federais e os rebeldes, que anseiam a independência da Colonia. Face a este deprimente cenário seguimos de perto Doug Quaid (Colin Farrell), um simples cidadão da Colonia assombrado por estranhos sonhos de que se trata de um espião. Um dia, seduzido pela publicidade da Total Rekall, uma espécie de agência de viagens que opera em implantar memorias, Quaid decide experimentar o fruto dessa empresa. Porém durante o processo, algo desperta na sua memória e instantaneamente começa a ser perseguido pelos federais e até a sua mulher se revela numa agente dupla. Afinal quem é Quaid?
Ao contrário da despreocupada variação de 1990 por Paul Verhoeven, este Total Recall tenta incutir alguns problemas sociais na sua trama, sendo que impõe um clima mais sério e alarmante. O argumento de Kurt Wimmer e Mark Bomback (que auxiliou Wiseman em Die Hard 4.0) explora o conceito de minoria neste futurístico cenário de guerrilha, onde aparentemente a personagem de Colin Farrell parece fazer a diferença. Tudo se torna mais automático e com isso mais mecanizado, enquanto o anterior ser um produto de “mau gosto”, porém admito, tem alguma personalidade, enquanto em Total Recall de Len Wiseman sentimos apenas o simples espectáculo hollywoodesco que os Verões já estão acostumados. Todavia, Farrell (cada vez mais a confirmar como a face dos remakes) consegue dar mais carácter ao seu personagem e ser mais ágil e coreografado que Arnold Schwarzenegger no seu próprio jogo. O actor como herói encontra-se dividido entre duas das maiores beldade de Hollywood, Jessica Biel e Kate Beckinsale (a sidekick amoroso e a vilã, respectivamente), contudo nenhuma delas consegue ser capaz de oferecer carnalidade às suas amplas personagens. A juntar este elenco podemos contar com Bill Nighy e o talentoso Bryan Cranston, ambos sob o signo do desaproveitamento.
Sente-se as potencialidades pipoqueiras deste Total Recall, porém Len Wiseman parece trocar a inteligência da sua intriga em prol do espectáculo rotineiro cinematográfico. De Philip K. Dick só mesmo as referencias expostas na tecnologia, entre os quais os andróides personalizados (alguém falou de I, Robot). Mais um remake pouco sucedido a juntar a lista, mesmo não sendo fã do original admito que esta versão é porém menos divertida e mais rotineira. PS – Calma fãs, mesmo estando despropositado com o clima desta versão, a mulher com três seios faz aqui a sua aparição, neste caso sob a pele da actriz Kaitlyn Lee (Wrong Turn 4 : Bloody Begginings).
“The past is a construct of the mind. It blinds us. It fools us into believing it. But the heart wants to live in the present. Look there. You'll find your answer.”
Real.: Len Wiseman / Int.: Colin Farrell, Kate Beckinsale, Jessica Biel, Bryan Cranston, Bokeem Woodbine, Bill Nighy, John Cho, Kaitlyn Lee
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