Quinta-feira, 25 de Outubro de 2012

Sonhos e Pesadelos!

 

Um cientista “louco” (Daniel Emilfork) que vive numa sociedade surreal, rapta crianças no fim de extrair os seus sonhos, como se isso fosse retardar a sua avançada idade. Enquanto isso na apelidada “cidade das crianças perdidas”, dois improváveis heróis, uma menina órfã (Judith Vittet) e um homem de circo e de poucas palavras (Ron Perlman) estão em vias de decifrar tal mistério.

 

 

Após Delicatessen (1991), a surpreendente e bizarra visão semi-apocalíptica onde a humanidade sobrevive por vias do canibalismo, o realizador Jean-Pierre Jeunet volta a conquistar o seu público com este La Cité des Enfants Perdus (1995). Que em conjunto com Marc Caro (que também trabalhou com o autor na anterior e referida obra de 1991) se assume como o inventor de uma fantasia futurista obsoleta, referencial e sobretudo atmosférica (sendo esse uma das categorias que distingue a carreira do realizador, um clima pesado mas sobretudo delicioso). Será escusado dizer que La Cité des Enfants Perdus é um triunfo visual e técnico, em jeito de fábula negra de pouca inocência entre sonhos e genética, mas que infelizmente é um daqueles exemplos do cinema “gaulês” o qual é preferível a aposta no conceito "mais olhos que barriga", ou seja, muita palha sobre muita palha o qual não levam a fita a caminho algum sem ser uma aparente confusão narrativa.

 

 

Desnorteado e sobretudo demoroso em encontrar tal direcção objectiva, La Cité des Enfants Perdus também falha por não conseguir transmitir alguma consistência na visão dos autores, e mesmo sabendo tratar-se de um cenário com algum cariz juvenil e pueril, a fita é incapaz de centrar-se naquilo que supostamente é o mais importante, as personagens e a razão que as fazem correr. Emoções injectadas à última da hora, personagens vazias e “souless”, um argumento que confunde o que não é suposto confundir e por fim, uma narrativa tão atrapalhada como um pássaro inepto de voo. É visualmente deslumbrante, tecnicamente irrepreensível, isso não como negar, mas os filmes não se fazem através de imagens, efeitos e sons, é preciso alma que preencha esses "sonhos".

 

“When you're born in the gutter you end up in the port.”

 

Real.: Jean-Pierre Jeunet, Marc Caro / Int.: Ron Perlman, Daniel Emilfork, Judith Vittet

 

 

5/10
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publicado por Hugo Gomes às 01:32
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