Um país descrito no seu cinema!
Nos últimos anos deparamos com um cinema grego revoltado, oprimido, bizarro e por vezes metafórico. O reflexo de um país que se sente na cauda da Europa, num poço sem fim e na austeridade, e nisso influencia uma cinematografia que tem mais para dizer do que simplesmente entreter. Nos Óscares de 2010, o candidato grego á categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira foi a distinta obra de Giorgos Lanthimos, Canino (Kynodontas, titulo original), que surpreendentemente foi um fita dentro dos parâmetros do art house que figura muitos dos problemas como também medos sociais de um país forçado a viver sobre a linha. Tudo isto representando num bizarra família que controlava o crescimento dos seus filhos e os privava ao mundo exterior, distorcendo as leis e as lógicas para assim os progenitores conseguiram molda-los a sua maneira, realçando o seu instinto animal. Como podem ver, Canino é um exemplo raro numa gala de distinções quase conformista e mainstream, porém o mais estranho é que o filme de Giorgos Lanthimos tinha sérias hipóteses de levar a estatueta para casa, mas antes disso tinha rendido a crítica em geral.
Passados 2 anos eis que surge no nosso país, Attenberg, título alusivo a um mau pronunciado David Attenborough, um famoso documentarista de vida selvagem cujos seus trabalhos são elogiados em todo o mundo. Attenberg de Athina Rachel Tsangari utiliza esse fascínio envolto nos relatos ao mundo animal para criar uma sensação de sufoco, onde deparamos com um leque de personagens bizarras que quase parecem ter saído de um reino taxonómico completamente diferente. Sem um argumento aparentemente coerente, o filme parece documentar essas jactâncias comportamentais, fundido o mundo animal com os seres humanos figurativos.
E é assim que seguindo a história de uma jovem adulta que tenta descobrir a sua sexualidade enquanto lida com os últimos dias de vida do seu pai, somos apresentados a uma repugnância corporal e uma mise en scené rebuscado, surreal e sim, por vezes ridículo. Quanto a assexualidade da sua protagonista (interpretada por Ariane Labed) é uma alusão ao estado social de um Grécia por vezes perdida e em crescente busca de sua identidade. Attenberg é obviamente uma obra com muito para dizer, mas que o representa e o afirma de um modelo quase circense, individualista e egocêntrico, mas que mesmo assim consegue invocar algum espírito do cinema francês que Robert Bresson concretiza nos anos 60. Resumindo e concluindo a nova fita de Athina Rachel Tsangari vem reunir com Canino de Giorgos Lanthimos no retrato analista num país em pedido de socorro.
Real.: Athina Rachel Tsangari / Int.: Ariane Labed, Giorgos Lanthimos, Vangelis Mourikis
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