Data
Título
Take
6.10.12

Uma Deusa Exótica!

 

A vida de Saartjie Baartman é transposta para o cinema com uma crueldade crua que nos deixam sem palavras. A mulher em questão apelidada de “Vénus Negra” ou “Vénus Hottentot”, nome dado pelo naturalista francês George Cuvier, foi trazida da Africa do Sul para a Europa pelo seu “dono” na promessa de fortuna e fama, porém devido às suas características especiais da tribo em que integra (os hottentots), tais como a dimensão invulgar dos lábios vaginais, é exibida como uma fera de circo em espectáculos torturantes e animalescos.

 

 

Saartjie Baartman viveu uma vida de pura discriminação, maus-tratos e de ilusões, sendo que o realizador de L’ Esquive (2003), Abdellatif Kechiche o demonstre com tal precisão e sem piedade para com o espectador, sendo capaz de exibir na fita as torturas e desumanidade cometidas para com a mulher nos horripilantes espectáculos cirquenses de forma integral e sem cortes, levando mesmo com que Venus Noir fosse acusado de puro fetichismo ou de tortura gratificante “exploited” nas primeiras visualizações em Festivais.

 

 

 

Yahima Torres, uma actriz de coragem capaz de abdicar o seu corpo e psicológico para o papel, glorifica a memória de Saartjie Baartman de uma forma terna, porém de martírio e tristeza, a sua interpretação causa impacto á dor que fora incutida na mulher “hottentot” e permanece fantasmagórica no espectador mesmo algum tempo após a visualização, destaque também os desempenhos de Olivier Gourmet, André Jacobs, Jean-Christophe Bouvet e François Marthouret como o famoso e respeitável naturalista, Georges Cuvier.

 

 

Uma vida menosprezada, contudo abrilhantada numa fita que jus ao seu legado, narrativamente forte e cruel, que não julga mas deixa as audiências julgarem. Um atentado á humanidade desconhecido para muitos, transformado num filme rico, atmosférico e psicologicamente violento. De visualização obrigatória.

 

Real.: Abdellatif Kechiche / Int.: Yahima Torres, Olivier Gourmet, André Jacobs, Jean-Christophe Bouvet e François Marthouret

 

 

9/10
tags: ,

publicado por Hugo Gomes às 01:00
link do post | comentar | partilhar

sobre mim
pesquisar
 
arquivos
2019:

 J F M A M J J A S O N D


2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


recentemente

Don't Call me Angel

Sempre iluminado!

«Vitalina Varela»: a noit...

Terminator: Dark Fate - o...

No Country for Old Women

«Il Traditore»: a máfia m...

Porquê ver Mutant Blast? ...

Quote #12: Ventura (Vital...

Feios, Porcos e Maus: epi...

Na Netflix, nem tudo é or...

últ. comentários
Lógico, foi uma ótima narrativa... Os personagens ...
escadas moduladas
receita de chicha morada peruana
Takes
10/10 - Magnífico
9/10 - Imprescindível
8/10 - Bom
7/10 - Interessante
6/10 - Razoável
5/10 - Medíocre
4/10 - Muito Fraco
3/10 - Mau
2/10 - Péssimo
1/10 - De Fugir
0/10 - Nulidade
stats counter
HTML Hit Counter
counter
links
mais comentados
31 comentários
25 comentários
20 comentários
12511335_1084470088250815_732384524_o
subscrever feeds
SAPO Blogs