Sente a barbaridade do projecto!
Robert E. Howard criou em 1932 uma das personagens mais icónicas, se não a mais, da literatura sword & scorcery, Conan – O Bárbaro. Protagonista de imensas aventuras que saíram dos livros propriamente ditos e que povoou BDS, jogos, brinquedos e filmes, entre os quais uma versão cinematográfica de John Milius e com o cunho de Oliver Stone em 1982 que obteve um enorme sucesso e que interligou até aos dias de hoje, a personagem fictícia com o actor Arnold Schwarzenegger que conheceu o estrelato graças ao papel. Entretanto a Nu Image/Millennium Films arrisca (e que arrojada aposta) neste remake / reboot dirigido por Marcus Nispel, o homem por detrás da re-filmagem de Texas Chainsaw Massacre em 2003 e do pseudo-épico Pathfinder em 2007, provavelmente o filme que motivou os produtores para eleger Nispel como o homem indicado no posto de tarefeiro de serviço.
Conan the Barbarian consegue até certa altura ser mais fiel às páginas de E. Howard do que propriamente aspirar o filme de 1982, esta fidelidade encontra-se principalmente na caracterização do novo bárbaro, onde Jason Mamoa corresponde a um guerreiro mais hábil com a espada, felino e ágil, perdendo todo aquela brutalidade de Schwarzenegger. Nisso, em termos físicos, Mamoa corresponde na exactidão ao personagem de Robert E. Howard, mas quando se pede ao jovem actor para actuar, a única coisa que nos oferece é uma figura plana e monossílaba do inconsequente herói de acção.
Aliás a única prestação decente neste filme quase arrancado por amadores (poderia se não tivesse integrado actores de nome) é mesmo o de Rose McGowan (que se encontrava anexada num projecto de Robert Rodriguez baseada noutra figura fictícia do legado de Howard, Red Sonja, porém nos dias de hoje aprisionado no chamado “limbo cinematográfico”), que interpreta um dos vilões deste épico algo chunga, pueril e controlado por um gore exagerado e por vezes artificial. Felizmente as sequências de acção estão bem trabalhadas, mas o cinema não sobrevive apenas disso. De bárbaro fica a decisão dos responsáveis em tenter devolver um novo folego a uma personagem já tão marcada. Depois queixam-se do flop.
“I live, I love, I slay, and I am content.”
Real.: Marcus Nispel / Int.: Jason Momoa, Stephen Lang, Rachel Nichols, Rose McGowan, Ron Perlman
O Melhor – Jason Mamoa não ser tão brutamontes como Schwarzenegger, criando assim um personagem mais fiel ao legado de Robert E. Howard
O Pior – Uma história insonsa, personagens sem interesse e um gore algo exagerado e pueril
Recomendações – Pathfinder (2007), Centurion (2010), 300 (2007)
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