Domingo, 22 de Abril de 2012

Estou bastante atrasado na apresentação desta lista. O ano 2012 tem sido um ano muito difícil para mim e tenho dedicado pouco tempo ao blog, porém confesso que continuo insaciavelmente ir ao cinema ver os últimos filmes como escapatória das más notícias que abundam o nosso dia-a-dia, essa “coisa” chamada crise, mas o reduzido espaço e tempo que possuiu dificulta a postagem de críticas e afins. Todavia, sem mais nada para desculpar, eis finalmente a lista dos melhores filmes de 2011, segundo a minha humilde opinião.

 

 

#10) Ides of March (George Clooney)

 

 

Ryan Gosling num dos desempenhos da sua vida, George Clooney carismaticamente hipnótico como sempre e Paul Giamati e Phillip Seymour Hoffman a demonstrar as suas garras na arte da interpretação neste novo filme da faceta de realizador de Clooney. Apresentando como um retracto das campanhas políticas como meros jogos de estratégias, com muita chantagem e traição pelo caminho, Ides of March é um thriller de classe, sedutor, que brinda-nos com um actor formidável e de futuro risonho (Gosling) e de uma vedeta que até se comporta como um dos autores mais maduros de Hollywood (Clooney).

 

#09) Monsters (Gareth Edwards)

 

 

Quando falamos apenas na ideia de inserir monstros alienígenas e romance, a primeira impressão é pura “chunguice”. Porém o filme de Gareth Edwards vem a provar que sob o comando desses ingredientes, consegue criar um dos mais arrebatadores romances do ano e com monstros do tamanho de arranha-céus incluídos. Filmado como uma obra de guerrilha e limitado por um orçamento curto, Monsters aposta essencialmente numa trama mais intrínseca e menos longitudinal á visão futurista que representa, dando a ideia de pura naturalidade. Um filme discreto, mas que merece ser visto por todos.

 

#08) The King’s Speech (Tom Hooper)

 

 

O grande vencedor dos Óscares de 2011, Tom Hooper realiza aqui um drama improvável inicialmente negado pelas produtores que não olhavam com bons olhos ao projecto, prevendo tratar-se de um fiasco. No final de contas conseguiu arrecadar uns impressionantes 400 milhões de dólares em todo o Mundo e tendo em conta o orçamento de 15 milhões, The King’s Speech é realmente um improvável sucesso. Mas como filme, a história de um rei gago, o verídico George V, é uma experiencia única dramática que consegue transformar um suposto biopic num “buddie movie” primoroso. O elenco é fabuloso, o merecido vencedor do Óscar, Colin Firth consegue transmitir na perfeição a angústia de um rei que se sente subvalorizado devido a uma simples deficiência oratória e o seu pouco ortodoxo terapeuta, Geoffrey Rush, a invocar um dos seus melhores desempenhos. Drama inspirador!

 

#07) Biutiful (Alejandro González Iñárritu)

 

 

Alejandro González Iñárritu é um talentoso artesão de filmes de mosaico, porém para além do modelo narrativo consegue invocar nas suas fitas uma carga dramática poderosíssima com auxílio de um elenco escolhida a dedo. Biutiful é porém o de todas as obras de Iñárritu a mais básica em termos narrativos, mas é tal como a sua filmografia, um filme poderoso, tocante, sem maniqueísmos e um actor que serve de base simbiótica a um drama tocante, Javier Bardem com uma das suas melhores prestações num personagem entre o linear do bem e do mal. Grandes autores e actores!

 

#06) Jodaeiye Nader az Simin (Asghar Farhadi)

 

 

O justíssimo vencedor do Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira da gala de 2012, um retracto implacável da separação dos valores sociais dos indivíduos perante os conflitos. Um filme que nos celebra do que melhor se faz em terras de Abbas Kiarostami, o Irão, e esquece por momentos o preconceito do Ocidente de que só Hollywood pode deter grandes obras cinematográficas. Grandes actores, muito bem escrito argumento num dos filmes que não causou grande destaque na sua estreia mas que não provocou indiferença aos poucos que o viram.

 

#05) Midnight in Paris (Woody Allen)

 

 

Tudo indicava que o realizador/ argumentista / actor, Woody Allen tinha perdido a sua genica há algum tempo, mais precisamente depois de 2005 (Match Point). Todavia parece ter recuperado a sua melhor forma em 2011 com este Midnight in Paris, uma homenagem de um artista á arte em geral. Allen realiza e escreve uma fita repleta de amor pelas criações prazenteiras do ser humano, encenando uma Paris magica e fértil, e dirigindo um elenco de igual talento, até mesmo Owen Wilson surpreende pela positiva mesmo sob a capa do seu ego. Fantástico, um marco na carreira de tão veterano autor.

 

#04) The Beaver (Jodie Foster)

 

 

Incompreendido, é o que posso dizer deste quase surrealista quarta obra de Jodie Foster na cadeira de realizador. Ela dirige Mel Gibson naquele que pode muito bem ser a sua obra de redenção, desempenhando um personagem melancólico que ganha nova vida quando encontra um fantoche de forma de castor (daí o titulo The Beaver). Trata-se de um obra de autor e de actores, com imagens e diálogos fortes como também um elenco cuidado e profissional. Emocionante.

 

#03) Drive (Nicolas Winding Refn)

 

 

Ninguém nega que o ano 2011 pertenceu quase inteiramente ao actor Ryan Gosling, sendo esta sua época de maior destaque e ascensão. Impressionou os críticos e publico com as suas prestações em fitas como Blue Valentine de Derek Cianfrance e Ides of March de George Clooney, encantou muitas e apresentou carisma em Crazy Stupid Love de Glenn Ficarra, John Requa e por fim se marcou com uma das personagens incontornáveis do ano passado, somente chamado de Drive no filme homónimo de Nicolas Winding Refn. Ele é um duplo de cinema, perito em perseguições e acrobacias mirabolantes com viaturas, um az ao volante que nas horas vagas pratica actos ilícitos em servir como transportador para criminosos nos seus golpes. Drive é um culto garantido, uma combinação do cinema pulp com a nostalgia dos anos 70, tudo resumindo a uma homenagem incompreendida á obra de Quentin Tarantino. Sensacional.

 

#02) The Tree of Life (Terrence Malick)

 

 

Eu sei o que estão a pensar, quem elege a presunçosa obra de Malick como um dos grandes filmes de 2011 é puro snobismo ou demonstração de superioridade cultural. Confesso que se calhar fiquei mais admirado com as visualizações de Drive de Nicolas Winding Refn ou mesmo Jodaeiye Nader az Simin de Asghar Farhadi, não com isto querendo dizer que desgostei de The Tree of Life, nada disso, a ultima fita de Malick foi uma experiencia criativa rica e pura, um hino a um novo cinema, um cinema longe do mainstream e da gigantesca industrialidade de Hollywood, do marketing e da sétima arte como simples negocio. Há muito que não se via um tipo de filmes assim desde 2001: A Space Odissey de Stanley Kubrick, revelando todo ele uma jornada do Homem na Terra, com claras alusões á admiração do autor pela figura divina de Deus, porém a representando através da Natureza e por fim imagens belíssimas de tirar o folego. Seca para alguns, um monumento para outros.

 

#01) Black Swan (Darren Aronofsky)

 

 

Tendo como influencias thrillers da categoria de The Shinning de Stanley Kubrick ou Misery de Rob Reiner, Black Swan não só é inspirado como também já faz parte dessa liga e com todo o respeito. Natalie Portman demonstra versatilidade na protagonista trágica assombrada pelos seus piores temores enquanto o autor Darren Aronofsky a dirige com todo o esplendor e entrega-nos uma intriga arrepiante e misteriosa até ao último minuto. No final Portman cita “I was perfect” e um disparar de aplausos invade, ecoando até à última frame. O melhor filme do ano, sem dúvida.

 

 

 

Menções honrosas – Venus Noir, Tinker Tailor Soldier Spy, Carnage, The Conspirator, La Piel que Habito, Source Code

 

Surpresas – Source Code, The Beaver, The Rise of the Planet of the Apes, X-Men: First Class, Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro, The Help

 

 

Ver Também

Biutiful (2010)

Black Swan (2010)

Carnage (2011)

Drive (2011)

Jodaeiye Nader az Simin (2011)

La Piel que Habito (2011)

Midnight in Paris (2011)

Monsters (2010)

Rise of the Planet of the Apes (2011)

Source Code (2011)

The Beaver (2011)

The Conspirator (2011)

The Help (2011)

The King’s Speech (2010)

The Tree of Life (2011)

Tinker Tailor Soldier Spy (2011)

Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora É Outro (2010)

X-Men: First Class (2011)

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publicado por Hugo Gomes às 02:00
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