“I´m the King of the World”
Antes de ainda ser concluído, Titanic de James Cameron estava previsto afundar-se nas bilheteiras internacionais, muito devido ao seu orçamento colossal que já superava os 200 milhões de dólares e dos longos atrasos da produção que a fita encontrava-se submetida. Mas felizmente, Titanic estava muito longe de encontrar-se na lista dos maiores flops de sempre, tendo rendido uns impressionantes 1,8 bilião de dólares em todo o Mundo, permanecendo no primeiro lugar na box office em 17 semanas nos EUA. A fita bilionária de Cameron consistiu nos dias de hoje um dos filmes mais conhecidos e adorados de todo o sempre, a sua recompensação surgiu na cerimónia dos Óscares em 1998, onde a obra levou para casa um número impressionante de 11 estatuetas, entre elas o cobiçado Melhor Filme.
Porém longe da megalomania do projecto, encontra-se uma clara e honesta homenagem ao cinema clássico romântico (com obvias alusões a Gone With the Wind de Victor Fleming) em camuflagem com a pretensão técnica e realista dos efeitos visuais e da reconstrução dos cenários como por exemplo o navio feito á escala para o efeito. Cameron recupera o filão classicista hollywoodesco na tragédia do SMS Titanic, o majestoso paquete a vapor que afundou após ter chocado contra um icebergue no dia 15 de Abril de 1912, naquela que foi a sua viagem inaugural. Neste acontecimento trágico morreram 1500 pessoas. O realizador porém invoca as suas memórias através de um cocktail de figuras reais com fictícias, encenando uma história de amor de grande escala que simboliza uma luta hierarquia de classes da época.
Nesse casal amoroso encontramos traços de Romeu e Julieta, onde Kate Winslet e Leonardo DiCaprio estão terrivelmente belos e irresistíveis, completando-se quimicamente entre si. Winslet demonstra cada vez a senhora actriz que iria se tornar (Titanic é ainda hoje o seu filme mais destacado) e DiCaprio fica conhecido a partir daqui como um astro teenager, no caso de actor deve-se aplicar a mesma regra que aborda o vinho, quanto mais velho é, melhor se torna. Cameron consegue assim através do par romântico a recriação de sequências arrebatadoramente apaixonadas e esteticamente poéticas que ficaram imortalizados no legado cinematográfico. Mesmo com um elenco secundário de luxo e altamente competente; Billy Zane (a sua carreira nunca mais foi a mesma), Bernand Hill como o fatídico Capitão Edward James Smith, o qual o seu último e nobre gesto foi afundar-se com o navio, o sempre notável David Warner, Kathy Bates, Bill Paxton e Gloria Stuart (a única interpretação nomeada ao Óscar nesta fita), Titanic não consegue criar espaço de manobra para o desenvolvimento das mesmas, preocupando-se com o romance fictício e retractar o resto como simples arquétipos honrosos.
Mas não é por causa disso que Titanic não seja altamente emocionante, James Cameron prova aqui que é um verdadeiro artesão ao recriar o pânico geral no grande ecrã. De generalizar dramas e concentrar-se em absorver as memorias de todos aqueles que perderam as suas vidas no fatídico dia. Mesmo que prometa mais do que aquilo que inteiramente cumpre em termos de personagens (falo das cenas mise en scène com Kate Winslet sobre claustrofobia social e do grito interior interrompido pela sirene do SMS Titanic, que surgem no principio deste épico, mas o qual James Cameron nunca consegue ser capaz de desenvolver a sua personagem estrelar nesses meio mais profundo), mas que cumpre naquilo que desde o início o espectador esperava, o naufrágio sentimental e espectacular de Titanic que compõe alguma das sequências de acção mais elaboradas dos anos 90.
Cem anos depois do acontecimento negro que marcou uma década, uma versão convertida em três dimensões é relançada nos cinemas de todo o mundo como motivo de celebração do centenário do naufrágio de tão majestoso navio, realçando toda a espectacularidade desta obra tão equiparada aos clássicos épicos de Hollywood. Pode não ter sido a melhor obra do ano, nos dias de hoje é motivo de “jacota” e de ódio por muitos, talvez devido á grande produção que se tornou e pela banda sonora (maravilhosa, não tem medo de dizer) interpretada por Celine Dion, mas a verdade é que Titanic de Cameron é sim um feito técnico e dramático que reside como um dos mais completos dramas do final dos anos 90 e um dos filmes mais célebres de todo o sempre. Não é perfeito, mas sabe cumprir e muito bem os requisitos necessários e é um dos romances mais poderosos de que há memória.
Real.: James Cameron / Int.: Leonardo DiCaprio, Kate Winslet, Billy Zane, Kathy Bates, Frances Fisher, Gloria Stuart, Bill Paxton, Bernard Hill, David Warner, Victor Garber, Jonathan Hyde, Suzy Amis, Lewis Abernathy
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