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17.3.12

Entre divórcios e conflitos numa cultura à parte.

 

Penso que devo começar a crítica aclamando que A Separation  (vou referir o titulo em inglês daqui a diante para ser mais fácil) foi o justíssimo vencedor ao Óscar de Melhor Filme de Língua Estrangeira na última gala das estatuetas douradas. Asghar Farhadi compõe aqui uma fita orquestrada pelo mise enscène mas sempre culminada com interesse, que de certa forma mira com algum sarcasmo à maneira como desabam os valores sociais de cada um quando julgados pela justiça que é e como é feita no Irão. A obra tenta passar ao de leve pela união entre a mulher e a religião, tudo isso disfarçado num descendente e influente da obra Rashomon de Akira Kurosawa, onde a verdade parece demonstrar as suas diferentes facetas.

 

 

Em A Separation encontramos um tipo de cinema que raramente vemos no nosso panorama cinematográfico, sendo uma fita que reúne todo os traços do mainstream, do artístico e do realismo, entre os quais brinca saudavelmente com os géneros de drama intenso e com o thriller. Estranho será dizer que Farhadi compõe aqui uma obra que se esconde das aparências, que se revela mais perante o tema central e que vai tecendo uma intriga merecedora de duas horas de duração.

 

 

A Separação que o filme refere é inicialmente um divórcio entre as duas personagens principais, Nadir e Simin (personagens essas, desempenhadas magistralmente e convincentemente por Peyman Moadi e Leila Hatami), processualmente diferente das culturas ocidentais, passando previsivelmente para a batalha pela custódia da filha (aqui interpretada por Sarina Farhadi, curiosamente filha do realizador da obra). Todavia, A Separation não é uma fita que se resume a uma só premissa, o argumento temporariamente esquece gradualmente do objecto central e fermenta a trama seguinte que nos reflectirá sobre os nossos valores enquanto membros de uma sociedade, seja ela qual for. Mesmo marcados pela violência, religião, globalização, tradicionalismo, etnicismo ou qualquer outro factor. Uma grande obra que dificilmente deixará alguém indiferente. E porque no Irão se faz verdadeiro cinema!

 

Real.: Asghar Farhadi / Int.: Peyman Moadi, Leila Hatami, Sarina Farhadi, Sareh Bayat

 

 

10/10

publicado por Hugo Gomes às 16:37
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