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Título
Take
10.3.12

Memórias que levam ao exagero!

 

Entre os nove nomeados ao Óscar de Melhor Filme na 84ª ediçãoExtremely Loud and Incredible Close foi o qual recebeu mais contestação. A fita foi um fracasso de bilheteiras, o público em geral não se sentiu atraído e a crítica foi deveras agressiva, dando a sensação que Stephen Daldry é sempre levado ao colo em todas as edições da estatueta dourada. A verdade é que o Extremamente Alto, Incrivelmente Perto (titulo traduzido) reúne um conjunto de tão formidáveis actores que vai desde Tom Hanks a Sandra Bullock, um magnifico Max Von Sydow a uma Viola Davis emocionante até ao estreante em grande Thomas Horn terminando num Jeffrey Wright com toda a categoria, mas existe algo nele que não bate bem.

 

 

Para ser sincero esta história de um miúdo sobredotado (ou autista, não se sabe ao certo) em busca das memórias do seu pai, falecido durante na fatídica data do 11 de Setembro, não conduz qualquer simpatia ou afinidade para com o público. Sendo um projecto arriscado, baseado num best-seller de Jonathan Safran Foer, eis um ensaio dramático sem fim, lamechas e canonista. Tendo uma excessiva duração, Extremely Loud and Incredible Close torna-se penoso e até aborrecido quando se tenta esticar todo um dramalhão oportunista e por vezes bacoco e exagerado no seu teor. O triste é que esta jornada poderia ser interessante, mas o registo trazido por Stephen Daldry, com auxílio do argumento escrito por Eric Roth (Forrester Gump, Munich), é retratado da maneira mais novelesca possível, o fácil sentimentalismo disfarçado de pretensiosismo faz-se sentir. É como o filme em questão vivesse da lágrima fácil dos seus espectadores, enquanto os manipula usando a tragédia do 11 de Setembro como desculpa.

 

 

Para terminar gostaria de confessar, é impressão minha ou a personagem de Thomas Horn não apresenta qualquer afinidade para com o público, claro sem isto negar a prestação do jovem actor que estreia em grande no cinema. Definitivamente este é um dos maiores erros dos Óscares, um telefilme disfarçado de grande obra. Por isso caro leitor, deixo espaço para questionar, se no lugar deste não faria melhor figura um Drive, de Nicolas Winding Refn ou até mesmo o esquecido The Girl with Dragon Tatoo de David Fincher, na lista de nomeações à estatueta?

 

Real.: Stephen Daldry / Int.: Thomas Horn, Tom Hanks, Sandra Bullock, Max Von Sydow, John Goodman, Viola Davis, Jeffrey Wright

 

 

4/10
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publicado por Hugo Gomes às 01:37
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2 comentários:
De joana a 4 de Abril de 2012 às 21:07
olá

penso que faço parte da minoria das pessoas que simplesmente adorou este filme. (poderá ter a ver com o facto de ter perdido também o meu pai e sentir uma empatia enorme com a dor da personagem principal?)

achei o filme original e diferente de todos os filmes que vi que se debruçam sobre o tema do luto por uma pessoa significativa... triste (claro, nisso concordo que é um dramalhão, chorei várias vezes ao longo do filme) mas ao mesmo tempo mandando uma mensagem de esperança e de beleza sobre a vida.

também discordo e acho o actor simplesmente brilhante, mas gostaria de fazer um comentário: o personagem não é sobredotado. como é dito no filme, ele é autista (penso que não chegou mesmo a ser comprovado, mas ele apresenta muitos sintomas): o facto de ter um fascínio por uma actividade especifica (neste caso, as descobertas), o facto do barulho (do instrumento musical) o acalmar, a dificuldade em interagir com outros seres humanos, etc.
penso que o filme se torna mais interessante ainda visto sob esse prisma, porque a personalidade autista está muito bem construída - e como isso dificulta a sua expressão emocional de luto.

de qualquer das formas, é sempre bom ler criticas diferentes e até opinioes contrarias à nossa :)

cumprimentos,
joana


De joana a 4 de Abril de 2012 às 21:13
só para completar a ideia, para quem não conhece o problema:

autismo (wikipedia)

"O autismo é uma disfunção global do desenvolvimento. É uma alteração que afeta a capacidade de comunicação do indivíduo, de socialização (estabelecer relacionamentos) e de comportamento (responder apropriadamente ao ambiente — segundo as normas que regulam essas respostas). (...)
Algumas crianças, apesar de autistas, apresentam inteligência e fala intactas, outras apresentam sérios problemas no desenvolvimento da linguagem. Alguns parecem fechados e distantes, outros presos a rígidos e restritos padrões de comportamento. (...)
Um dos mitos comuns sobre o autismo é de que pessoas autistas vivem em seu mundo próprio, interagindo com o ambiente que criam; isto não é verdade. Se, por exemplo, uma criança autista fica isolada em seu canto observando as outras crianças brincarem, não é porque ela necessariamente está desinteressada nessas brincadeiras ou porque vive em seu mundo. Pode ser que essa criança simplesmente tenha dificuldade de iniciar, manter e terminar adequadamente uma conversa.
Outro mito comum é de que quando se fala em uma pessoa autista geralmente se pensa em uma pessoa retardada ou que sabe poucas palavras (ou até mesmo que não sabe alguma). Problemas na inteligência geral ou no desenvolvimento de linguagem, em alguns casos, pode realmente estar presente, mas como dito acima nem todos são assim. Às vezes é difícil definir se uma pessoa tem um déficit intelectivo se ela nunca teve oportunidades de interagir com outras pessoas ou com o ambiente. Na verdade, alguns indivíduos com autismo possuem inteligência acima da média.(...)"


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