Tudo passa-se de uma GRANDE mal-entendido!
Afirma-se que Alfred Hitchcock inseriu em 1960 um tipo de personagem que o cinema não ousava em integrar, o psicopata, e o fez com grande valor e mediatismo na sua obra-prima Psycho. Anthony Perkins foi o actor elegido para interpretar a figura antagónica da obra, Norman Bates, inspiração alusiva ao real Ed Gein, que tanto chocou a América nos anos 50. A partir daí surgiram muitas outras obras que consideraram a personagem do psicopata um momento chave, porém tal figura se transformou e divergiu com o passar dos anos, sendo que de um lado tempos a psicopatia como obra de puro génio contudo utilizado de modo macabro e do outro temos as limitações educacionais como o isolamento territorial como motivo para as praticas homicidas, esta ultima é aquilo que vulgarmente chamamos do “pacóvio”.
Realizado por Eli Craig, Tucker & Dale Vs Evil não é um dos exemplos desse estereótipo do camponês que decide elaborar massacres ou algo do género, não, trata-se apenas de uma paródia sobre os preconceitos que tal personagem convive no panorama cinematográfico. E é então que seguimos a história de dois amigos ditamente saloios que decidem passar férias na sua casa de campo, que para muitos assemelha-se á cabana inspirada na saga de terror Evil Dead. Porém as suas férias se interligarão com um campismo de um grupo de jovens académicos amedrontados sem razão com a figura da dupla, sendo que este “choque” cultural irá desencadear inúmeros mal entendidos que acabaram por se tornar mortíferos.
Trata-se de uma combinação agradável de comédia e terror que brinca inconsequentemente com os ingredientes que compõem este tipo de filmes, de certa forma como o primeiro Scary Movie fez com o slasher movie, todavia a fita de Eli Craig é menos ridículo, mais coerente e inteligente. O espectador é assim apanhado de surpresa no seio de uma catástrofe de equivocações que resultarão em gags ingénuos e divertidos. Mesmo com aparência meio série B, Tucker & Dale Vs Evil está mais próximo de um Evil Dead de Sam Raimi que da muita palhaçada o qual são feitos os filmes que a obra de Eli Craig homenageia, para finalizar devo salientar que o elenco realmente ajuda, sendo que a dupla Tyler Labine e Alan Tudyk é impagável e quimicamente bem-sucedida. Destaque para Katrina Bowden!
Real.: Eli Craig / Int.: Tyler Labine, Alan Tudyk, Katrina Bowden
Sites de Cinema
CineCartaz Publico