Claustrofobia e sobrevivência!
Imaginem-se na seguinte situação: de repente despertam dentro de um caixão de madeira, soterrado, chantageado por um terrorista, o oxigénio é cada vez mais escasso e os únicos pertences são um isqueiro, uma lanterna e um telemóvel com menos de metade da bateria. Uma situação desesperante não é? Pois bem, é este o cenário de Buried.
A fita de Rodrigo Cortés é um típico “one actor movie” em que nos apresenta um Ryan Reynolds esforçado, porém, e por infelicidade nossa, não muito profundo como deveria. Mesmo assim, é a claustrofóbica realização que toma conta de um filme provocador e com classe na entrega do suspense, daqueles que deixaria Alfred Hitchcock orgulhoso. Em Buried, mais do que um thriller, sente-se um certo toque de criticismo face às burocracias norte-americanas nas suas situações com reféns no Médio Oriente, um suposta dimensão social que Cortés disfarça com uma pretensão fiel à sua limitação espacial. Como tal, esquiva dos piores artifícios do autor, um dos exemplos é o uso abusivo de flashbacks, completamente dispensado aqui, para dar lugar a um exercício impressionante de terror com doses generosas de humanidade, onde é a imaginação e o efeito sugestão fora de plano a comportar-se como protagonistas.
O final, mesmo que previsível, até certo ponto, torna-se num desespero sem fim até ao último minuto, com Reynolds a demonstrar as suas capacidades de actor (sua melhor prestação), contornando o seu ego e explodindo de emoções no último "on the record", mesmo que, como já havia referido, este torna-se no pior elemento da fita, porque simplesmente não se entrega equilibradamente em toda a narrativa. Mesmo não sendo um grande filme, Rodrigo Cortés traz aqui um excelente motivo de celebração do thriller e do exercício cinematográfico. Nisso, estamos gratos!
"I'm buried in a box. I'm buried in a box!"
Real.: Rodrigo Cortés / Int.: Ryan Reynolds, José Luis García Pérez, Robert Paterson
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